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Homens gays ainda não podem doar sangue nos hemocentros da região

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Apesar da liberação pelo STF, Ministério da Saúde e Anvisa orientaram laboratórios a não cumprirem a decisão até a ‘conclusão total’ do caso


Yasmin Assagra
Do Diário do Grande ABC

14/06/2020 | 07:00


O Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado hoje, poderia ter também uma comemoração pelo fim do preconceito. Há um mês, o STF (Supremos Tribunal Federal) declarou inconstitucional a regra que prevê abstinência sexual de 12 meses para “homens que se relacionam com homens poderem doar sangue”, conforme portarias do Ministério da Saúde e da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). No entanto, mesmo com muitos hemocentros apresentando estoques baixos de doações em meio à pandemia causada pelo novo coronavírus, parte da população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) ainda não pode contribuir com a causa, inclusive nas unidades do Grande ABC - dois pontos em Santo André, um em São Bernardo e outro em São Caetano.

Segundo a Colsan (Associação Beneficente de Coleta de Sangue), responsável pelos pontos de coleta na região, a medida ainda não foi autorizado por orientação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A pasta enviou um ofício, em maio, reforçado pelo Ministério da Saúde, no qual orienta todos os laboratórios a não cumprirem esta decisão até a “conclusão total” do caso, cujo acordão ainda não foi publicado.

O assessor da Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Bernardo, Léo Paulino Barbosa, comenta que a decisão já deveria ser válida desde a publicação pelo STF, e que os posicionamentos do Ministério da Saúde e da Anvisa descumprem a decisão judicial. “No caso, é necessário que a Anvisa obedeça essa decisão que já foi estabelecida. Na minha opinião, acaba excluindo uma parte da população sem motivo nenhum, visto que, todos os exames acabam sendo feitos no sangue antes de ir para doação de quem necessita”, lamenta Barbosa. 

As tratativas ainda seguem no STF. Um novo recurso foi enviado direto à pasta, solicitando que a Anvisa acate, imediatamente, a decisão. “Infelizmente, os direitos LGTBs são os últimos a serem acolhidos. E quando existe oportunidades como essa, é preciso ir atrás e não desistir, pois, além disso, as doações iriam complementar todos os bancos de sangue”, completa o assessor. Na prática, a decisão se estende também para homens gays, bissexuais e mulheres transexuais. 

O presidente de honra da ONG ABCDS (Ação Brotar pela Cidadania e Diversidade Sexual), Marcelo Gil, comenta que tenta doar sangue na região há pelo menos dez anos, mas acredita que este direito ainda vai demorar para ser exercido. “Chega uma hora que você cansa de ser barrado, questionado. É muito difícil, pois hoje, infelizmente, ainda não somos vistos e reconhecidos, o que chega a ser assustador em vista do poder público”, declara Gil. 

O ativista ainda observa que, se fosse possível, muitas pessoas a mais poderiam ser ajudadas. “Imagina o quanto a gente pode ajudar? As próprias entidades dificultam o nosso acesso para este auxílio e ainda acho que este cenário vai demorar muito para acabar. Se um dia tivermos esta oportunidade, seria excelente, faríamos campanha de doações, tudo em prol da população. É sangue bom e pronto para ajudar muitas pessoas”, avalia Marcelo Gil. 

Questionada pelo Diário, a Anvisa informou, por meio de nota, que já iniciou o procedimento para cumprir a decisão judicial do STF desde a ciência oficial sobre o tema.

Bancos contam com estoque para apenas dez dias

De acordo com levantamento da Colsan (Associação Beneficente de Coleta de Sangue) a pedido do Diário, os quatro bancos de sangue do Grande ABC – dois em Santo André, um em São Bernardo e outro em São Caetano</CW> –, juntos, estão com estoque para atender apenas dez dias da demanda, onde o ideal seria para os próximos 20.

Segundo a associação, a baixa adesão nas doações é causada pela pandemia do novo coronavírus. Mesmo que os laboratórios tomem todo o cuidado necessário para evitar qualquer tipo de contaminação, as pessoas ainda sentem muito receio de doar e acessar os hemocentros.

Em maio, a meta dos laboratórios da região era de 7.000 bolsas coletadas, mas foi alcançado apenas 65% deste total, com 4.375 unidades. Já em junho, até quarta-feira, a coleta foi apenas de 1.500 bolsas.

Os postos de coleta do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, e o Hemocentro de São Bernardo, são os locais com um pouco mais de adesão. Já na unidade da Colsan no bairro Oswaldo Cruz, em São Caetano, as doações diminuíram significativamente. 

“Quando começou a pandemia, entre março e abril, ainda teve muitas pessoas doando, mas depois, foi diminuindo o movimento. Acredito que as pessoas ficam com medo de sair de casa e ir até os hemocentros. Nós já estávamos trabalhando no limite, agora ficou mais difícil”, detalha Solange Rios, gerente administrativa da regional do Grande ABC da Colsan.

A alternativa para suprir a necessidade é recorrer aos doadores fidelizados. “Tentamos ligar para os familiares de pacientes que seguem internados e para pessoas que já costumam fazer as doações de sangue. Antes da pandemia, contávamos com a parceria de escolas e faculdades, mas, infelizmente, perdemos o contato pela quarentena”, ressalta Solange. 

Os horários e endereços dos postos para doações de sangue, estão disponíveis pelo site www.colsan.org.br/site/doador/locais-para-doacao-de-sangue. A Colsan explica que os laboratórios são higienizados a cada entrada de doador, respeitando o distanciamento. É obrigatório o uso de máscaras nas unidades.



