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Paulo Autran e seu legado


Natane Tamasauskas
Do Diário do Grande ABC

02/03/2008 | 07:08


Ao todo, são pouco mais de 150 livros, guardados dentro de um armário de madeira, próximo à entrada da ELT (Escola Livre de Teatro) de Santo André. O conjunto de publicações ganha valor inestimável quando sabe-se sua origem. “Os livros do Paulo? Estão aqui”, aponta Sidnei Márcio de Oliveira, agente cultural da escola, que recebeu a reportagem do Diário na última quinta-feira.

Trata-se de parte do acervo pessoal de Paulo Autran, vítima de um câncer de pulmão que o afligiu por mais de um ano e provocou sua morte em outubro do ano passado. Divididos pessoalmente pela viúva do ator, Karin Rodrigues, parte de seus livros e documentos foi doada ao Instituto Moreira Salles; os troféus e prêmios ao Sesc; e as publicações voltadas às artes cênicas à escola andreense.

Um a um, começamos a retirá-los do local e empilhá-los cuidadosamente na mesa ao lado. São muitos livros de tamanhos diversos, poucos novos, a maioria já amarelada pelo tempo.

A atenção volta-se para alguns programas de espetáculos encenados pelo ator em um passado distante e textos usados em peças mais recentes, encadernados, com anotações feitas à caneta. “Os livros são clássicos que qualquer escola de teatro precisa ter. Mas estes documentos são coisas preciosas que vieram parar aqui”, diz o coordenador geral da ELT, Kil Abreu.

Um dos cadernos é de Visitando o Sr. Green, espetáculo de Jeff Baron, dirigido por Elias Andreato em 2000, que garantiu a Paulo Autran os prêmios Shell e da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Impossível descrever o prazer de ter acesso aos lembretes escritos pelo próprio ator, em letras apertadas e disformes.

Aparentemente mais organizado está o caderno de O Avarento, 90º e último espetáculo encenado por Autran. O texto de Molière, dirigido por Felipe Hirsch na montagem de 2006, traz em suas últimas páginas contatos e observações de todo o elenco.

Remexendo os programas de peças arquivados pela escola, surgem recortes de jornais antigos. As reportagens falam sobre o espetáculo anunciado na pequena publicação: Depois da Queda, de Arthur Miller, em cartaz durante o ano de 1964. As duras palavras do jornalista revelam que, não fosse o talento de Paulo Autran e da atriz Maria Della Costa, o restante do elenco de 20 atores estaria fadado ao fracasso.



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