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Rio Grande: gastar menos é o desafio de Kiko


Do Diário do Grande ABC

08/11/2004 | 09:46


Gastar menos e incrementar o comércio local para aumentar a arrecadação. Para o prefeito eleito de Rio Grande da Serra, Adler Kiko Teixeira (PSDB), essas são as medidas prioritárias para começar a equilibrar a finanças da prefeitura.

Na Sabatina Diário, realizada em agosto com a participação de todos os candidatos a prefeito, Kiko disse que a Prefeitura gasta mal e que pretende fazer uma reforma administrativa para "economizar o máximo possível para programar investimentos, que hoje praticamente não existem em Rio Grande".

DIÁRIO: Integralmente na bitola da Lei de Proteção dos Mananciais, como é possível retirar Rio Grande da Serra da zona de penumbra econômica, levando-se em conta que a cidade sofre mais do que o conjunto do Grande ABC porque está geograficamente escanteada numa Região Metropolitana de São Paulo que dia a dia perde o poder industrial?

ADLER KIKO TEIXEIRA: Como está incluído numa área de mananciais, de proteção ecológica, nossa intenção é manter essa qualidade a nosso favor, para explorar o potencial turístico do município e também desenvolver um trabalho conjunto com o Consórcio Intermunicipal. São sete municípios e a idéia do Consórcio sempre foi o desenvolvimento sustentável na região. Somos vizinhos da Solvay do Brasil (indústria instalada na Vila Elclor, no chamado Corredor Polonês) que paga impostos para Santo André. De alguma forma, não a título de favor, mas dentro das leis tributárias, é preciso obter uma parte dos impostos dessa indústria para Rio Grande da Serra, tentando atrair principalmente os prestadores de serviços da Solvay para o nosso município. Essa seria uma alternativa que não entraria em confronto com a lei que regula a ocupação do solo e a atividade econômica e industrial, a que estamos sujeitos por estarmos totalmente em áreas de mananciais. Outras iniciativas são o desenvolvimento do comércio local e de atividades artesanais. Pretendo investir nessa área de atividades não poluentes para que possam ser mais abundantes em Rio Grande da Serra. Não se sabe se os recursos emanados disso seriam suficientes para mudar totalmente a realidade do município, mas já contribuiriam para melhorar um pouco a qualidade de vida da população. Uma preocupação que a gente tem de ter também é justamente com os gastos. A Prefeitura de Rio Grande da Serra precisa gastar menos, economizar bastante, ter uma gestão responsável. É necessária uma reforma administrativa para que se aumente a arrecadação, ainda que de uma forma modesta, e também se diminuam os gastos. Acho que assim se melhora a qualidade de vida da população de Rio Grande.

DIÁRIO: O senhor acredita que o Consórcio Intermunicipal de Prefeitos teria sensibilidade para entender os problemas econômicos e sociais de Rio Grande da Serra e com isso dar ao município maior atenção? Ou seja, o Consórcio tem poder de fato para mudar a história de Rio Grande da Serra, ou tudo dependerá basicamente da capacidade do prefeito de plantão?

KIKO: O prefeito é a peça principal de qualquer administração, ainda mais em uma cidade como Rio Grande da Serra, com parcos recursos. Ele tem de ser um gestor muito econômico e fazer as coisas com o pé no chão. É evidente que as iniciativas em conjunto, por intermédio de um grupo de prefeitos, sempre têm mais força, mais peso num diálogo com o governo federal e estadual. Tenho observado, depois da morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, que o Consórcio não sabe bem para onde vai; está sem uma diretriz. Nós tivemos recentemente, em Santo André, por iniciativa do presidente da Câmara, um encontro com parlamentares do Canadá. Eles mostraram uma iniciativa muito parecida com a do Consórcio e que tem dado muito certo. Eles fazem processamento do lixo com todas as cidades envolvidas. Muitas coisas sairiam bem mais baratas se fizéssemos em conjunto, como no exemplo do lixo. Esperamos que, no futuro, os novos prefeitos dêem ao Consórcio o papel previsto no seu estatuto, voltado à questão regional. Hoje não podemos falar sobre o desenvolvimento sustentável de uma região tendo cinco municípios ricos, um município remediado e um outro pobre. O Consórcio é importante, mas precisa ter iniciativas concretas, e não apenas teóricas, como vem acontecendo.

DIÁRIO: O senhor considera possível a sugestão de se criar um fundo de investimento para aplicação nas regiões metropolitanas? Que sugestão o senhor teria para origem dos recursos desse fundo?

KIKO: A criação do fundo para investimentos em região metropolitana é uma iniciativa muito bem intencionada. Não vejo, porém, uma forma técnica de viabilizar isso porque, quando se fala em fundo, é preciso mexer na legislação tributária em níveis federal, estadual ou municipal. Seria necessário arrecadar uma verba, destinando parte para uma região. Não consigo vislumbrar essa divisão, mesmo porque sabemos existir regiões mais carentes do que o Grande ABC. Não podemos falar dessa questão de forma regionalizada. Para se fazer uma política voltada às regiões metropolitanas, precisamos envolver o governo do Estado e até a federação.

