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Zelito Viana e Avancini levaram Severino para o cinema e TV


Do Diário do Grande ABC

10/10/1999 | 14:57


Vinicius de Moraes foi o mais popular dos poetas brasileiros, mas nao foi por acaso que costumava ser chamado de poetinha. Era uma maneira carinhosa de reconhecer suas qualidades, mas dizer que ele nao era um dos maiores. A santíssima trindade da poesia brasileira é formada por Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e Joao Cabral de Melo Neto. Havia até laços familiares entre eles: Bandeira e Joao Cabral eram primos. O audiovisual brasileiro nao foi imune à grandeza de Joao Cabral. "Morte e Vida Severina" foi adaptado para cinema e TV. Em ambos, Severino era interpretado pelo mesmo ator, José Dumont.

Quem, melhor do que ele, para expressar na tela dura poesia de Joao Cabral, a face sofredora do nordestino? Joao Cabral era o primeiro a reconhecer que nao fazia poesia derramada em versos. "Para que perfumar a flor?", perguntava. Também nao queria ser eterno como o asfalto com seus poemas. Comparava sua poesia a um chao de pedras, que vence dificuldades. Foi assim que "Morte e Vida Severina" surgiu no cinema e na televisao.

O filme de Zelito Viana é dos anos 70, o especial de fim de ano da Globo, realizado por Walter Avancini, do começo dos anos 80. E há também um documentário sobre Joao Cabral, que o acompanha do Senegal às margens do Capibaribe - "Liames, o Mundo Espanhol de Joao Cabral do Melo Neto", dirigido por um primo do poeta, Carlos Henrique Maranhao, com paisagens e figuras de Andaluzia, da Catalunha e de Castela, intercaladas por cenas rodadas no interior de Pernambuco.

José Dumont, o Severino de Joao Cabral no cinema e na TV, disse que nunca foi um personagem do poema. Nao era um daqueles Severinos, mas um artista, "brasileiro", fazia a ressalva, que interpretava aquela realidade. O filme começa com uma encenaçao no palco, num estilo mambembe de teatrinho popular, de trechos do auto de Natal de Joao Cabral. Daí salta para o formato de documentário sobre o percurso do Capibaribe, da nascente até Recife, tendo ao fundo trechos de outro poema, "O Rio". E há um segundo documentário, todo formado por depoimentos de nordestinos que expressam diante da câmera a dificuldade, mas também a riqueza, de viver. Costurando tudo isso, José Dumont faz o Severino de Viana.

É um filme sério e honesto, mas nao bom. É prejudicado por graves problemas técnicos. O som é quase inaudível, uma crítica histórica que sempre se fez ao cinema brasileiro e, neste caso, é totalmente procedente. Perde-se a grandeza do texto. O especial de TV tem som perfeito e plasticidade impecável. Foi o primeiro especial que a Globo gravou em locaçoes. Quando se fala em Avancini como o papa da TV brasileira, é em obras como essa que se deve amparar para a afirmaçao.



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