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Céu de brigadeiro


Rodolfo de Souza

02/05/2021 | 00:01


Apesar de ouvir de muita gente que a floresta pede socorro, tenho comigo que a realidade não é bem essa. É incontestável logicamente que a grande mata sucumbe à motosserra, que tomba a cada dia ao sabor do enriquecimento do bicho-homem que fatura alto vendendo sua madeira e fomentando o crime. Disso não é possível discordar. Mesmo porque, a mídia não nos deixa esquecer ao apontar quase que diariamente os dados alarmantes acerca do desmatamento. A mesma mídia que também detalha a ação dos grileiros, garimpeiros e demais pragas devoradoras de florestas, que atuam com desenvoltura à luz do dia, sem que sejam incomodadas. Para elas, de fato, não há pesticida, somente apoio.

No entanto, a despeito dos relatos preocupantes, algo me diz que a natureza deste vasto País aguarda pacientemente. Aliás, esta minha inquietação sinaliza que a natureza em todo o planeta se manifesta da mesma forma. Portanto, mesmo que as notícias apontem noutra direção, insisto que ela só espera e observa. Paradoxo dos paradoxos isso de ter a consciência do verde que perde o viço, cedendo espaço para o cinza, e ainda acreditar numa reviravolta de tudo. Entretanto, essa minha impressão é involuntária e ganha força a cada dia, mesmo ao ver o avanço da devastação criada e gerida pela estupidez humana. É flora e fauna sendo dizimadas para levar felicidade a uns poucos, em detrimento da sobrevivência dos demais, que já se preocupam com o preço a ser pago por essa aventura insana. 

Técnicos no assunto alertam que o garboso Estado de São Paulo já vive a escassez de chuva por causa do desmatamento da Amazônia. E isso é só um sintoma da gravidade da questão. Revelam também que outros países daqui deste continente esquecido já sofrem do mesmo mal. Trocando em miúdos, alteração climática, desequilíbrio do bioma, extinção de espécies animais, propagação de vírus nos dão uma ideia do que vem por aí.

Mas o planeta segue, distraído, o seu curso. Dorme seu sono sideral e sonha com o dia em que se livrará do carrapato que lhe suga o sangue desde que chegou a este fascinante plano terrestre. Mas Gaia, em sua infinita bondade, ainda volta o olhar penalizado para os povos, que certamente acabarão por encontrar o caminho do extermínio, caso continuem marcando o passo no mesmo ritmo dos dias atuais. Parece até que lhe serve de consolo esperar pelo momento em que o sossego voltará e lhe permitirá se reflorestar e se povoar de tudo o que é bom. 

Tudo bem, reconheço que soa meio poética essa visão! Pode ser até que o caríssimo leitor, meio sem paciência para divagações do tipo, encerre sua leitura no meio do texto e passe logo para a página de esportes. Talvez chegue mesmo a considerar exageradamente fértil a minha imaginação, uma forma de alento para conter a revolta de quem ama sobremaneira a natureza. 

O ataque à grande floresta, que divide com a peste o protagonismo das manchetes atuais, me causa, sim, grande aflição. A imprensa, com sua voz vigorosa, retumba o seu descontentamento com a ação do homem que bota por terra as chances de sobrevivência de todas as espécies, inclusive, a sua. E ainda completa, revelando o que todos sabem de longa data: a falta de vontade política para se resolver um problema altamente lucrativo para quem está no poder.



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