DIÁRIO: A realidade social e econômica de Rio Grande da Serra seria diferente se o município não fosse integrante da Região Metropolitana de São Paulo? Seria melhor para Rio Grande da Serra se sua posição geográfica fosse, por exemplo, a região de Campinas, Sorocaba ou São José dos Campos?

KIKO: Acho um pouco prejudicial para Rio Grande da Serra integrar uma região metropolitana e não ter crescimento econômico igual à de outras cidades. Mas existem iniciativas dos governos federal e estadual que podem contribuir para o crescimento de Rio Grande, principalmente depois que Ribeirão Pires foi considerado estância turística. Tramita na Assembléia projeto para transformar Rio Grande também em estância. Caminha a passos lentos justamente porque existe série de exigências em relação a potencial hoteleiro. Na própria Assembléia, temos outras iniciativas para criar estâncias ecológicas que receberiam repasse por parte do governo do Estado maior do que as cidades localizadas em áreas de nascente dos mananciais. Somos penalizados pela lei de saneamento industrial. Acredito que essa penalidade tenha de ser de alguma forma amenizada, criando-se soluções paliativas. A aprovação desse projeto para estância ecológica beneficiará Rio Grande da Serra, porque estará respeitando a realidade do meio ambiente do município, havendo um repasse maior de verbas. Na verdade, a única coisa que a região metropolitana influencia negativamente é justamente o fato de Rio Grande ser cidade dormitório próxima da capital. Muitas pessoas migram para Rio Grande, usam as creches da cidade, os postos de saúde, enfim, todo o aparelho municipal, e acabam criando dificuldade para o crescimento econômico do município.

DIÁRIO: Quais são as três principais qualidades que o senhor entende que Rio Grande da Serra precisa de um prefeito para conduzi-la à nova realidade social e econômica?

KIKO: Acredito que o prefeito de Rio Grande da Serra tem de ser, em primeiro lugar, participativo, escutar a comunidade, interagir. Em segundo lugar, ser trabalhador. Tantas dificuldades requerem muito trabalho. Em terceiro lugar, gerir bem os recursos públicos, economizar muito, ter o pé no chão, na realidade de hoje.



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Rio Grande: gastar menos é o desafio de Kiko

Do Diário do Grande ABC

08/11/2004 | 09:46


Gastar menos e incrementar o comércio local para aumentar a arrecadação. Para o prefeito eleito de Rio Grande da Serra, Adler Kiko Teixeira (PSDB), essas são as medidas prioritárias para começar a equilibrar a finanças da prefeitura.

Na Sabatina Diário, realizada em agosto com a participação de todos os candidatos a prefeito, Kiko disse que a Prefeitura gasta mal e que pretende fazer uma reforma administrativa para "economizar o máximo possível para programar investimentos, que hoje praticamente não existem em Rio Grande".

DIÁRIO: Integralmente na bitola da Lei de Proteção dos Mananciais, como é possível retirar Rio Grande da Serra da zona de penumbra econômica, levando-se em conta que a cidade sofre mais do que o conjunto do Grande ABC porque está geograficamente escanteada numa Região Metropolitana de São Paulo que dia a dia perde o poder industrial?

ADLER KIKO TEIXEIRA: Como está incluído numa área de mananciais, de proteção ecológica, nossa intenção é manter essa qualidade a nosso favor, para explorar o potencial turístico do município e também desenvolver um trabalho conjunto com o Consórcio Intermunicipal. São sete municípios e a idéia do Consórcio sempre foi o desenvolvimento sustentável na região. Somos vizinhos da Solvay do Brasil (indústria instalada na Vila Elclor, no chamado Corredor Polonês) que paga impostos para Santo André. De alguma forma, não a título de favor, mas dentro das leis tributárias, é preciso obter uma parte dos impostos dessa indústria para Rio Grande da Serra, tentando atrair principalmente os prestadores de serviços da Solvay para o nosso município. Essa seria uma alternativa que não entraria em confronto com a lei que regula a ocupação do solo e a atividade econômica e industrial, a que estamos sujeitos por estarmos totalmente em áreas de mananciais. Outras iniciativas são o desenvolvimento do comércio local e de atividades artesanais. Pretendo investir nessa área de atividades não poluentes para que possam ser mais abundantes em Rio Grande da Serra. Não se sabe se os recursos emanados disso seriam suficientes para mudar totalmente a realidade do município, mas já contribuiriam para melhorar um pouco a qualidade de vida da população. Uma preocupação que a gente tem de ter também é justamente com os gastos. A Prefeitura de Rio Grande da Serra precisa gastar menos, economizar bastante, ter uma gestão responsável. É necessária uma reforma administrativa para que se aumente a arrecadação, ainda que de uma forma modesta, e também se diminuam os gastos. Acho que assim se melhora a qualidade de vida da população de Rio Grande.