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Homens gays ainda não podem doar sangue nos hemocentros da região

Apesar da liberação pelo STF, Ministério da Saúde e Anvisa orientaram laboratórios a não cumprirem a decisão até a ‘conclusão total’ do caso

Yasmin Assagra
Do Diário do Grande ABC

14/06/2020 | 07:00


O Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado hoje, poderia ter também uma comemoração pelo fim do preconceito. Há um mês, o STF (Supremos Tribunal Federal) declarou inconstitucional a regra que prevê abstinência sexual de 12 meses para “homens que se relacionam com homens poderem doar sangue”, conforme portarias do Ministério da Saúde e da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). No entanto, mesmo com muitos hemocentros apresentando estoques baixos de doações em meio à pandemia causada pelo novo coronavírus, parte da população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) ainda não pode contribuir com a causa, inclusive nas unidades do Grande ABC - dois pontos em Santo André, um em São Bernardo e outro em São Caetano.

Segundo a Colsan (Associação Beneficente de Coleta de Sangue), responsável pelos pontos de coleta na região, a medida ainda não foi autorizado por orientação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A pasta enviou um ofício, em maio, reforçado pelo Ministério da Saúde, no qual orienta todos os laboratórios a não cumprirem esta decisão até a “conclusão total” do caso, cujo acordão ainda não foi publicado.

O assessor da Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Bernardo, Léo Paulino Barbosa, comenta que a decisão já deveria ser válida desde a publicação pelo STF, e que os posicionamentos do Ministério da Saúde e da Anvisa descumprem a decisão judicial. “No caso, é necessário que a Anvisa obedeça essa decisão que já foi estabelecida. Na minha opinião, acaba excluindo uma parte da população sem motivo nenhum, visto que, todos os exames acabam sendo feitos no sangue antes de ir para doação de quem necessita”, lamenta Barbosa. 

As tratativas ainda seguem no STF. Um novo recurso foi enviado direto à pasta, solicitando que a Anvisa acate, imediatamente, a decisão. “Infelizmente, os direitos LGTBs são os últimos a serem acolhidos. E quando existe oportunidades como essa, é preciso ir atrás e não desistir, pois, além disso, as doações iriam complementar todos os bancos de sangue”, completa o assessor. Na prática, a decisão se estende também para homens gays, bissexuais e mulheres transexuais. 

O presidente de honra da ONG ABCDS (Ação Brotar pela Cidadania e Diversidade Sexual), Marcelo Gil, comenta que tenta doar sangue na região há pelo menos dez anos, mas acredita que este direito ainda vai demorar para ser exercido. “Chega uma hora que você cansa de ser barrado, questionado. É muito difícil, pois hoje, infelizmente, ainda não somos vistos e reconhecidos, o que chega a ser assustador em vista do poder público”, declara Gil. 

O ativista ainda observa que, se fosse possível, muitas pessoas a mais poderiam ser ajudadas. “Imagina o quanto a gente pode ajudar? As próprias entidades dificultam o nosso acesso para este auxílio e ainda acho que este cenário vai demorar muito para acabar. Se um dia tivermos esta oportunidade, seria excelente, faríamos campanha de doações, tudo em prol da população. É sangue bom e pronto para ajudar muitas pessoas”, avalia Marcelo Gil. 

Questionada pelo Diário, a Anvisa informou, por meio de nota, que já iniciou o procedimento para cumprir a decisão judicial do STF desde a ciência oficial sobre o tema.

Bancos contam com estoque para apenas dez dias

De acordo com levantamento da Colsan (Associação Beneficente de Coleta de Sangue) a pedido do Diário, os quatro bancos de sangue do Grande ABC – dois em Santo André, um em São Bernardo e outro em São Caetano</CW> –, juntos, estão com estoque para atender apenas dez dias da demanda, onde o ideal seria para os próximos 20.

Segundo a associação, a baixa adesão nas doações é causada pela pandemia do novo coronavírus. Mesmo que os laboratórios tomem todo o cuidado necessário para evitar qualquer tipo de contaminação, as pessoas ainda sentem muito receio de doar e acessar os hemocentros.

Em maio, a meta dos laboratórios da região era de 7.000 bolsas coletadas, mas foi alcançado apenas 65% deste total, com 4.375 unidades. Já em junho, até quarta-feira, a coleta foi apenas de 1.500 bolsas.

Os postos de coleta do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, e o Hemocentro de São Bernardo, são os locais com um pouco mais de adesão. Já na unidade da Colsan no bairro Oswaldo Cruz, em São Caetano, as doações diminuíram significativamente. 

“Quando começou a pandemia, entre março e abril, ainda teve muitas pessoas doando, mas depois, foi diminuindo o movimento. Acredito que as pessoas ficam com medo de sair de casa e ir até os hemocentros. Nós já estávamos trabalhando no limite, agora ficou mais difícil”, detalha Solange Rios, gerente administrativa da regional do Grande ABC da Colsan.

A alternativa para suprir a necessidade é recorrer aos doadores fidelizados. “Tentamos ligar para os familiares de pacientes que seguem internados e para pessoas que já costumam fazer as doações de sangue. Antes da pandemia, contávamos com a parceria de escolas e faculdades, mas, infelizmente, perdemos o contato pela quarentena”, ressalta Solange. 

Os horários e endereços dos postos para doações de sangue, estão disponíveis pelo site www.colsan.org.br/site/doador/locais-para-doacao-de-sangue. A Colsan explica que os laboratórios são higienizados a cada entrada de doador, respeitando o distanciamento. É obrigatório o uso de máscaras nas unidades.

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