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Bispo do Rosário ganha peça em São Paulo


Mauro Fernando
Do Diário do Grande ABC

18/04/2003 | 16:16


Arthur Bispo do Rosário (1909-1989), negro e sergipano: louco ou artista plástico? Ou ambos? A resposta – se é que existe uma verdade absoluta – está em Bispo, peça que estréia neste sábado no Sesc Belenzinho, em São Paulo. João Miguel, com a ajuda do diretor Edgard Navarro, assume a tarefa de entrar em cena sozinho e dar vida às preocupações e aspirações de Rosário.

Já vivendo no Rio, ex-boxeador e ex-marinheiro, Rosário falou em 1938 ter tido uma visão de Jesus Cristo. No ano seguinte foi internado na Colônia Juliano Moreira, com o diagnóstico de esquizofrenia e um prognóstico nada animador – morreu lá. Sua obra, consideradas as circunstâncias em que foi edificada, é instigante ao ponto de ter sido reconhecida no exterior.

O trabalho de construção do personagem levou em conta não só as palavras de Rosário, mas também as memórias do ator. “Para não cair na caricatura do louco, estabeleci uma conexão com a minha memória”, diz Miguel. O misticismo de Rosário é um dos aspectos que o espetáculo aborda. “Bispo foi um homem que não abriu mão de suas convicções. Assim, fazemos uma ponte com a lucidez, não com a loucura. Acredito na lucidez da obra dele”, afirma.

Além disso, a montagem questiona “a catalogação de Bispo como louco”. “A sociedade vive de catalogar as pessoas, mas a obra dele, que tem uma ordem própria, transcende qualquer catalogação. Não é possível estar em crise o tempo todo e produzir aquilo tudo. O espetáculo, porém, não impõe uma visão”, diz Miguel. Dessa forma, Bispo fornece ao público a possibilidade da opinião.

O ator frisa, ainda, que a peça não é biográfica “ao pé da letra”: “A preocupação é com um conteúdo instigante, não pedagógico”. Apesar de a obra de Rosário “dar um nó na cabeça de muita gente”, Miguel relegou o didatismo em nome da arte. O roteiro escarnece da linearidade biográfica.

Foram mais de quatro anos até o baiano Miguel se dar por satisfeito com a pesquisa: “Fiz inúmeras visitas a um hospital psiquiátrico em Salvador e até ensaios abertos nele. Esses encontros com internos foram muito importantes, assim como o contato com a obra de Bispo, quando tive um impacto muito forte”. Miguel está há dois anos na estrada, e já viajou do Acre ao Rio Grande do Sul.

Bispo – Monólogo. Concepção, dramaturgia e atuação de João Miguel. Direção de Edgard Navarro. Sábados e domingos, às 20h30. No Sesc Belenzinho – av. Álvaro Ramos, 915, São Paulo. Tel.: 6602-3700. Ingr.: R$ 7,50 a R$ 15. Até 25 de maio.



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Bispo do Rosário ganha peça em São Paulo

Mauro Fernando
Do Diário do Grande ABC

18/04/2003 | 16:16


Arthur Bispo do Rosário (1909-1989), negro e sergipano: louco ou artista plástico? Ou ambos? A resposta – se é que existe uma verdade absoluta – está em Bispo, peça que estréia neste sábado no Sesc Belenzinho, em São Paulo. João Miguel, com a ajuda do diretor Edgard Navarro, assume a tarefa de entrar em cena sozinho e dar vida às preocupações e aspirações de Rosário.

Já vivendo no Rio, ex-boxeador e ex-marinheiro, Rosário falou em 1938 ter tido uma visão de Jesus Cristo. No ano seguinte foi internado na Colônia Juliano Moreira, com o diagnóstico de esquizofrenia e um prognóstico nada animador – morreu lá. Sua obra, consideradas as circunstâncias em que foi edificada, é instigante ao ponto de ter sido reconhecida no exterior.

O trabalho de construção do personagem levou em conta não só as palavras de Rosário, mas também as memórias do ator. “Para não cair na caricatura do louco, estabeleci uma conexão com a minha memória”, diz Miguel. O misticismo de Rosário é um dos aspectos que o espetáculo aborda. “Bispo foi um homem que não abriu mão de suas convicções. Assim, fazemos uma ponte com a lucidez, não com a loucura. Acredito na lucidez da obra dele”, afirma.

Além disso, a montagem questiona “a catalogação de Bispo como louco”. “A sociedade vive de catalogar as pessoas, mas a obra dele, que tem uma ordem própria, transcende qualquer catalogação. Não é possível estar em crise o tempo todo e produzir aquilo tudo. O espetáculo, porém, não impõe uma visão”, diz Miguel. Dessa forma, Bispo fornece ao público a possibilidade da opinião.

O ator frisa, ainda, que a peça não é biográfica “ao pé da letra”: “A preocupação é com um conteúdo instigante, não pedagógico”. Apesar de a obra de Rosário “dar um nó na cabeça de muita gente”, Miguel relegou o didatismo em nome da arte. O roteiro escarnece da linearidade biográfica.

Foram mais de quatro anos até o baiano Miguel se dar por satisfeito com a pesquisa: “Fiz inúmeras visitas a um hospital psiquiátrico em Salvador e até ensaios abertos nele. Esses encontros com internos foram muito importantes, assim como o contato com a obra de Bispo, quando tive um impacto muito forte”. Miguel está há dois anos na estrada, e já viajou do Acre ao Rio Grande do Sul.

Bispo – Monólogo. Concepção, dramaturgia e atuação de João Miguel. Direção de Edgard Navarro. Sábados e domingos, às 20h30. No Sesc Belenzinho – av. Álvaro Ramos, 915, São Paulo. Tel.: 6602-3700. Ingr.: R$ 7,50 a R$ 15. Até 25 de maio.

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