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Autor global segura a peteca e vai além


André Bernardo
Da TV Press

19/04/2004 | 19:25


Muitos devem ter apostado que João Emanuel Carneiro não seguraria a peteca de escrever, sozinho, sua primeira novela. E mais: devem ter atribuído ao supervisor de Da Cor do Pecado, o experiente Sílvio de Abreu, a ótima audiência de 41 pontos registrada na estréia – a melhor média do horário desde Vira-Lata (1996), de Carlos Lombardi. Mas, desde o início, já estava acertado que Sílvio só supervisionaria a nova novela das sete até o capítulo 36. Depois disso, João Emanuel caminharia com as próprias pernas. E é exatamente isso o que ele vem fazendo desde então. E com ótimos resultados. Há poucas semanas, Da Cor do Pecado alcançou média de 48 pontos no Ibope. No mesmo dia, Celebridade registrou 45 pontos.

O maior mérito de João Emanuel é o tom cômico de sua trama. Mas isso já era de esperar. No cinema, ele foi o responsável pelo roteiro de filmes como Deus É Brasileiro, de Cacá Diegues, e A Partilha, de Daniel Filho, entre outros, todos com um pé na comédia. O núcleo de Pai Helinho, interpretado pelo sempre competente Matheus Nachtergaele, por exemplo, faz lembrar o divertido personagem Oda Mae Brown, de Whoopi Goldberg, em Ghost – Do Outro Lado da Vida, de Jerry Zucker. No papel do vidente de araque que incorpora espíritos de verdade, Matheus já demonstrou a sua tão famosa versatilidade. Primeiro, como Feitosa, o espírito ciumento da boazuda Tancinha, vivida por Vanessa Gerbelli. Agora, como Febrônio, um cangaceiro arretado que não dá sossego a Pai Helinho.

Mas Matheus, é bom que se diga, não brilha sozinho no núcleo espírita da novela. Todos, sem exceção, têm oportunidade de mostrar a veia cômica. Como o ainda desconhecido, porém já promissor, Arlindo Lopes, que interpreta Cezinha, o fiel escudeiro de Pai Helinho. A idéia de convidar o veterano Francisco Cuoco para dar vida ao Pai Gaudêncio, o maior de todos os pais-de-santo, também foi muito feliz. Quem tem mais de 30 anos deve lembrar que ele também já viveu um vidente charlatão em O Astro, de Janete Clair. A chance de revê-lo em cena, numa paródia ao seu célebre Herculano Quintanilha, é impagável.

O núcleo de Pai Helinho não é o único cômico de Da Cor do Pecado. As cenas envolvendo Eduardo e Verinha, personagens de Ney Latorraca e Maitê Proença, sempre rendem boas risadas. Como aquela em que os dois apareceram de supetão na casa de Afonso Lambertini, interpretado por Lima Duarte, para dar os parabéns ao neto Otávio, de Felipe Latge. A avó do menino, por exemplo, cometeu a desfaçatez de presenteá-lo com um desses carrinhos de plástico de R$ 1,99. Sempre às voltas com tipos sensuais ou sofridos, a bela Maitê até que convence em uma rara empreitada cômica. Na hora da saída, Eduardo e Verinha ainda tiveram a infeliz idéia de levar alguns objetos de prata da casa de Afonso como lembranças do aniversário. Foi hilário ver o cínico Eduardo malocando miudezas nos bolsos do paletó.

A exemplo de Maitê, Caio Blat também tem exercitado o humor. O Abelardo Sardinha é uma das melhores coisas daquela família. Tal e qual um peixe fora d’água, ele se esforçava para ler um livro do filósofo alemão Friedrich Nietzsche enquanto os irmãos Thor e Dionísio, de Cauã Reymond e Pedro Neschling, improvisavam uma festinha. Os dois já chegaram a amarrar o coitado, só para obrigá-lo a ver o strip-tease de Tayani, ponta de Dany Bananinha.

No meio de tanta confusão, as idas e vindas amorosas de Paco, de Reynaldo Gianecchini, até perderam um pouco da relevância. Como o público já sabe que, mais cedo ou mais tarde, ele e Preta, papel de Taís Araújo, terminarão juntos, há núcleos mais interessantes com que se entreter. Em uma novela na qual ninguém se leva a sério, o único tipo contrastante é o Tony, de Guilherme Weber. O vice-presidente do grupo Lambertini parece ser um primo distante do obsessivo Marcos, de Dan Stulbach em Mulheres Apaixonadas. É como se, a qualquer momento, ele fosse pegar uma raquete e a dar umas pauladas na Bárbara, de Giovanna Antonelli.



