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Contratar empregada doméstica é desafio


Paula Cabrera
Do Diário do Grande ABC

07/09/2010 | 07:02


Com a economia em expansão e indústria, comercio e serviços a todo vapor, está mais difícil encontrar profissionais para trabalhar em casa, como domésticas, diaristas e babás.

Mesmo oferecendo salários acima da média, a espera pode ser longa e levar até seis meses para a contratação. Segundo agências de emprego do segmento a situação ainda pode se agravar nos próximos anos.

"Essa é uma tendência do mercado, que está mais enxuto de profissionais. Nos últimos quatro anos está mais complicado encontrar domésticas, babás, cozinheiras, diaristas. Ficou fácil (para essas profissionais) fazer uma qualificação e buscar colocação na área administrativa. Elas fazem isso até porque não são muito protegidas pela lei. Mas também há muitas que não querem mais trabalhar. Elas estão exigentes, pedindo salários maiores, mesmo as que têm qualificação menor", aponta Daniela Chaves, sócia da agência de empregos Veritas, especializada no setor.

Com a falta de mão de obra no segmento e a dificuldade na renovação dos profissionais, o salário pedido, em média, está em R$ 750 para trabalhar de segunda a sexta-feira como doméstica. Uma diarista não sai de casa por menos de R$ 70. E, se houver interesse que o funcionário durma na residência do patrão, o valor mensal vai a R$ 1.200, mas a espera é longa. "Tenho 15 casais esperando alguém com essa disposição. Esta é nossa maior dificuldade, profissionais que durmam no emprego", atesta Daniela.

No entanto, a Capital tem pago mais para esses profissionais, o que dificulta a contratação no Grande ABC. A pedagoga de Santo André Dalva Ramos está há cinco meses sem doméstica porque não consegue encontrar ninguém com recomendações de empregos anteriores. "Estou contando com a ajuda da minha mãe e de uma diarista no período, mas, ainda assim, está muito complicado", afirma.

Para diminuir o prazo de espera, é cada vez maior o número de pessoas que recorre ao auxílio de uma agência de empregos. Com a contratação do serviço, o tempo de espera cai para, no máximo, duas semanas.

"Temos candidatas de 20 até 50 anos, mas se (as contratantes) colocam muitas exigências, demora um pouco mais", explica Ivani Leme de Camargo, selecionadora da Ápice Seleção de Pessoal, também especialista no segmento.

O cliente receberá, em casa, as candidatas indicadas pela agência, já com cartas de recomendação. O serviço custa, em média 100% do valor do primeiro salário pago ao profissional contratado. "Paga-se o valor uma única vez, no ato da contratação e há o direto de reposição da vaga até 60 dias", argumenta Ivani.

FUTURO
Sem renovação do mercado de trabalho, as perspectivas não são animadoras para a contratação de profissionais para trabalhar em casa, mas especialistas avaliam que ainda vai demorar para o Brasil atingir a posição de países como Estados Unidos ou Canadá, que optam por mão de obra estrangeira ou recorrem a salários altíssimos para conseguir repor as vagas.

Sindicato diz que 40% das empregadas são informais
Atualmente há cerca de 6,6 milhões de profissionais que, além das dificuldades diárias da profissão de empregado doméstico, trabalham sem registro. Atualmente, cerca de 40% não possuem direito à benefícios como INSS, FGTS, férias e 13º salário.

"Esse número vem diminuindo bastante. Mas o que acontece é que algumas profissionais não conhecem seus direitos e têm a ilusão de que com a diária ganhariam mais, o que não é verdade porque ela abre mão de férias, 13° salário, registro em carteira, INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), auxílio-doença e licença-maternidade", aponta a presidente do Sindoméstica (Sindicato das Empregadas e Trabalhadores Domésticos da Grande São Paulo), Eliana Menezes.

Segundo a sindicalista, a situação na profissão começou a mudar em 2007, quando foi aprovado o registro para as funcionárias e melhorou neste ano, com lei que obriga patrões a registrarem também diaristas se elas cumprem três dias de jornada na mesma casa. "Quando elas chegam no sindicato e são informadas dos direitos conquistados graças a muita luta, mudam de ideia e entendem que é melhor ser mensalista com carteira assinada ou mesmo diarista, mas com registro", atesta. Eliana acrescenta: "Elas estão mais exigentes quanto ao salário justo: no mínimo piso de R$ 560 e o respeito aos seus direitos adquiridos. No futuro o empregador vai ter que se acostumando com essa nova profissional, ciente de seus deveres e de seus direitos", completa.



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