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Auxiliar do Samu é acusado de abuso sexual


Adriana Gomes
Do Diário do Grande ABC

21/02/2006 | 07:40


Seria mais uma denúncia de abuso sexual registrado em delegacia da mulher se as circunstâncias não fossem um tanto incomuns. A recepcionista Júnia (nome fictício), 22 anos, moradora de Santo André, está empenhada desde sexta-feira a provar que um auxiliar de enfermagem do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e Emergência) a constrangeu sexualmente dentro da ambulância, em trajeto de aproximadamente 10 minutos, entre seu local de trabalho e o Hospital Doutor Cristóvão da Gama, na Vila Assunção, em Santo André. Os responsáveis pelo serviço da administração municipal abriram PA (procedimento administrativo) para apurar o caso.

O Samu foi acionado porque a recepcionista sofreu uma crise com características de convulsão logo após chegar ao trabalho, no início da manhã do dia 17. Segundo Júnia, o funcionário da Prefeitura Francisco Ferreira Dias Neto, idade desconhecida, levantou sua blusa e seu sutiã e então começou a apalpar e apertar os bicos dos seus seios, em atitude que descaracterizaria um exame clínico neste caso. Na seqüência, o auxiliar de enfermagem teria ainda apalpado a vagina da moça e, de acordo com ela, só não teria tirado a calça porque notou que Júnia estava menstruada e usava absorvente. Ela conta que tentava gritar, mas que a crise “fechou a garganta” e impedia que ela se manifestasse.

Ainda segundo o relato, o auxiliar de enfermagem teria desamarrado a paciente da maca, inclinado o equipamento (segundo ela, talvez com o intuito de esconder a ação do motorista do veículo), cometido o abuso e, ao se aproximar do hospital, voltado a vesti-la e fixá-la na maca. Antes de começar a série de carícias, Dias Neto teria confirmado por diversas vezes se Júnia estava inconsciente por meio de perguntas. “Ele pensou que eu não estava vendo nada. Mas eu estava completamente consciente, só não conseguia falar. Eu mexia os olhos, mas ele não entendia o sinal, acho que porque não é um médico, não é qualificado para atender a casos como este. Quando percebi o que ele tentava fazer, chorei e fiquei muito nervosa”, conta a recepcionista. Ela diz que sofre as crises desde a adolescência, mas que o problema estava sob controle há mais de um ano.

Acompanhante – Em conversa com o Diário, dois dos médicos responsáveis pelo serviço em Santo André – Rosa Maria Pinto de Aguiar e Aquiles Afonso Campagnaro, respectivamente diretora do Serviço de Urgência e Emergência de Santo André (que abrange o Samu) e coordenador médico do atendimento móvel –, questionam, entre outras coisas, o fato de a a irmã de Júnia, fisioterapeuta que estava no local de trabalho da irmã por ocasião da chegada da ambulância do Samu, não ter aceitado acompanhar a paciente dentro da ambulância. Segundo eles, é aconselhável tal acompanhamento para evitar esse tipo de questionamento posterior.

Beatriz (nome fictício), a irmã de Júnia que foi até o local de carro, disse que recebeu a sugestão de seguir a ambulância com seu veículo, e que em nenhum momento desconfiou que sua irmã enfrentaria uma situação como a relatada. Junto com os pais, o noivo, o noivo de Júnia e um amigo delegado, Beatriz formou uma força tarefa na última sexta, que incluiu a abertura do B.O. número 291/2006 na Delegacia da Mulher de Santo André – de atentado violento ao pudor – e uma visita ao Samu, de onde toda a família saiu com um protocolo de atendimento e a promessa de que o PA seria aberto para investigar o caso.

“O médico Aquiles justificou que todos os procedimentos do exame eram normais. Chegou a dizer que o ele (o auxiliar Dias Neto) tinha colocado a mão entre as pernas da minha irmã para verificar se ela tinha urinado e defecado por causa da convulsão. Mas ele não contava com o fato de eu ser profissional de saúde e saber que, se ela tivesse chegado nesse estágio de crise, estaria completamente molhada e suja. Quando isso acontece, todo mundo vê, não é preciso apalpar a roupa para saber se a pessoa está molhada. Estou convencida de que o exame foi exagerado”, diz Beatriz.

Segundo os médicos Rosa Aguiar e Aquiles Campagnaro, Dias Neto foi afastado porque “não tem condições psicológicas de continuar trabalhando após a denúncia, mas nega a acusação”. Quando conversou com a família, Campagnaro ainda não havia conversado com o auxiliar de enfermagem. Segundo o médico, Dias Neto ne-ga que tenha tirado o sutiã da recepcionista, apalpado seios e vagina ou tido qualquer comportamento de caráter erótico junto à paciente. “Em caso extremo, se ele tivesse apertado os bicos dos seios para provocar dor e testar o nível de inconsciência, estaria fazendo algo que se admite clinicamente. Mas ele afirma que não fez isso. Conta que apenas friccionou o esterno (osso entre os seios) e se lembra que, com isso, ela abriu os olhos”, conta Campagnaro. “A conversa com o Francisco (Dias Neto) foi informal. Vamos ouvi-lo formalmente durante o processo, assim como o motorista e outros envolvidos no atendimento. Ele, até hoje, se mostrou ótimo funcionário, mas nosso objetivo não é protegê-lo, e sim proteger o serviço”, afirma Rosa Campagnaro.