DIÁRIO: O senhor acredita que o Consórcio Intermunicipal de Prefeitos teria sensibilidade para entender os problemas econômicos e sociais de Rio Grande da Serra e com isso dar ao município maior atenção? Ou seja, o Consórcio tem poder de fato para mudar a história de Rio Grande da Serra, ou tudo dependerá basicamente da capacidade do prefeito de plantão?

KIKO: O prefeito é a peça principal de qualquer administração, ainda mais em uma cidade como Rio Grande da Serra, com parcos recursos. Ele tem de ser um gestor muito econômico e fazer as coisas com o pé no chão. É evidente que as iniciativas em conjunto, por intermédio de um grupo de prefeitos, sempre têm mais força, mais peso num diálogo com o governo federal e estadual. Tenho observado, depois da morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, que o Consórcio não sabe bem para onde vai; está sem uma diretriz. Nós tivemos recentemente, em Santo André, por iniciativa do presidente da Câmara, um encontro com parlamentares do Canadá. Eles mostraram uma iniciativa muito parecida com a do Consórcio e que tem dado muito certo. Eles fazem processamento do lixo com todas as cidades envolvidas. Muitas coisas sairiam bem mais baratas se fizéssemos em conjunto, como no exemplo do lixo. Esperamos que, no futuro, os novos prefeitos dêem ao Consórcio o papel previsto no seu estatuto, voltado à questão regional. Hoje não podemos falar sobre o desenvolvimento sustentável de uma região tendo cinco municípios ricos, um município remediado e um outro pobre. O Consórcio é importante, mas precisa ter iniciativas concretas, e não apenas teóricas, como vem acontecendo.

DIÁRIO: O senhor considera possível a sugestão de se criar um fundo de investimento para aplicação nas regiões metropolitanas? Que sugestão o senhor teria para origem dos recursos desse fundo?

KIKO: A criação do fundo para investimentos em região metropolitana é uma iniciativa muito bem intencionada. Não vejo, porém, uma forma técnica de viabilizar isso porque, quando se fala em fundo, é preciso mexer na legislação tributária em níveis federal, estadual ou municipal. Seria necessário arrecadar uma verba, destinando parte para uma região. Não consigo vislumbrar essa divisão, mesmo porque sabemos existir regiões mais carentes do que o Grande ABC. Não podemos falar dessa questão de forma regionalizada. Para se fazer uma política voltada às regiões metropolitanas, precisamos envolver o governo do Estado e até a federação.

DIÁRIO: A realidade social e econômica de Rio Grande da Serra seria diferente se o município não fosse integrante da Região Metropolitana de São Paulo? Seria melhor para Rio Grande da Serra se sua posição geográfica fosse, por exemplo, a região de Campinas, Sorocaba ou São José dos Campos?

KIKO: Acho um pouco prejudicial para Rio Grande da Serra integrar uma região metropolitana e não ter crescimento econômico igual à de outras cidades. Mas existem iniciativas dos governos federal e estadual que podem contribuir para o crescimento de Rio Grande, principalmente depois que Ribeirão Pires foi considerado estância turística. Tramita na Assembléia projeto para transformar Rio Grande também em estância. Caminha a passos lentos justamente porque existe série de exigências em relação a potencial hoteleiro. Na própria Assembléia, temos outras iniciativas para criar estâncias ecológicas que receberiam repasse por parte do governo do Estado maior do que as cidades localizadas em áreas de nascente dos mananciais. Somos penalizados pela lei de saneamento industrial. Acredito que essa penalidade tenha de ser de alguma forma amenizada, criando-se soluções paliativas. A aprovação desse projeto para estância ecológica beneficiará Rio Grande da Serra, porque estará respeitando a realidade do meio ambiente do município, havendo um repasse maior de verbas. Na verdade, a única coisa que a região metropolitana influencia negativamente é justamente o fato de Rio Grande ser cidade dormitório próxima da capital. Muitas pessoas migram para Rio Grande, usam as creches da cidade, os postos de saúde, enfim, todo o aparelho municipal, e acabam criando dificuldade para o crescimento econômico do município.

DIÁRIO: Quais são as três principais qualidades que o senhor entende que Rio Grande da Serra precisa de um prefeito para conduzi-la à nova realidade social e econômica?

KIKO: Acredito que o prefeito de Rio Grande da Serra tem de ser, em primeiro lugar, participativo, escutar a comunidade, interagir. Em segundo lugar, ser trabalhador. Tantas dificuldades requerem muito trabalho. Em terceiro lugar, gerir bem os recursos públicos, economizar muito, ter o pé no chão, na realidade de hoje.

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