Fechar
Publicidade

Quinta-Feira, 27 de Janeiro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

cultura@dgabc.com.br | 4435-8364

Quinteto de Fagotes, de Bach a Charlie Parker



22/10/2017 | 07:00


Saí do concerto de segunda-feira, dia 16, no auditório do Masp com um sentimento contraditório. Foi, de fato, uma noite de música de qualidade, combinada com uma exposição de Sérgio Molina sobre a relação entre a Composição com Fundo Amarelo e Vermelho, de Alexander Calder, e o repertório proposto pelo quinteto de Fagotes da Osesp, um enorme arco histórico indo de Bach a Charlie Parker, passando por Piazzolla, Bernstein e as sete deliciosas "gravuras sonoras" de Roberto Sion intituladas Quadros da Pinacoteca.

Como as três figuras em preto - e também o alvo peixinho - parecem dançar sobre o fundo amarelo e vermelho na tela de Calder, tudo parecia bem "costurado". Ou melhor, quase tudo. Fiquei esperando - e creio que também o bom público presente - a projeção, que não aconteceu, das sete gravuras com as quais Sion interagiu para criar as peças. Teria sido maravilhoso contemplá-las enquanto ouvíamos a música. Por exemplo, Carnaval em Madureira, de Tarsila do Amaral, teria iluminado o maxixe que brinca com a ambiguidade tonal/atonal proposta por Sion.

Em todo caso, a formação de quatro fagotes e contrafagote encontrou nos músicos da Osesp intérpretes ideais para mostrarem todos os recursos desse instrumento tão exótico e ao mesmo tempo tão bem-humorado. Os melhores momentos ficaram, sem dúvida, com o ótimo arranjo de Romeu Rabelo para a abertura do musical Wonderful Town de Leonard Bernstein (com direito a show numa das criações mais originais do maestro compositor, Wrong Note Rag). Uma gema de 5 minutos, tão fulgurante quanto o arranjo de Alexandre Silvério para o clássico do bebop Donna Lee, de Charlie Bird Parker.

Quem se encantou com as duas performances finais do grupo deve ouvir imediatamente o CD Entre Mundos (2015), puro jazz com muito improviso e composições instigantes com o Alexandre Silvério Quinteto.

Apesar de tudo isso, saí daquele auditório de tantas noitadas memoráveis de música contemporânea em décadas passadas com a sensação de que se perdeu uma chance raríssima de mostrar efetivamente a relação entre Calder e a música. Afinal, o criador dos móbiles que tanto influenciaram a arte atual, incluindo o nosso genial Hélio Oiticica com seus parangolés, foi parceiro do compositor norte-americano Earle Brown (1926-2002) em ao menos um projeto fundamental no itinerário contemporâneo das relações entre o visual e o sonoro. Aconteceu em 1963. Calder criou uma escultura móbile em tamanho grande intitulada Chef d?orchestre" ou maestro; Brown, o parceiro menos conhecido de três nomes mais famosos (John Cage, Morton Feldman e Christian Wolff), criou Calder Piece, obra aberta em que quatro percussionistas são "regidos" pelo móbile. Composta há 54 anos, permanece inédita no Brasil. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;