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Série de peças desvenda problemas da contemporaneidade


Thiago Mariano
Do Diário do Grande ABC

13/01/2011 | 07:01


A partir de sexta, no Club Noir, na Capital, o diretor Roberto Alvim, da Cia Club Noir, reapresenta suas versões minimalistas para os textos do dramaturgo experimental norte-americano Richard Maxwell, com a série Tríptico.

Três peças - ‘Burger King', ‘Casa' e ‘O Fim da Realidade' - serão apresentadas sequêncialmente na sexta, sábado e domingo. A encenação chega a limites extremos minimalistas e discutem a alienação humana e o comportamento social do homem na contemporaneidade.

"Essas peças, que podem ser vistas separadas, juntas são arquetípicas. Elas compõem um panorama sobre o homem de hoje. Trabalho, família e violência são, cada um, o tema central de um texto. O que está insinuado na primeira história é desdobrado e aprofundado na segunda, sendo catapuldado para complexidades ainda maiores na terceira", contou Alvim ao Diário no lançamento dos espetáculo, em junho.

"O que percebi foi um olhar muito original, específico, sobre aspectos da nossa normalidade aparente. Todas as peças são escritas em linguagem muito expressiva, de aparente normalidade nas situações. Mas, através dos procedimentos artísticos criados por Maxwell, essa normalidade racha".

Cenicamente, o trabalho de transposição do texto para o palco foi grande. "Os textos dele são difíceis de assimilar. Não têm rubrica, é complicado encontrar a tradução cênica mais adequada para colocá-los em cena. As poéticas dele ficam muito fora do esquadro, são vultuosas, tortas. Hoje, acho que a gente descobriu uma maneira que me agrada muito, chegamos ao minimalismo mais radical porque a obra dele é assim também".

No primeiro texto, Burger King, a discussão se dá num ambiente corporativo de uma rede de lanchonete. A cena representa um local de alienação, onde a ordem são os clichês adotados pela gerência da casa. A situação vivida por todos se assemelha e remete, em determinados momentos, à ditadura de personagens como Hitler.

'Casa', que é apresentado aos sábados, conta a história de uma família pequeno-burguês e o perfeito cotidiano da casa de padrões normativos. A calmaria do lar se desfaz quando um desconhecido envade o espaço e mata o marido e o filho. A mulher, com a casa vazia, decide ocupá-la com o bandido.

'O Fim da Realidade' fala sobre uma sala de segurança que vira e mexe tem de lidar com as ameaças e a insegurança que vêm de fora.

"Nas personagens existe uma espécie de alienação de si mesmas que é tão brutal que é quase como se não houvesse subjetividade. O texto, a forma como eles saem da boca dos atores foi uma das coisas que ensaiamos bastante porque elas trabalham meio disassociadas. Há uma qualidade de zumbi nesses seres".

O grupo se destaca por privilegiar a força do texto, ressaltado pela imobilidade do elenco e pela iluminação sombria. A cenografia desse projeto conta com uma tela suja e rascunhada, que se desdobra em variações minimalistas para compor a ambientação de cada espetáculo. A iluminação não conta com refletores, mas com lâmpadas fluorescentes.



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Série de peças desvenda problemas da contemporaneidade

Thiago Mariano
Do Diário do Grande ABC

13/01/2011 | 07:01


A partir de sexta, no Club Noir, na Capital, o diretor Roberto Alvim, da Cia Club Noir, reapresenta suas versões minimalistas para os textos do dramaturgo experimental norte-americano Richard Maxwell, com a série Tríptico.

Três peças - ‘Burger King', ‘Casa' e ‘O Fim da Realidade' - serão apresentadas sequêncialmente na sexta, sábado e domingo. A encenação chega a limites extremos minimalistas e discutem a alienação humana e o comportamento social do homem na contemporaneidade.

"Essas peças, que podem ser vistas separadas, juntas são arquetípicas. Elas compõem um panorama sobre o homem de hoje. Trabalho, família e violência são, cada um, o tema central de um texto. O que está insinuado na primeira história é desdobrado e aprofundado na segunda, sendo catapuldado para complexidades ainda maiores na terceira", contou Alvim ao Diário no lançamento dos espetáculo, em junho.

"O que percebi foi um olhar muito original, específico, sobre aspectos da nossa normalidade aparente. Todas as peças são escritas em linguagem muito expressiva, de aparente normalidade nas situações. Mas, através dos procedimentos artísticos criados por Maxwell, essa normalidade racha".

Cenicamente, o trabalho de transposição do texto para o palco foi grande. "Os textos dele são difíceis de assimilar. Não têm rubrica, é complicado encontrar a tradução cênica mais adequada para colocá-los em cena. As poéticas dele ficam muito fora do esquadro, são vultuosas, tortas. Hoje, acho que a gente descobriu uma maneira que me agrada muito, chegamos ao minimalismo mais radical porque a obra dele é assim também".

No primeiro texto, Burger King, a discussão se dá num ambiente corporativo de uma rede de lanchonete. A cena representa um local de alienação, onde a ordem são os clichês adotados pela gerência da casa. A situação vivida por todos se assemelha e remete, em determinados momentos, à ditadura de personagens como Hitler.

'Casa', que é apresentado aos sábados, conta a história de uma família pequeno-burguês e o perfeito cotidiano da casa de padrões normativos. A calmaria do lar se desfaz quando um desconhecido envade o espaço e mata o marido e o filho. A mulher, com a casa vazia, decide ocupá-la com o bandido.

'O Fim da Realidade' fala sobre uma sala de segurança que vira e mexe tem de lidar com as ameaças e a insegurança que vêm de fora.

"Nas personagens existe uma espécie de alienação de si mesmas que é tão brutal que é quase como se não houvesse subjetividade. O texto, a forma como eles saem da boca dos atores foi uma das coisas que ensaiamos bastante porque elas trabalham meio disassociadas. Há uma qualidade de zumbi nesses seres".

O grupo se destaca por privilegiar a força do texto, ressaltado pela imobilidade do elenco e pela iluminação sombria. A cenografia desse projeto conta com uma tela suja e rascunhada, que se desdobra em variações minimalistas para compor a ambientação de cada espetáculo. A iluminação não conta com refletores, mas com lâmpadas fluorescentes.

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