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Covid-19 e o drama do trabalhador. Completa-se uma trilogia


Ademir Medici

06/10/2021 | 05:34


Remígio Todeschini, o Remi, pesquisador da Universidade de Brasília com raízes na região - foi presidente do Sindicato dos Químicos do ABC e superintendente do Instituto de Previdência de Santo André – completa com este livro uma trilogia não planejada iniciada pelo sociólogo Luiz Pereira nos anos 60 e seguida pelo advogado Antonio Possidonio a partir do final dos anos 70 e continuada até 2005.

Os três autores dão voz ao trabalhador do Grande ABC em diferentes momentos: Pereira focalizando o sistema educacional numa área operária, Possidonio ouvindo os metalúgicos que entre anos 70 e 80 colocaram a região no mapa social do Brasil e Todeschini mostrando mais um drama vivido pela categoria química e petroquímica vítima da Covid-19 em pleno ambiente de trabalho.

Remi possui um histórico de pesquisa voltado à saúde e segurança no trabalho desde os tempos em que denunciava problemas de insalubridade e envenenamento provocados pelo parque industrial das indústrias Matarazzo, em São Caetano.
O livro sobre os problemas decorrentes do Covid-19 enfrentados pelos trabalhadores será lançado hoje, internamente, durante reunião da direção da Federação dos Químicos do ABC e depois estará sendo disponibilizado por download no site http://www.fetquim.org.br .

Contaminados.
Agonia e sofrimento
Informa Remi Todeschini:

Essa é uma memória de trabalhadores químicos e petroquímicos, que traz o triste sofrimento físico e psicológico decorrente da Covid-19.
 Os resultados preliminares tinham sido divulgados no site da Fetquim (Federação dos Trabalhadores Químicos) em junho de 2020.

 O livro faz uma análise detalhada do sofrimento de dez trabalhadores (dos quais cinco do Grande ABC), tanto físico, sequelas e problemas psíquicos, como medo, ansiedade, angústia, estresse, solidão, confusão mental entre outros sintomas e problemas familiares e sociais vividos por contaminados da Covid-19.

 Para Airton Cano, coordenador político da Fetquim, e trabalhador da Basf no Grande ABC, no seu prefácio do livro, diz que é mostrado "o sofrimento psíquico, físico, familiar e social de trabalhadores químicos e petroleiros em serviços essenciais".

Factual.
No instante dos fatos

O livro de Remigio Todeschini preserva a identidade tanto do empregador como dos dez trabalhadores focalizados. Cita a categoria dos personagens focalizados, químicos ou do setor do petróleo. E deixa claro que os cinco trabalhadores químicos são de fábricas do Grande ABC.

Este anonimato é comum nos casos de estudos de casos aprofundados. Luiz Pereira, em “A Escola numa Área Metropolitana”, focaliza bairros do Distrito de Utinga, mas prefere preservar os próprios nomes dos locais, apenas dando pistas: “Água Redonda” tanto pode ser a Vila Santa Terezinha como o Parque Novo Oratório.

NOTA – Luiz Pereira foi estudado pela professora Natalia Hladun, de Santo André, em sua dissertação de mestrado: “Um Sociólogo na Educação, Luiz Pereira, o Homem, Sua Vida e Obra” (Universidade Presbiteriana Mackenzie).

Em “A Capital do Automóvel, na voz dos operários”, Antonio Possidonio Sampaio também usa pseudônimos, dando pistas de quem são “Seu Anselmo”, “Jota Alves” e até mesmo “O bilheteiro”, que assim começa a sua narrativa:

“Com esse auxílio de fome que ganho na Caixa, meu filho, eu já teria batido as botas. Cheguei em São Bernardo em fins de 1958, quando isto aqui era um subúrbio insignificante...”.

NOTA – “A Capital do Automóvel...” é de 1979 (Ed. Populares). Foi relançado em 2005, como parte do livro “ABC dos Peões” (Alpharrabio Edições).

De comum também entre as obras de Luiz Pereira, Antonio Possidonio e, agora, Remi Todeschini, o registro factual no momento dos acontecimentos, subsídios importantes para a história local e nacional. 



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