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Árvores revelam a vida na cidade

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Deborah Moreira
Do Diário do Grande ABC

09/03/2011 | 07:02


Ipê, pau-ferro, quaresmeira, tipuana, sucupira, sibipiruna, guaxupita, falsa figueira. Você conhece as espécies vegetais plantadas nas calçadas da rua onde você mora? Sabe que elas absorvem poluentes como gás carbônico, e ajudam a resfriar as cidades, tornando-as mais agradáveis? Pois saiba, as árvores são fundamentais para a sobrevivência no planeta, dão sinais sobre seu estado e até sobre a qualidade do ar.

O Diário percorreu alguns bairros do Grande ABC acompanhado de biólogo que ajudou a conhecer e entender um pouco mais sobre as espécies encontradas nas calçadas da região e qual seu estado de conservação. O especialista encontrou de tudo: podridão nos troncos causada por parasitas (fungos); perda de nutrientes provocadas também por parasitas, como erva de passarinho; pragas, falta de planejamento e até maus tratos.

Com exceção de São Caetano, que fez um censo de árvores no final de 2010, nenhuma ourta prefeitura sabe quantos exemplares estão doentes.

São Caetano constatou que existem 18 mil espécimes em calçadas e, destas, 77 têm alguma doença, sem risco de queda. Em Santo André há 41.100 exemplares em 2.879.436 metros de calçadas. Em São Bernardo são 90 mil árvores em toda cidade. São 5.000 na área urbana de Ribeirão Pires. As demais não responderam.

O especialista em melhoramento vegetal e citogenética, Ricardo Lombello, da UFABC (Universidade Federal do ABC), ressalta que o plantio e manutenção são fundamentais para a durabilidade do exemplar. Por isso, é importante vistorias constantes, por equipe treinada. Uma poda mal feita compromete toda a estrutura e isso pode ser uma das causas de quedas de árvores durante tempestades.

Santo André, São Bernardo, São Caetano e Diadema informaram realizar vistorias com regularidade, além de atender solicitações de munícipes.

"É preciso espaço de dois a três metros quadrados de área permeável no entorno da árvore para que ela absorva água e faça troca de gases. O espaço entre o muro e a árvore deve ser de 1,20 metro", explica Lombello. Durante o trajeto, verificou-se a existência de muitas árvores com pouca ou nenhuma área no entorno.

Outro ponto levantado pelo especialista é o porte da árvore que precisa ser adequado ao espaço. Quando houver fiação elétrica deve se plantar espécie de pequeno porte (até cinco metros), como os ipês roxo ou amarelo. Também há árvores nativas ou exóticas (vindas de outros países) de médio (entre cinco e 10 metros) e grande porte (acima de 10 metros).

Um indicativo de que a espécime está em local com boa qualidade do ar é a presença de liquens (crosta esverdeada gerada pela associação de fungos e algas), pois são extremamente sensíveis à poluição. Quanto mais houver, melhor está o ar.

‘É o aeroporto dos passarinhos', diz morador 

Desde quando se aposentou, há 28 anos, Genésio Lopes dos Reis, 81, se dedica a cuidar de plantas e das aves que visitam sua casa diariamente. Entre elas está a árvore que tem em frente de sua residência, no bairro Rudge Ramos, em São Bernardo, há três décadas e meia.

Apesar de não conhecer a espécie, cuidou do vegetal desde quando era apenas uma muda. "Logo que mudamos para cá (São Bernardo), eles (Prefeitura) plantaram a muda. Um caminhão chegou a passar por cima dela e eu mesmo recuperei", lembra o aposentado, referindo-se a árvore que já ultrapassou 10 metros de altura.

Segundo análise da foto do vegetal, é possível que seja uma tipuana. Sua copa, faz sombra em todo quintal da frente, onde há pé de maracujá, goiabeira, pata de vaca, e plantas ornamentais como samambaias.

Com tristeza no olhar, o ex-mecânico de bomba de combustível - nascido em Arceburgo, Minas Gerais, e que se mudou para a região por causa do trabalho - lamenta o descaso com a espécime. Suas raízes já danificaram o alicerce da casa e até a companhia de saneamento precisou trocar encanamento pelo mesmo motivo.

"A última vez que vieram foi há uns 10 anos. Não quero que tirem ela, basta podar e tirar um pouco das raízes. Afinal, ela é o aeroporto dos passarinhos. Sem ela, não teríamos essa sinfonia composta por eles", lembra Genésio, referindo-se ao cantar constante dos pássaros que vem e vão por entre os troncos da árvore.

Para atraí-los, Genésio põe banana, maçã, pêra e mamão em uma engenhoca feita por ele, um tipo de andaime pendurado em um carretel que vai até a copa do vegetal.

O Departamento de Parques e Jardins do município disse que realizará vistoria para avaliar a situação da árvore, que deve entrar no cronograma de serviços.



