Fechar
Publicidade

Sexta-Feira, 28 de Janeiro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

cultura@dgabc.com.br | 4435-8364

Sentimentos na parede

Celso Luiz/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Grafiteiro da região cria mural de 30 metros que tem como inspiração expressões de índios


Karine Manchini

19/11/2017 | 07:00


 O dom veio desde cedo, enquanto rabiscava em seu caderno e na lousa da escola. Desde aquela época Edson Jesus da Silva, 47 anos, de Diadema, já sabia o que queria. Mais conhecido como Edinho, o artista plástico e muralista começou na carreira reproduzindo desenhos que passavam na televisão e copiando logos de suas bandas de rock favoritas dos anos 1980. Em 1989, entrou para o mundo do grafite e, desde então, sua profissão é fazer exposições, intervenções e decorações de espaços corporativos e particulares.

Recentemente criou o desenho Brasilidades, que tem tamanho de 30 metros de comprimento e quatro de altura, em que retrata índios, em muro na Rua Bilac, em Diadema. “Neste mural quis abordar o massacre e a discriminação. O interessante de pintar neste local é que antes havia letreiro de propaganda publicitária que, por motivos de leis municipais, foi apagado. Em seguida fui convidado pelo anunciante para fazer intervenção naquele espaço. Fiquei grato e aceitei.”

Antes de começar nesta arte, Edinho fazia pichações, mas não guarda boas lembranças da época. “Fiquei dois anos na pichação, fiquei e nunca ninguém me pegou, mas tive que correr muito de tiros e já fui roubado. Isso fez com que eu sentisse vontade de parar”. Partindo para o grafite, escolheu técnica específica para trabalhar em seus desenhos, gosta de pintar rostos e animais, como cachorros e gatos. Usa a stencil art, que consiste em colocar nos muros ilustração ou símbolo por meio de aplicação de tinta, corte ou perfuração em papel.

Os traços de Edinho estão espalhados pelo Brasil e pelo mundo. É possível encontrar sua arte em muros da Capital, Minas Gerais, Espírito Santo, Sergipe, Pernambuco e Rio de Janeiro. Além dos que estão expostos na Argentina, Itália, Estados Unidos e Espanha. “Atualmente estou usando muito preto de fundo, pois simboliza luto, revolta, ódio e vazio. Fico de luto quando índios e crianças são brutalmente assassinados. Mas uso cores, pois mesmo nessas situações surge esperança”, diz o artista, que completa: “Cada cor é uma pessoa representada. Mesmo no escuro, se quisermos nos unir, conseguimos. Não podemos ser individualistas, a união das cores é o amor ao próximo. Assim fazemos um mundo melhor”.

Segundo ele, ser artista no Brasil é difícil, principalmente nos últimos tempos em que grafites foram apagados em diversas cidades, principalmente na Capital, depois da ordem do prefeito João Doria (PSDB). Mesmo assim, considera a arte possível por aqui. “A tinta spray é muito cara, as importadas têm taxas abusivas. O poder público tirou grafites na Avenida 23 de Maio como se fossem uma coisa qualquer e sem nos consultar. Ali foi investido dinheiro do povo. Mas foi bom que ele (João Doria) voltou atrás depois da repercussão da mídia e protesto de alguns artistas”, explica.

Representando o Dia da Consciência Negra, Edinho está preparando mural na Av.São José, em Diadema. Para conferir trabalhos do artista, acesse o Instagram (@edinhostreet).



Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;