Economia

Indústria se destaca na recuperação de emprego




A indústria do Grande ABC, mesmo afetada pela crise gerada pela pandemia de Covid-19, já começa a dar sinais de recuperação e a gerar empregos. Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), no primeiro trimestre deste ano a região foi responsável pela criação de 3.797 postos de trabalho formais. Deste total, a maioria foi na indústria da transformação, com 1.823 empregos. Como comparação, o setor de serviços, que hoje é o principal empregador nas sete cidades, gerou 688 vagas no mesmo período.

“A indústria enxugou fortemente (seus quadros) no ano passado, nos momentos de maior retração, mas a nossa região tem o perfil industrial muito importante, haja vista o quanto a recuperação de emprego foi responsabilidade da indústria”, disse o coordenador do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo, Sandro Maskio.

Recentemente, a alta na produção vem sendo notícia em grandes empresas, como na Prometeon, em Santo André, que contratou 150 trabalhadores para atuar na linha de pneus voltados ao agronegócio. A Mercedes-Benz, em São Bernardo, também iniciou o ano com 1.000 contratações temporárias.

“Mesmo com o fechamento do comércio, o e-commerce  trabalhou forte e houve aumento na demanda de produtos. No início da pandemia a indústria ficou receosa e houve paradas, mas agora a situação é outra. Também temos o agronegócio em alta, o que ajuda a alavancar toda a economia”, afirmou o diretor titular do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Diadema, Anuar Dequech Júnior.

“Desde 2013, a indústria vem enfrentando uma crise. Então as fábricas vinham se preparando para tentar melhorar os processos, produtos e pesquisas. Ou seja, já é sobrevivente deste tempo”, opinou o diretor titular do Ciesp de São Bernardo, Cláudio Barberini Junior.

Para o diretor do Ciesp Santo André, que responde por Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, Norberto Perrella, apesar do momento de insegurança, as contratações já são uma realidade. “É um cenário positivo, mas é de insegurança. Os níveis de produção continuam altos, mas para os próximos meses há uma incerteza com o comportamento da pandemia e o suprimento de matéria-prima (leia mais abaixo).” Ele contratou 70 funcionários em sua empresa nos últimos meses por causa do aumento de produção da eletrodomésticos da linha branca.

O coordenador do Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição, citou que a indústria possui um poder de alavancagem do crescimento econômico, além de contar com grande volume de investimento em inovação, pesquisa e desenvolvimento</CW>. 

“Por esta razão, mesmo que hoje a indústria não represente mais a maioria dos postos de trabalho da economia nacional e regional – no Grande ABC, comércio e serviços contabilizam mais de 60%, contra cerca de 25% a 30% da indústria, enquanto no fim da década de 1980 os percentuais eram os mesmos, só que em sentidos opostos – é fundamental a adoção de políticas regionais e nacionais que favoreçam a sobrevivência, crescimento e fortalecimento da indústria brasileira”, afirmou.

Setor pleiteia reformas e mudanças

O dólar alto e a falta de insumos se tornaram pedras no sapato dos empresários. Para melhorar estes e outros gargalos da produção, a indústria pleiteia a criação de uma política setorial, além da aprovação de reformas tributárias e administrativas.

“A indústria teve resiliência e importância muito grandes. Principalmente nestes tempos de pandemia. Para ela de fato começar a gerar riquezas é preciso que o governo faça as reformas tributárias e administrativas”, afirmou o diretor do Ciesp de São Bernardo, Cláudio Barberini Junior. 

As duas reformas são classificadas como importantes pelo setor, já que a primeira deve trazer a simplificação de impostos e a segunda, a atração de investimentos para o País. “Também não existe uma política industrial clara, somente um conjunto de diretrizes”, lembrou o diretor do Ciesp Diadema, Anuar Dequech Júnior.

“O dólar está alto e todo o insumo que vem de fora está supercaro. Mas essa também pode ser a oportunidade de voltar a produzir estes produtos aqui”, disse Barberini Júnior. 

“Precisamos recuperar o que perdemos e ser uma região atrativa para propiciar melhor ambiente de negócios para aqueles que estão aqui”, afirmou o diretor do Ciesp Santo André, Norberto Perrella.

EVENTO

A Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André), por meio da Academia de Negócios e Inovação, promoverá uma live sobre o Dia da Indústria, que é comemorado hoje. O evento on-line ocorre na quinta, às 17h, e irá discutir políticas públicas para reativar o parque industrial, necessidades e perspectivas futuras para o setor.

A transmissão será feita pelas plataformas digitais – Youtube.com/acisasa e Facebook.com/ACISA/live  – a mediação será do diretor da Acisa e secretário de Desenvolvimento e Geração de Emprego da Prefeitura de Santo André, Evandro Banzato. 

Também participarão o diretor de assuntos institucionais do Grupo Pirelli na América Latina. Mário Batista. O diretor do Ciesp de São Bernardo, Cláudio Barberini Junior, e o diretor do Ciesp Santo André, Norberto Perrella.

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