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É hora de comprar!

São muitas as maratonas disputadas mundo afora, no decorrer de um ano...


Rodolfo de Souza

28/12/2014 | 07:00


São muitas as maratonas disputadas mundo afora, no decorrer de um ano. Meias maratonas e maratonas inteiras mobilizam gente comprometida com o exercício físico, e também simples curiosos e amantes de uma boa farra. Assim, em toda parte, são promovidas correrias de fim de semana, talvez uma forma de celebrar a atividade mais exercida pelo homem que vive correndo, bestamente.

Esporte, cuja regra determina que se corra para marcar o ponto, inclusive, é sem dúvida o mais prestigiado. Até porque, quase todos os jogos são mesmo disputados usufruindo-se da velocidade das pernas. Está implícita, pois, na mente humana, a ideia de correr para ganhar qualquer coisa, ou para sair na frente e vencer. Necessidade premente de vencer sempre é mania, seja no futebol, no trânsito, no bate-boca...

E no meio dessa gama toda de desportistas corredores, há um tipo que ganha dos demais em velocidade, empenho e resistência. Refiro-me ao atleta consumidor em época de Natal, que sai em disparada rumo às compras. Desdobra-se nas pistas especialmente idealizadas para o conforto de quem sai desembestado atrás do preço mais baixo, da qualidade, da moda, da moda que manda comprar, comprar e comprar. É imprescindível presentear, deixar de lado o orgulho, dar asas à hipocrisia e confraternizar de verdade, para valer, com mimos adquiridos nas lojas cheias de lindas canções natalinas a embalar corações gastadores.

Momento sublime este de fim de ano em que, no ímpeto de consumir, o maratonista das compras é obrigado a engolir aquela desfeita ou a fofoca desferida contra a sua pessoa, que lhe vieram depositar no pé do ouvido, e que agora será momentaneamente esquecida. Afinal, está aberta a temporada de presentear e se presentear, ritual concebido unicamente para o culto ao sagrado ato de consumir, felicidade ímpar de quem vende.

É no débito? É no crédito? Em quantas vezes? À vista tem desconto! Pagar, pagar, levar, levar... Cartões, cartões, sacolas, muitas sacolas! Lindos embrulhos em meio a muitos enfeites e belas mensagens, enchendo de vigor a esperança de ver renovado ele, o amor entre as pessoas que devem gastar e gastar até não mais poder. Endividar-se, aliás, faz parte do ritual de compra. Alegria do mercado financeiro que, da mesma forma, é filho de Deus e merece sentir cheia a imensa barriga de apetite insaciável.

Fome que, aliás, é companheira nesses momentos de se meter a mão no bolso. E foi justamente pensando nela que se criou a tão aprazível praça de alimentação, lugar que ganhou notoriedade por ter perdido aquele ar bucólico, com bancos e árvores, em que outrora era comum se sentar para apreciar um bom sanduíche de mortadela com guaraná. Atualmente, contudo, é o templo da comilança do extenuado atleta consumidor, de mãos cheias e pança vazia. Desce um chopp, por favor! Aquela porção de fritas e hambúrgueres aos montes, também. Para mim uma pizza. Um filé me cai bem.

E o amigo secreto há de gostar, isso sim. Filhos, sobrinhos, marido, mulher, papai, mamãe, sogrinho, sogrinha... Todos, de sorrisos largos, já podem ser vislumbrados na mente do feliz presenteador.

Logicamente que o Natal passará e deixará suas marcas de suprema felicidade na vida do voraz comprador e sua esvaída conta bancária que não é motivo para desanimar o entusiasmado atleta que já pensa em começar os treinos para mais uma maratona, porque, afinal, ano que vem tem mais!

* Rodolfo de Souza nasceu e mora em Santo André. É professor e autor do blog cafeecronicas.wordpress.com

E-mail para esta coluna: souza.rodolfo@hotmail.com. 



