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Nos idos do Chile sob Allende


Everaldo Fioravante
Do Diário do Grande ABC

22/01/2005 | 13:20


De um lado, os pobres aliados de Salvador Allende; do outro, os ricos contra o governo socialista. É 1973, em Santiago, no Chile: ano do golpe militar de Pinochet que derruba Allende, tempo de passeatas tanto dos esquerdistas quanto dos direitistas e de escassez de alimentos. Esse é o pano de fundo do longa-metragem Machuca (Chile/Espanha, 2004), de Andrés Wood, belo filme que no Grande ABC está em exibição em uma sala do Cinemark do Shopping ABC Plaza, em Santo André.

Na história, dois protagonistas. Um é o garoto branco e sardento Gonzalo Infante (alter ego do diretor Wood, papel de Matías Quer), rico, morador de uma boa casa em um bom bairro e estudante de uma escola católica particular comandada pelo padre McEnroe (Ernesto Malbran). O outro é Pedro Machuca (Ariel Mateluna), garoto índio, da favela.

Mesmo separados pela diferença social, Infante e Machuca se conhecem e se tornam amigos. São companheiros de classe – Machuca só freqüenta a escola porque o padre recebe meninos pobres da favela, benefício que desagrada os pais de muitos alunos.

Um tio de Machuca ganha a vida vendendo bandeirinhas nas passeatas políticas, comércio que pratica tanto nas manifestações em favor de Allende quanto nas contrárias. No trabalho, ele é acompanhado pela filha adolescente Silvana (Manuela Martelli) e por Machuca. O mais novo integrante da equipe é Infante, que também freqüenta a favela onde eles moram.

Enquanto os adultos de classes sociais distintas se dividem nas passeatas, Machuca e Infante se aproximam. Em determinado momento, “dividem” até Silvana: beijam a garota docemente. Primeiro um, depois o outro, em uma cena erótica regada a leite condensado.

Na trama, as diferenças sociais que marcam o Chile são apresentadas por meio do olhar de Infante, e não de Machuca, como seria mais óbvio. Um bom exemplo é quando Infante, na favela, pede para usar o banheiro, local em precárias condições de higiene – situação à qual ele não está acostumado.

Machuca é baseado na experiência que o diretor Wood (nascido em Santiago, em 1965) passou quando foi aluno de uma escola de uma congregação norte-americana, na qual também houve uma integração entre alunos ricos e pobres à época do golpe no Chile. É seu quarto longa-metragem – o primeiro é Histórias de Futebol (1997).

Premiado em diversos festivais, entre eles o de Havana (Cuba) e o de Viña Del Mar (Espanha), Machuca é pré-indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro – as indicações saem no próximo dia 25.


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