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Bairro de S.Bernardo vive sob a sombra do seqüestro


Kléber Werneck
e Alexandre Hisayasu
Da Redaçao

13/08/2000 | 19:37


  Os moradores do Parque dos Pássaros, bairro nobre de Sao Bernardo, estao vivendo sob o domínio do medo há pelo menos seis meses. Seqüestros, roubos e até estupros têm acontecido com freqüência em suas ruas com nomes de aves silvestres. A presença do crime parece mais próxima com a assustadora intimidade que os bandidos demonstram com suas vítimas: em muitos casos, eles sabiam o nome e outras informaçoes sobre a família que era atacada. Os crimes têm causado um êxodo dos moradores, que estao procurando condomínios fechados e apartamentos em busca de segurança.

O comando do 6º Batalhao da Polícia Militar, de Sao Bernardo, pretende patrulhar o bairro usando a Cavalaria. Quem ainda resiste à vontade de se mudar está adotando medidas próprias de segurança. Um morador revelou que paga a quatro supostos criminosos para proteger sua residência. "Sao bandidos que conhecem os outros e, por isso, os afastam de minha casa", disse. Segundo esse morador, cada um recebe R$ 100 por semana pela proteçao.

A situaçao no bairro só ficou pública na semana passada, com o seqüestro do garoto J.V.J., 13 anos. A família teve de pagar cerca de R$ 116 mil para que ele fosse liberado. Em maio, a comerciante L.F.A.D., 43, também havia sido seqüestrada no bairro. "Tentamos abafar os casos para que os imóveis nao se desvalorizassem", admitiu o presidente da Comissao de Segurança do bairro, Amauri Ciccacio.

O empresário L.P., 50 anos, disse que mora na mesma rua de uma possível vítima dos seqüestradores. L. tirou os três filhos de uma faculdade de Sao Bernardo e os transferiu para uma universidade no interior do Estado. "Os meus filhos podem ser as próximas vítimas dos ataques desses criminosos, que agora estao atacando as crianças e adolescentes", disse o empresário, que já foi vítima de seqüestro-relâmpago. "Estava saindo do bairro, quando fui abordado. Os bandidos me colocaram no banco de trás, e fiquei deitado no assoalho enquanto eles sacavam dinheiro em caixas eletrônicos. Só quem já passou por isso sabe do que estou falando."

Na última sexta-feira, o empresário esteve no 3º Distrito Policial (responsável pela área) para comunicar essa ocorrência. "Nós o orientamos a tomar os devidos cuidados, como mudar os filhos de escola, já que podia ser um alvo da quadrilha", disse o delegado Gerson Peranovich.

Naquela mesma noite, em um espaço de tempo de apenas três horas, um assalto, duas tentativas e um seqüestro-relâmpago aconteceram no bairro, todos bem-sucedidos para os criminosos.



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