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Economia solidária avança na região

Com 116 empresas de gestão autônoma e democrática, esse modelo emprega, no Grande ABC, cerca de 2.350


Luciele Velluto
Do Diário do Grande ABC

13/07/2008 | 07:08


Os empreendimentos da região de economia solidária - cooperativas e associações constituídas por membros com os mesmos direitos e peso nas decisões da companhia - deixaram de ser meros experimentos de alternativa ao desemprego e se tornaram projetos maduros e consolidados. Com um universo de 116 empresas de gestão autônoma e democrática, esse modelo de administração empresarial emprega, no Grande ABC, cerca de 2.350 pessoas e fatura mais de R$ 20 milhões mensais.

Neste mês, a Senaes (Secretaria Nacional de Economia Solidária), do Ministério do Trabalho e Emprego, lançou o Atlas da Economia Solidária, que consolida os números apurados em 2007 sobre o tamanho desse setor em desenvolvimento no País. E o Grande ABC mostrou que não só foi um dos pioneiros nessa área - e se tornou referência no Brasil - como amadureceu o conceito, ainda pouco conhecido entre os trabalhadores, acostumados com a hierarquia tradicional construída na relação capital/trabalho.

"No final dos anos 1990, esse modelo foi uma alternativa ao desemprego crescente. Depois, houve o amadurecimento da proposta, que levou ao trabalho associado", explica Luís Paulo Bresciani, coordenador do Laboratório de Regionalidade e Gestão da USCS (Universidade de São Caetano do Sul), ao comentar a motivação identificada para a formação dos empreendimentos na região. Nesse quesito, ainda predomina a alternativa ao desemprego, mas o trabalho cooperado já aparece em segundo lugar.

Outro ponto importante revelado pelo atlas é o predomínio das empresas solidárias na informalidade - das 116 identificadas, 69 não estão legalmente constituídas. Para Bresciani, esse dado demonstra as dificuldades financeiras e mesmo burocráticas para legalizar a atividade, empecilhos que não são exclusividade desse modelo, mas um problema enfrentado pela maioria das micro e pequenas empresas no País. "É importante que o poder público e as entidades que dão suporte nessa área estejam atentos a esse aspecto."

O levantamento da Senaes aponta, ainda, a vocação desses empreendimentos no Grande ABC. Apesar de o segmento de artesanato estar em maior número, com 21 empresas, a região mostra vocação para as áreas de serviços (19), alimentação (20), reciclagem (14) e indústria (15).

De indústria a reciclagem, Grande ABC é referência

O Grande ABC se destaca pelos resultados conquistados nos quase 10 anos de experiência em empreendimentos industriais que se tornaram referência na economia solidária nacional, valendo-se dos incentivos do setor público para a formação de cooperados capacitados para gerir esse modelo democrático de empresa.

O economista Paul Singer, um dos maiores especialistas na área e secretário da Senaes (Secretaria Nacional da Economia Solidária), costuma citar a região como modelo na atuação do poder público em incentivo aos empreendimentos, em desenvolvimento de entidades fomentadoras e exemplo de bons resultados.

Os elogios de Singer não são à toa. A Uniforja é a mais famosa das cooperativas do Grande ABC. Nascida no setor industrial, a empresa surgiu em 2000, após a falência de uma companhia tradicional do ramo metalúrgico de Diadema, e hoje fatura R$ 18 milhões por mês. "Agora, ajudamos as outras cooperativas a implantar o modelo. É o nosso processo de amadurecimento", conta José Domingos, presidente do empreendimento.

Ainda no setor industrial, a Uniferco, também de Diadema, busca aprimoramento para continuar entre as líderes no segmento de iluminação pública no País. ‘Temos 37 produtos certificados e fornecemos para 18 Estados. Éramos amadores e viramos profissionais competentes", comenta Antonio Ramos, presidente da cooperativa e secretário-geral da Unisol-Brasil, entidade que nasceu no Grande ABC e atualmente fomenta a economia solidária em todo o País.

No segmento têxtil, ainda em passos bem mais modestos, a Vale Verde Confecções nasceu da necessidade de gerar renda para os moradores do Parque Andreense, bairro afastado de Santo André.

Segundo Maria do Carmo Souza Pascoal, uma das cooperadas, a solução foi criada para mulheres que tinham dificuldade de encontrar emprego por causa de idade e distância dos centros empregadores. "As pessoas precisam de mais informação. Quem não era da área de confecção, aprendeu e, assim, trabalhamos e geramos renda", afirma.



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