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Moto: problema ou solução?

A maioria das autoridades municipais enxerga a moto como um problema. Imaginem que mais de 1 milhão de motos circulam


Cristina Baddini

28/05/2010 | 00:00


A maioria das autoridades municipais enxerga a moto como um problema. Imaginem que mais de 1 milhão de motos circulam na Grande São Paulo, quase todas atuando na prestação de serviços de entregas. Lamentavelmente, muitas delas provocam acidentes e causam estresse tanto para os motociclistas como para os motoristas e pedestres, além de provocar danos à qualidade do ar. Todos nós, pouco a pouco e de maneira democrática, acabamos sendo envenenados. Tanto os ricos como os pobres, sejam homens ou mulheres, além das crianças. Todos respiramos as mesmas substâncias tóxicas produzidas. Milhares de óbitos e doenças respiratórias são causados pela poluição urbana, em boa parte das motocicletas. Será que realmente este veículo polui mais que o carro?
Hoje em dia sabemos que as motos novas já se enquadram nos mesmos limites de emissões de poluentes (NOx, CO, e HC) que os automóveis. Esse padrão de controle foi iniciado alguns anos atrás, quando a Cetesb elaborou, junto com as montadoras, proposta para o controle das emissões, com o estabelecimento do Promot (Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares), fixando datas e metas objetivas visando o controle das emissões de poluentes das motocicletas. Esta proposta foi baseada nas legislações vigentes na Europa resultando no estabelecimento dos primeiros limites de emissão que vigoraram a partir de janeiro de 2003.

Perspectivas
Um ponto positivo para as motos é que elas já estão entrando na era flex e já podem operar com álcool, gasolina ou mistura desses combustíveis em qualquer proporção. Esta alternativa implica em maior benefício para o meio ambiente sob o ponto de vista da redução da emissão dos gases que provocam o efeito estufa.
Ainda no tocante à contaminação atmosférica, com a introdução de catalisadores e injeção eletrônica, as motocicletas novas atingiram níveis ainda mais baixos de poluição, comparáveis aos veículos leves de passageiros. Entretanto, com a intensa operação destes veículos e a falta de manutenção adequada, continuamos observando altas emissões, uma vez que nem todos os motociclistas controlam periodicamente as suas máquinas, gerando maior contaminação em face das inadequadas condições mecânicas das motos em circulação. Propõe-se ao Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) que regulamente a durabilidade das emissões em 18 mil quilômetros rodados pelos veículos, como ocorre na União Europeia.
E mesmo sendo atualmente objeto de programas de controle, as motocicletas ainda representam desvantagens ambientais em relação a outros modos de transporte. O volume de emissão por passageiro transportado em motocicletas, para os poluentes atmosféricos mais críticos, é quatro vezes maior que o gerado por um ônibus para material particulado, 27 vezes maior para o HC e 2,5 vezes de CO2. Vale lembrar que um ônibus circulando equivale à retirada das ruas de 27 automóveis e 40 motocicletas. É ainda relevante mencionar que espaço ocupado por 27 carros e 40 motos é três vezes maior que o espaço ocupado por um ônibus.
A grande questão é projetar quando serão substituídas as antigas motos, e não é menor o desafio se objetivarmos o estabelecimento de normas e regras de fiscalização mais eficientes sobre as condições de pilotagem urbana que, só em 2009, causaram 428 vítimas fatais entre os motociclistas da Grande São Paulo.



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Moto: problema ou solução?

A maioria das autoridades municipais enxerga a moto como um problema. Imaginem que mais de 1 milhão de motos circulam

Cristina Baddini

28/05/2010 | 00:00


A maioria das autoridades municipais enxerga a moto como um problema. Imaginem que mais de 1 milhão de motos circulam na Grande São Paulo, quase todas atuando na prestação de serviços de entregas. Lamentavelmente, muitas delas provocam acidentes e causam estresse tanto para os motociclistas como para os motoristas e pedestres, além de provocar danos à qualidade do ar. Todos nós, pouco a pouco e de maneira democrática, acabamos sendo envenenados. Tanto os ricos como os pobres, sejam homens ou mulheres, além das crianças. Todos respiramos as mesmas substâncias tóxicas produzidas. Milhares de óbitos e doenças respiratórias são causados pela poluição urbana, em boa parte das motocicletas. Será que realmente este veículo polui mais que o carro?
Hoje em dia sabemos que as motos novas já se enquadram nos mesmos limites de emissões de poluentes (NOx, CO, e HC) que os automóveis. Esse padrão de controle foi iniciado alguns anos atrás, quando a Cetesb elaborou, junto com as montadoras, proposta para o controle das emissões, com o estabelecimento do Promot (Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares), fixando datas e metas objetivas visando o controle das emissões de poluentes das motocicletas. Esta proposta foi baseada nas legislações vigentes na Europa resultando no estabelecimento dos primeiros limites de emissão que vigoraram a partir de janeiro de 2003.

Perspectivas
Um ponto positivo para as motos é que elas já estão entrando na era flex e já podem operar com álcool, gasolina ou mistura desses combustíveis em qualquer proporção. Esta alternativa implica em maior benefício para o meio ambiente sob o ponto de vista da redução da emissão dos gases que provocam o efeito estufa.
Ainda no tocante à contaminação atmosférica, com a introdução de catalisadores e injeção eletrônica, as motocicletas novas atingiram níveis ainda mais baixos de poluição, comparáveis aos veículos leves de passageiros. Entretanto, com a intensa operação destes veículos e a falta de manutenção adequada, continuamos observando altas emissões, uma vez que nem todos os motociclistas controlam periodicamente as suas máquinas, gerando maior contaminação em face das inadequadas condições mecânicas das motos em circulação. Propõe-se ao Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) que regulamente a durabilidade das emissões em 18 mil quilômetros rodados pelos veículos, como ocorre na União Europeia.
E mesmo sendo atualmente objeto de programas de controle, as motocicletas ainda representam desvantagens ambientais em relação a outros modos de transporte. O volume de emissão por passageiro transportado em motocicletas, para os poluentes atmosféricos mais críticos, é quatro vezes maior que o gerado por um ônibus para material particulado, 27 vezes maior para o HC e 2,5 vezes de CO2. Vale lembrar que um ônibus circulando equivale à retirada das ruas de 27 automóveis e 40 motocicletas. É ainda relevante mencionar que espaço ocupado por 27 carros e 40 motos é três vezes maior que o espaço ocupado por um ônibus.
A grande questão é projetar quando serão substituídas as antigas motos, e não é menor o desafio se objetivarmos o estabelecimento de normas e regras de fiscalização mais eficientes sobre as condições de pilotagem urbana que, só em 2009, causaram 428 vítimas fatais entre os motociclistas da Grande São Paulo.

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