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Árvores revelam a vida na cidade

Deborah Moreira
Do Diário do Grande ABC

09/03/2011 | 07:02


Ipê, pau-ferro, quaresmeira, tipuana, sucupira, sibipiruna, guaxupita, falsa figueira. Você conhece as espécies vegetais plantadas nas calçadas da rua onde você mora? Sabe que elas absorvem poluentes como gás carbônico, e ajudam a resfriar as cidades, tornando-as mais agradáveis? Pois saiba, as árvores são fundamentais para a sobrevivência no planeta, dão sinais sobre seu estado e até sobre a qualidade do ar.

O Diário percorreu alguns bairros do Grande ABC acompanhado de biólogo que ajudou a conhecer e entender um pouco mais sobre as espécies encontradas nas calçadas da região e qual seu estado de conservação. O especialista encontrou de tudo: podridão nos troncos causada por parasitas (fungos); perda de nutrientes provocadas também por parasitas, como erva de passarinho; pragas, falta de planejamento e até maus tratos.

Com exceção de São Caetano, que fez um censo de árvores no final de 2010, nenhuma ourta prefeitura sabe quantos exemplares estão doentes.

São Caetano constatou que existem 18 mil espécimes em calçadas e, destas, 77 têm alguma doença, sem risco de queda. Em Santo André há 41.100 exemplares em 2.879.436 metros de calçadas. Em São Bernardo são 90 mil árvores em toda cidade. São 5.000 na área urbana de Ribeirão Pires. As demais não responderam.

O especialista em melhoramento vegetal e citogenética, Ricardo Lombello, da UFABC (Universidade Federal do ABC), ressalta que o plantio e manutenção são fundamentais para a durabilidade do exemplar. Por isso, é importante vistorias constantes, por equipe treinada. Uma poda mal feita compromete toda a estrutura e isso pode ser uma das causas de quedas de árvores durante tempestades.

Santo André, São Bernardo, São Caetano e Diadema informaram realizar vistorias com regularidade, além de atender solicitações de munícipes.

"É preciso espaço de dois a três metros quadrados de área permeável no entorno da árvore para que ela absorva água e faça troca de gases. O espaço entre o muro e a árvore deve ser de 1,20 metro", explica Lombello. Durante o trajeto, verificou-se a existência de muitas árvores com pouca ou nenhuma área no entorno.

Outro ponto levantado pelo especialista é o porte da árvore que precisa ser adequado ao espaço. Quando houver fiação elétrica deve se plantar espécie de pequeno porte (até cinco metros), como os ipês roxo ou amarelo. Também há árvores nativas ou exóticas (vindas de outros países) de médio (entre cinco e 10 metros) e grande porte (acima de 10 metros).

Um indicativo de que a espécime está em local com boa qualidade do ar é a presença de liquens (crosta esverdeada gerada pela associação de fungos e algas), pois são extremamente sensíveis à poluição. Quanto mais houver, melhor está o ar.

‘É o aeroporto dos passarinhos', diz morador 

Desde quando se aposentou, há 28 anos, Genésio Lopes dos Reis, 81, se dedica a cuidar de plantas e das aves que visitam sua casa diariamente. Entre elas está a árvore que tem em frente de sua residência, no bairro Rudge Ramos, em São Bernardo, há três décadas e meia.

Apesar de não conhecer a espécie, cuidou do vegetal desde quando era apenas uma muda. "Logo que mudamos para cá (São Bernardo), eles (Prefeitura) plantaram a muda. Um caminhão chegou a passar por cima dela e eu mesmo recuperei", lembra o aposentado, referindo-se a árvore que já ultrapassou 10 metros de altura.

Segundo análise da foto do vegetal, é possível que seja uma tipuana. Sua copa, faz sombra em todo quintal da frente, onde há pé de maracujá, goiabeira, pata de vaca, e plantas ornamentais como samambaias.

Com tristeza no olhar, o ex-mecânico de bomba de combustível - nascido em Arceburgo, Minas Gerais, e que se mudou para a região por causa do trabalho - lamenta o descaso com a espécime. Suas raízes já danificaram o alicerce da casa e até a companhia de saneamento precisou trocar encanamento pelo mesmo motivo.

"A última vez que vieram foi há uns 10 anos. Não quero que tirem ela, basta podar e tirar um pouco das raízes. Afinal, ela é o aeroporto dos passarinhos. Sem ela, não teríamos essa sinfonia composta por eles", lembra Genésio, referindo-se ao cantar constante dos pássaros que vem e vão por entre os troncos da árvore.

Para atraí-los, Genésio põe banana, maçã, pêra e mamão em uma engenhoca feita por ele, um tipo de andaime pendurado em um carretel que vai até a copa do vegetal.

O Departamento de Parques e Jardins do município disse que realizará vistoria para avaliar a situação da árvore, que deve entrar no cronograma de serviços.

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