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Autor global segura a peteca e vai além

André Bernardo
Da TV Press

19/04/2004 | 19:25


Muitos devem ter apostado que João Emanuel Carneiro não seguraria a peteca de escrever, sozinho, sua primeira novela. E mais: devem ter atribuído ao supervisor de Da Cor do Pecado, o experiente Sílvio de Abreu, a ótima audiência de 41 pontos registrada na estréia – a melhor média do horário desde Vira-Lata (1996), de Carlos Lombardi. Mas, desde o início, já estava acertado que Sílvio só supervisionaria a nova novela das sete até o capítulo 36. Depois disso, João Emanuel caminharia com as próprias pernas. E é exatamente isso o que ele vem fazendo desde então. E com ótimos resultados. Há poucas semanas, Da Cor do Pecado alcançou média de 48 pontos no Ibope. No mesmo dia, Celebridade registrou 45 pontos.

O maior mérito de João Emanuel é o tom cômico de sua trama. Mas isso já era de esperar. No cinema, ele foi o responsável pelo roteiro de filmes como Deus É Brasileiro, de Cacá Diegues, e A Partilha, de Daniel Filho, entre outros, todos com um pé na comédia. O núcleo de Pai Helinho, interpretado pelo sempre competente Matheus Nachtergaele, por exemplo, faz lembrar o divertido personagem Oda Mae Brown, de Whoopi Goldberg, em Ghost – Do Outro Lado da Vida, de Jerry Zucker. No papel do vidente de araque que incorpora espíritos de verdade, Matheus já demonstrou a sua tão famosa versatilidade. Primeiro, como Feitosa, o espírito ciumento da boazuda Tancinha, vivida por Vanessa Gerbelli. Agora, como Febrônio, um cangaceiro arretado que não dá sossego a Pai Helinho.

Mas Matheus, é bom que se diga, não brilha sozinho no núcleo espírita da novela. Todos, sem exceção, têm oportunidade de mostrar a veia cômica. Como o ainda desconhecido, porém já promissor, Arlindo Lopes, que interpreta Cezinha, o fiel escudeiro de Pai Helinho. A idéia de convidar o veterano Francisco Cuoco para dar vida ao Pai Gaudêncio, o maior de todos os pais-de-santo, também foi muito feliz. Quem tem mais de 30 anos deve lembrar que ele também já viveu um vidente charlatão em O Astro, de Janete Clair. A chance de revê-lo em cena, numa paródia ao seu célebre Herculano Quintanilha, é impagável.

O núcleo de Pai Helinho não é o único cômico de Da Cor do Pecado. As cenas envolvendo Eduardo e Verinha, personagens de Ney Latorraca e Maitê Proença, sempre rendem boas risadas. Como aquela em que os dois apareceram de supetão na casa de Afonso Lambertini, interpretado por Lima Duarte, para dar os parabéns ao neto Otávio, de Felipe Latge. A avó do menino, por exemplo, cometeu a desfaçatez de presenteá-lo com um desses carrinhos de plástico de R$ 1,99. Sempre às voltas com tipos sensuais ou sofridos, a bela Maitê até que convence em uma rara empreitada cômica. Na hora da saída, Eduardo e Verinha ainda tiveram a infeliz idéia de levar alguns objetos de prata da casa de Afonso como lembranças do aniversário. Foi hilário ver o cínico Eduardo malocando miudezas nos bolsos do paletó.

A exemplo de Maitê, Caio Blat também tem exercitado o humor. O Abelardo Sardinha é uma das melhores coisas daquela família. Tal e qual um peixe fora d’água, ele se esforçava para ler um livro do filósofo alemão Friedrich Nietzsche enquanto os irmãos Thor e Dionísio, de Cauã Reymond e Pedro Neschling, improvisavam uma festinha. Os dois já chegaram a amarrar o coitado, só para obrigá-lo a ver o strip-tease de Tayani, ponta de Dany Bananinha.

No meio de tanta confusão, as idas e vindas amorosas de Paco, de Reynaldo Gianecchini, até perderam um pouco da relevância. Como o público já sabe que, mais cedo ou mais tarde, ele e Preta, papel de Taís Araújo, terminarão juntos, há núcleos mais interessantes com que se entreter. Em uma novela na qual ninguém se leva a sério, o único tipo contrastante é o Tony, de Guilherme Weber. O vice-presidente do grupo Lambertini parece ser um primo distante do obsessivo Marcos, de Dan Stulbach em Mulheres Apaixonadas. É como se, a qualquer momento, ele fosse pegar uma raquete e a dar umas pauladas na Bárbara, de Giovanna Antonelli.

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