Fechar
Publicidade

Domingo, 23 de Janeiro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

setecidades@dgabc.com.br | 4435-8319

Família culpa PM por jovem desaparecido em Sto.André

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Adolescente foi visto pela última vez na noite de terça-feira; comunidade cobra respostas


Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

15/11/2019 | 07:00


Familiares culpam a PM (Polícia Militar) pelo desaparecimento de Lucas Eduardo Martins dos Santos, 14 anos, na madrugada de terça-feira. O jovem foi visto pela última vez por volta de 0h10, quando deixou a casa da tia em direção à própria residência, ambas na favela do Amor, na região da Vila Luzita, em Santo André.

De acordo com o BO (Boletim de Ocorrência), registrado no 6º DP (Vila Mazzei) na quarta-feira, a vítima teria sumido após PMs (Policiais Militares) baterem em sua casa para questionar a madrasta do estudante quem morava no local e se algo estava errado. Os agentes deixaram a residência e a mulher afirma ter ouvido alguém dizer “eu moro aqui” e, desde então, o adolescente não foi mais localizado.

“Está tudo muito complicado, porque não estamos sabendo de nada. Não nos dão explicação”, assinalou a prima de Lucas, Amanda Stefanie dos Santos Ribeiro, 19. “As autoridades têm de nos dar uma resposta, eles devem isso a gente”, completou a tia do menino, Isabel Daniela dos Santos, 35.

O irmão de Lucas, Fábio Santos Bittencourt, 17, contou que, na noite do desaparecimento, estava em um bar quando viu duas viaturas da PM indo em direção à casa onde Lucas mora. “Vi as viaturas passarem de volta e, em seguida, a mãe (madrasta) disse que ele tinha desaparecido.”

Na quarta-feira, roupas que Lucas usava quando foi visto pela última vez foram encontradas atrás da EE Antônio Adib Chamas, no Jardim Santa Cristina. Segundo Amanda, ela e a madrasta do adolescente viram um usuário de drogas com a blusa do menino, que tinha sinais de pisoteamento. “Ele (o usuário de drogas) disse que tinha encontrado a roupa na escola e que viu alguém apanhando da polícia, mas não soube dizer se era o Lucas”, relatou. Quando foram até o local indicado pelo andarilho, as familiares encontraram o boné da vítima.

PERÍCIA

Os itens foram coletados para a perícia no momento do BO. Márcio Macedo, delegado do 6º DP, afirmou que, assim que a família fez o registro, realizou diligência nas proximidades da instituição de ensino. “Não foram encontrados vestígios que pudessem ser periciados”, esclareceu. O caso foi encaminhado para o setor de homicídios e desaparecidos da seccional andreense, na Vila Metalúrgica.

Em nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) informou que todas as circunstâncias relativas ao fato são apuradas por meio de inquérito instaurado pelo setor de desaparecimento da Polícia Civil de Santo André. O comunicado garante que equipes estão realizando deligências para localizar o jovem e que a PM instaurou procedimento para apurar o caso. Além disso, dois agentes foram afastados preventivamente após testemunhas os apontarem como supostos participantes da abordagem.

MANIFESTAÇÃO

Ontem, familiares, amigos e moradores da favela do Amor protestaram na Avenida São Bernardo. Sob coro de “queremos o Lucas” e “não acabou, tem que acabar, queremos o fim da Polícia Militar”, o grupo de pelo menos 100 pessoas se reuniu às 14h30, seguiu em passeata em direção ao terminal de ônibus da Vila Luzita, por volta das 17h, e continuou pela Avenida Capitão Mário Toledo de Camargo até o 6º DP. Por fim, o ato seguiu até o ponto de origem e se estendeu até as 20h.

Parentes dizem que menino é exemplar

Fábio Santos Bittencourt, 17 anos, contou que o irmão Lucas Eduardo Martins dos Santos, 14, é um garoto tranquilo. “Ele sempre fica na dele, nunca mexeu com drogas e não arruma confusão com ninguém. Ele ia de casa para a escola, para a casa da tia e, depois, voltava para casa.”

A tia, Isabel Daniela dos Santos, 35, afirmou que o adolescente é “um amor de menino”. “Ele fica na minha casa e é um menino exemplar, direito. Ele vem da escola, deixa o material na casa dele e vai para minha casa e, nos fins de semana, também, porque o irmão (mais velho, com quem Lucas mora) trabalha. Ele é um filho para mim.”

REVOLTA

Mesmo sem conhecer a vítima, o sentimento generalizado é de indignação. “Hoje é o Lucas, mas amanhã pode ser o meu filho”, defendeu a integrante do coletivo negro do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) Ediane Maria do Nascimento. “Não podemos nos calar, porque nós, negros, somos sempre os suspeitos, os torturados e não podemos aceitar que um menino seja levado pela PM sem respostas”, adicionou.

O conselheiro executivo da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Santo André Helton Fesan afirmou que o primeiro passo da instituição é prestar auxílio jurídico à família para dar lisura ao inquérito. Em seguida, acompanharão as investigações. “Vamos cobrar repostas.”

Classificando o fato como inaceitável, Ingrid Limeira, integrante da Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio, salientou a importância da proteção de famílias em situações de letalidade policial. “Vamos ajudar a ter todo o acesso institucional que eles (familiares) precisarem.”



Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;