Fechar
Publicidade

Terça-Feira, 11 de Agosto

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Cultura & Lazer

cultura@dgabc.com.br | 4435-8364

Sinfônica de Santo André destaca jovens talentos


Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

23/06/2006 | 08:57


A Orquestra Sinfônica de Santo André realiza concertos gratuitos neste sábado e domingo, às 20h, no Teatro Municipal de Santo André (pça. IV Centenário, s/nº. Tel.: 4433-0789). No programa, dedicado a compositores pouco interpretados no Brasil, quem aprecia a música erudita poderá conferir o poema sinfônico Comala, de Alexandre Levy (1864-1892), o Concerto nº 5, em lá menor, de Henry Vieuxtemps (1820-1881); e Sinfonia nº10, em mi menor, de Dmitri Shostakovich (1906-1975). Os ingressos devem ser retirados no local, a partir das 19h.

Os concertos terão como solista convidado o violinista Igor Sarudiansky, que já se apresentou à frente das mais conceituadas orquestras nacionais, entre elas a de Câmara Villa-Lobos, com a qual gravou três CDs, e o Quarteto Amazônia, que se apresentou em Roma, Viena, Praga, Budapeste, entre outras capitais européias. Igor também estudou com instrumentistas renomados como Chaim Taub, Shlomo Mintz e Isaac Stern.

“É um dos grande nomes da nova geração do violino brasileiro. Tem uma carreira brilhante pela frente”, definiu o regente da Sinfônica, Flávio Florence, que ressaltou a importância de levar ao grande público obras quase desconhecidas no país.

Florence cita como exemplo o compositor Alexandre Levy, que considera “bastante enigmático”. “Ele morreu cedo, mas sua obra revela traços de genialidade e deixa a gente sempre pensando no que mais ele teria feito. Poderia ter sido o maior compositor brasileiro de todos os tempos”, analisa o regente.

Filho de imigrantes de origem franco-suíça, Levy cresceu em um ambiente repleto de música. Seu pai era proprietário da conhecida Casa Levy, a principal loja de instrumentos e partituras musicais da época e ponto de encontro de artistas brasileiros e estrangeiros de passagem pela cidade.

Aos nove anos, deu seu primeiro concerto e, aos 16, publicou sua primeira obra, uma composição para dois pianos, influenciada pela ópera O Guarany, de Carlos Gomes (1836-1896). Sete anos mais tarde, viajou para a Europa, onde teve a oportunidade de conhecer as mais variadas tendências musicais e literárias.

Em 1890, ao retornar para São Paulo, escreveu Comala, que será executada pela primeira vez, após a recuperação de suas partituras, feita pelo projeto Memória Musical, com curadoria do violinista alemão Erich Lehninger, constante colaborador da Sinfônica. Morreu de maneira enigmática, aos 28 anos, durante uma refeição em família.

Precoce – Assim como Levy, o belga Vieuxtemps foi precoce e começou a estudar violino na infância com o pai. Fez seu primeiro concerto aos seis anos e teve uma carreira bem-sucedida como instrumentista. Segundo especialistas, sua fama só era superada pelo virtuoso Paganini (1782-1840). A trajetória do compositor foi pontuada por acontecimentos trágicos. Em 1873, sofreu um derrame, início de uma série de complicações que resultariam em sua morte, oito anos depois em uma sanatório na Argélia.

O Concerto nº 5 em lá menor foi escrito em 1861, especialmente para o Conservatório de Bruxelas.

Política – A produção musical e a opressão política se confundem nos temas do russo Dmitri Shostakovich, que nas décadas de 40 e 50, teve de prestar contas ao poderoso Partido Comunista. Em 1948, o então ministro da cultura Andrei Jdanov chamou os principais compositores da Rússia para doutriná-los politicamente.

Conforme o ministro, os compositores representavam “as tendências mais perversas e anti-democráticas como o culto ao atonalismo, dissonância, discórdia e combinações neuróticas que acabam por transformar a música em cacofonia”. Resultado: Shostakovich passou os cinco anos seguintes sem escrever nenhuma sinfonia.

A Sinfonia nº 10 em mi menor foi composta após este hiato, que coincide com a morte do ditador Joseph Stálin (1879-1953). Sob a batuta de Evgeni Mravinsky, a obra estreou em dezembro de 1953.

Shostakovich nunca confirmou, mas há musicólogos que garantem que o segundo movimento – os quatro minutos mais escabrosos de todo o repertório sinfônico – é uma alusão a Stálin, que se tornou conhecido pela truculência utilizada contra seus inimigo políticos. “Não ter tocado Shostakovich antes é uma dívida que a Sinfônica de Santo André tem com seu público. Faço até um mea culpa”, ressalta Florence.


Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Sinfônica de Santo André destaca jovens talentos

Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

23/06/2006 | 08:57


A Orquestra Sinfônica de Santo André realiza concertos gratuitos neste sábado e domingo, às 20h, no Teatro Municipal de Santo André (pça. IV Centenário, s/nº. Tel.: 4433-0789). No programa, dedicado a compositores pouco interpretados no Brasil, quem aprecia a música erudita poderá conferir o poema sinfônico Comala, de Alexandre Levy (1864-1892), o Concerto nº 5, em lá menor, de Henry Vieuxtemps (1820-1881); e Sinfonia nº10, em mi menor, de Dmitri Shostakovich (1906-1975). Os ingressos devem ser retirados no local, a partir das 19h.

Os concertos terão como solista convidado o violinista Igor Sarudiansky, que já se apresentou à frente das mais conceituadas orquestras nacionais, entre elas a de Câmara Villa-Lobos, com a qual gravou três CDs, e o Quarteto Amazônia, que se apresentou em Roma, Viena, Praga, Budapeste, entre outras capitais européias. Igor também estudou com instrumentistas renomados como Chaim Taub, Shlomo Mintz e Isaac Stern.

“É um dos grande nomes da nova geração do violino brasileiro. Tem uma carreira brilhante pela frente”, definiu o regente da Sinfônica, Flávio Florence, que ressaltou a importância de levar ao grande público obras quase desconhecidas no país.

Florence cita como exemplo o compositor Alexandre Levy, que considera “bastante enigmático”. “Ele morreu cedo, mas sua obra revela traços de genialidade e deixa a gente sempre pensando no que mais ele teria feito. Poderia ter sido o maior compositor brasileiro de todos os tempos”, analisa o regente.

Filho de imigrantes de origem franco-suíça, Levy cresceu em um ambiente repleto de música. Seu pai era proprietário da conhecida Casa Levy, a principal loja de instrumentos e partituras musicais da época e ponto de encontro de artistas brasileiros e estrangeiros de passagem pela cidade.

Aos nove anos, deu seu primeiro concerto e, aos 16, publicou sua primeira obra, uma composição para dois pianos, influenciada pela ópera O Guarany, de Carlos Gomes (1836-1896). Sete anos mais tarde, viajou para a Europa, onde teve a oportunidade de conhecer as mais variadas tendências musicais e literárias.

Em 1890, ao retornar para São Paulo, escreveu Comala, que será executada pela primeira vez, após a recuperação de suas partituras, feita pelo projeto Memória Musical, com curadoria do violinista alemão Erich Lehninger, constante colaborador da Sinfônica. Morreu de maneira enigmática, aos 28 anos, durante uma refeição em família.

Precoce – Assim como Levy, o belga Vieuxtemps foi precoce e começou a estudar violino na infância com o pai. Fez seu primeiro concerto aos seis anos e teve uma carreira bem-sucedida como instrumentista. Segundo especialistas, sua fama só era superada pelo virtuoso Paganini (1782-1840). A trajetória do compositor foi pontuada por acontecimentos trágicos. Em 1873, sofreu um derrame, início de uma série de complicações que resultariam em sua morte, oito anos depois em uma sanatório na Argélia.

O Concerto nº 5 em lá menor foi escrito em 1861, especialmente para o Conservatório de Bruxelas.

Política – A produção musical e a opressão política se confundem nos temas do russo Dmitri Shostakovich, que nas décadas de 40 e 50, teve de prestar contas ao poderoso Partido Comunista. Em 1948, o então ministro da cultura Andrei Jdanov chamou os principais compositores da Rússia para doutriná-los politicamente.

Conforme o ministro, os compositores representavam “as tendências mais perversas e anti-democráticas como o culto ao atonalismo, dissonância, discórdia e combinações neuróticas que acabam por transformar a música em cacofonia”. Resultado: Shostakovich passou os cinco anos seguintes sem escrever nenhuma sinfonia.

A Sinfonia nº 10 em mi menor foi composta após este hiato, que coincide com a morte do ditador Joseph Stálin (1879-1953). Sob a batuta de Evgeni Mravinsky, a obra estreou em dezembro de 1953.

Shostakovich nunca confirmou, mas há musicólogos que garantem que o segundo movimento – os quatro minutos mais escabrosos de todo o repertório sinfônico – é uma alusão a Stálin, que se tornou conhecido pela truculência utilizada contra seus inimigo políticos. “Não ter tocado Shostakovich antes é uma dívida que a Sinfônica de Santo André tem com seu público. Faço até um mea culpa”, ressalta Florence.

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;