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Auxiliar do Samu é acusado de abuso sexual

Adriana Gomes
Do Diário do Grande ABC

21/02/2006 | 07:40


Seria mais uma denúncia de abuso sexual registrado em delegacia da mulher se as circunstâncias não fossem um tanto incomuns. A recepcionista Júnia (nome fictício), 22 anos, moradora de Santo André, está empenhada desde sexta-feira a provar que um auxiliar de enfermagem do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e Emergência) a constrangeu sexualmente dentro da ambulância, em trajeto de aproximadamente 10 minutos, entre seu local de trabalho e o Hospital Doutor Cristóvão da Gama, na Vila Assunção, em Santo André. Os responsáveis pelo serviço da administração municipal abriram PA (procedimento administrativo) para apurar o caso.

O Samu foi acionado porque a recepcionista sofreu uma crise com características de convulsão logo após chegar ao trabalho, no início da manhã do dia 17. Segundo Júnia, o funcionário da Prefeitura Francisco Ferreira Dias Neto, idade desconhecida, levantou sua blusa e seu sutiã e então começou a apalpar e apertar os bicos dos seus seios, em atitude que descaracterizaria um exame clínico neste caso. Na seqüência, o auxiliar de enfermagem teria ainda apalpado a vagina da moça e, de acordo com ela, só não teria tirado a calça porque notou que Júnia estava menstruada e usava absorvente. Ela conta que tentava gritar, mas que a crise “fechou a garganta” e impedia que ela se manifestasse.

Ainda segundo o relato, o auxiliar de enfermagem teria desamarrado a paciente da maca, inclinado o equipamento (segundo ela, talvez com o intuito de esconder a ação do motorista do veículo), cometido o abuso e, ao se aproximar do hospital, voltado a vesti-la e fixá-la na maca. Antes de começar a série de carícias, Dias Neto teria confirmado por diversas vezes se Júnia estava inconsciente por meio de perguntas. “Ele pensou que eu não estava vendo nada. Mas eu estava completamente consciente, só não conseguia falar. Eu mexia os olhos, mas ele não entendia o sinal, acho que porque não é um médico, não é qualificado para atender a casos como este. Quando percebi o que ele tentava fazer, chorei e fiquei muito nervosa”, conta a recepcionista. Ela diz que sofre as crises desde a adolescência, mas que o problema estava sob controle há mais de um ano.

Acompanhante – Em conversa com o Diário, dois dos médicos responsáveis pelo serviço em Santo André – Rosa Maria Pinto de Aguiar e Aquiles Afonso Campagnaro, respectivamente diretora do Serviço de Urgência e Emergência de Santo André (que abrange o Samu) e coordenador médico do atendimento móvel –, questionam, entre outras coisas, o fato de a a irmã de Júnia, fisioterapeuta que estava no local de trabalho da irmã por ocasião da chegada da ambulância do Samu, não ter aceitado acompanhar a paciente dentro da ambulância. Segundo eles, é aconselhável tal acompanhamento para evitar esse tipo de questionamento posterior.

Beatriz (nome fictício), a irmã de Júnia que foi até o local de carro, disse que recebeu a sugestão de seguir a ambulância com seu veículo, e que em nenhum momento desconfiou que sua irmã enfrentaria uma situação como a relatada. Junto com os pais, o noivo, o noivo de Júnia e um amigo delegado, Beatriz formou uma força tarefa na última sexta, que incluiu a abertura do B.O. número 291/2006 na Delegacia da Mulher de Santo André – de atentado violento ao pudor – e uma visita ao Samu, de onde toda a família saiu com um protocolo de atendimento e a promessa de que o PA seria aberto para investigar o caso.

“O médico Aquiles justificou que todos os procedimentos do exame eram normais. Chegou a dizer que o ele (o auxiliar Dias Neto) tinha colocado a mão entre as pernas da minha irmã para verificar se ela tinha urinado e defecado por causa da convulsão. Mas ele não contava com o fato de eu ser profissional de saúde e saber que, se ela tivesse chegado nesse estágio de crise, estaria completamente molhada e suja. Quando isso acontece, todo mundo vê, não é preciso apalpar a roupa para saber se a pessoa está molhada. Estou convencida de que o exame foi exagerado”, diz Beatriz.

Segundo os médicos Rosa Aguiar e Aquiles Campagnaro, Dias Neto foi afastado porque “não tem condições psicológicas de continuar trabalhando após a denúncia, mas nega a acusação”. Quando conversou com a família, Campagnaro ainda não havia conversado com o auxiliar de enfermagem. Segundo o médico, Dias Neto ne-ga que tenha tirado o sutiã da recepcionista, apalpado seios e vagina ou tido qualquer comportamento de caráter erótico junto à paciente. “Em caso extremo, se ele tivesse apertado os bicos dos seios para provocar dor e testar o nível de inconsciência, estaria fazendo algo que se admite clinicamente. Mas ele afirma que não fez isso. Conta que apenas friccionou o esterno (osso entre os seios) e se lembra que, com isso, ela abriu os olhos”, conta Campagnaro. “A conversa com o Francisco (Dias Neto) foi informal. Vamos ouvi-lo formalmente durante o processo, assim como o motorista e outros envolvidos no atendimento. Ele, até hoje, se mostrou ótimo funcionário, mas nosso objetivo não é protegê-lo, e sim proteger o serviço”, afirma Rosa Campagnaro.

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