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Mostra em Diadema enfatiza litogravuras de Aldemir Martins


Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

02/05/2006 | 08:29


O legado do cearense Aldemir Martins para as artes plásticas será resgatado em tributo póstumo que faz jus à importância do homenageado. A partir das 19h de terça-feira e até o próximo dia 29, a Prefeitura de Diadema promove a exposição Memórias Gráficas, que reúne mais de 40 obras do artista, morto em 5 de fevereiro, aos 83 anos, vítima de enfarte. O evento, com entrada franca, será realizado no Centro Cultural Diadema (r. Graciosa, 300. Tel.: 4056-3366) e terá curadoria de Roberto Gyarfi, o Alemão, amigo de Aldemir e mestre na arte da impressão.

O material exposto é formado principalmente por litogravuras produzidas entre 1980 e 2005, além do vídeo Litogravura, a Pedra e a Arte, filmado pela Fundação Itaú Cultural, em 1992, que mostra as criações de Aldemir em parceria com Gyarfi, e painéis com mais de 50 fotos com matrizes em pedra calcárea utilizadas para impressão dessas mesmas gravuras. Estarão presentes suas principais obras, que se caracterizam por retratar o cotidiano nordestino, entre elas o Cangaceiro, as Rendeiras e o Bumba Meu Boi. Aldemir dedicou-se ainda a pintar, de forma exuberante, mulheres, frutas e partidas de futebol.

Reconhecido internacionalmente, foi o único sul-americano a receber o prêmio principal da Bienal de Veneza, em 1956. Em seu currículo, constavam ainda premiações e participações em mostras promovidas em Roma, Genebra, Nova York, Estocolmo e Tóquio. “É como ganhar o Oscar”, disse Aldemir ao Diário, em março de 2002, em entrevista concedida em seu ateliê, no Sumarezinho, em São Paulo. Na época, apesar da idade avançada, ainda mantinha a vitalidade e o entusiasmo pelo ofício.

No Brasil, também colecionou premiações, com destaque para o prêmio-aquisição para desenho, obtido na 1ª Bienal Internacional de São Paulo. A diversidade de estilos era uma característica marcante de suas produções, que podiam apresentar traços agressivos e fortes, como no Cangaceiro, e delicados, como em gravuras de pássaros e gatos.

A exposição ganha ainda mais relevância por ser a primeira após a morte do artista. Quando ainda estava vivo, ele foi homenageado com uma série de atividades, ao completar 80 anos. Uma delas, a mostra 80+20=100, ocorreu no Museu Barão de Mauá, e reunia 40 litogravuras de Alemão e integrantes da coleção do mestre impressor. O título do evento remetia à idade de Aldemir e às duas décadas de funcionamento do museu.

Autodidata, Alemão iniciou sua carreira ao lado de outros nomes conhecidos no universo das artes plásticas como Maria Bonomi, Rubens Gershman e do próprio Aldemir. Ele relata com saudade a relação pessoal e profissional que mantinha com o artista. “Era uma relação maravilhosa. Quando nos encontrávamos em seu ateliê ou mesmo no meu, onde fazíamos as gravações, era um momento de descontração e, normalmente, acompanhado por muitas pessoas e risadas. Aldemir foi uma pessoa muito inteligente, muito próxima, muito amiga. Trabalhar com ele era uma coisa muito light, natural. Ele era uma pessoa alegre e risonha”, afirma.

Na região - De acordo com Alemão, o evento tem relevância não apenas pela qualidade das litogravuras do homenageado, em sua opinião, um dos cinco maiores pintores do mundo, mas por propiciar ao público a chance de conhecer as relações do artista com a região, que se tornaram mais estreitas em 1999, com a instalação do ateliê de Alemão em São Bernardo. “Quando houve o convite para este trabalho sobre o Aldemir, levamos em conta que ele esteve presente na região durante alguns anos produzindo suas gravuras e participando desse trabalho coletivo. Assim, esta é uma forma de homenagear um artista que se interessou pelos sete municípios. Queremos mostrar o que ele produziu com jovens da região desenvolvendo esse trabalho e passando suas informações”.

Ainda segundo o mestre impressor, a vontade de desenvolver atividades e transmitir ensinamentos surgiu no final da década de 90. “Tudo começou quando estávamos expondo algumas gravuras em Santo André. Nessa mostra, ele conheceu Fernando Portela e Sheila Baião, que desenvolviam um trabalho muito intenso de triagem e reciclagem com adolescentes da cidade. Começamos a fazer um trabalho em que ele vinha várias vezes para cá. Dessas visitas nasceu a obra Acorda Amor, feita em 2000 em homenagem a entrada do milênio e ao Estatuto da Criança e do Adolescente. Depois disso, não paramos mais de trabalhar com jovens da região, que se tornaram ótimos artistas”.


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