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É hora de comprar!

São muitas as maratonas disputadas mundo afora, no decorrer de um ano...

Rodolfo de Souza

28/12/2014 | 07:00


São muitas as maratonas disputadas mundo afora, no decorrer de um ano. Meias maratonas e maratonas inteiras mobilizam gente comprometida com o exercício físico, e também simples curiosos e amantes de uma boa farra. Assim, em toda parte, são promovidas correrias de fim de semana, talvez uma forma de celebrar a atividade mais exercida pelo homem que vive correndo, bestamente.

Esporte, cuja regra determina que se corra para marcar o ponto, inclusive, é sem dúvida o mais prestigiado. Até porque, quase todos os jogos são mesmo disputados usufruindo-se da velocidade das pernas. Está implícita, pois, na mente humana, a ideia de correr para ganhar qualquer coisa, ou para sair na frente e vencer. Necessidade premente de vencer sempre é mania, seja no futebol, no trânsito, no bate-boca...

E no meio dessa gama toda de desportistas corredores, há um tipo que ganha dos demais em velocidade, empenho e resistência. Refiro-me ao atleta consumidor em época de Natal, que sai em disparada rumo às compras. Desdobra-se nas pistas especialmente idealizadas para o conforto de quem sai desembestado atrás do preço mais baixo, da qualidade, da moda, da moda que manda comprar, comprar e comprar. É imprescindível presentear, deixar de lado o orgulho, dar asas à hipocrisia e confraternizar de verdade, para valer, com mimos adquiridos nas lojas cheias de lindas canções natalinas a embalar corações gastadores.

Momento sublime este de fim de ano em que, no ímpeto de consumir, o maratonista das compras é obrigado a engolir aquela desfeita ou a fofoca desferida contra a sua pessoa, que lhe vieram depositar no pé do ouvido, e que agora será momentaneamente esquecida. Afinal, está aberta a temporada de presentear e se presentear, ritual concebido unicamente para o culto ao sagrado ato de consumir, felicidade ímpar de quem vende.

É no débito? É no crédito? Em quantas vezes? À vista tem desconto! Pagar, pagar, levar, levar... Cartões, cartões, sacolas, muitas sacolas! Lindos embrulhos em meio a muitos enfeites e belas mensagens, enchendo de vigor a esperança de ver renovado ele, o amor entre as pessoas que devem gastar e gastar até não mais poder. Endividar-se, aliás, faz parte do ritual de compra. Alegria do mercado financeiro que, da mesma forma, é filho de Deus e merece sentir cheia a imensa barriga de apetite insaciável.

Fome que, aliás, é companheira nesses momentos de se meter a mão no bolso. E foi justamente pensando nela que se criou a tão aprazível praça de alimentação, lugar que ganhou notoriedade por ter perdido aquele ar bucólico, com bancos e árvores, em que outrora era comum se sentar para apreciar um bom sanduíche de mortadela com guaraná. Atualmente, contudo, é o templo da comilança do extenuado atleta consumidor, de mãos cheias e pança vazia. Desce um chopp, por favor! Aquela porção de fritas e hambúrgueres aos montes, também. Para mim uma pizza. Um filé me cai bem.

E o amigo secreto há de gostar, isso sim. Filhos, sobrinhos, marido, mulher, papai, mamãe, sogrinho, sogrinha... Todos, de sorrisos largos, já podem ser vislumbrados na mente do feliz presenteador.

Logicamente que o Natal passará e deixará suas marcas de suprema felicidade na vida do voraz comprador e sua esvaída conta bancária que não é motivo para desanimar o entusiasmado atleta que já pensa em começar os treinos para mais uma maratona, porque, afinal, ano que vem tem mais!

* Rodolfo de Souza nasceu e mora em Santo André. É professor e autor do blog cafeecronicas.wordpress.com

E-mail para esta coluna: souza.rodolfo@hotmail.com. 

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