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Tupy demite 500 dos 750 funcionários

Reprodução Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Trabalhadores da fábrica em Mauá receberam
telegramas; metalúrgica atribui cortes à crise


Flavia Kurotori
Especial para o Diário

16/05/2017 | 07:30


A fábrica Fundição Tupy, em Mauá, começou a enviar telegramas de demissão ontem aos funcionários, que estavam em férias coletivas desde o dia 2. Conforme informações da mensagem entregue aos empregados via Correios, os desligamentos são uma resposta à crise econômica do País, que fez com que ela ajustasse sua atuação na cidade.

Segundo o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, Sivaldo Pereira, o Espirro, que também é funcionário da Tupy, mais de 500, dos 750 funcionários, já teriam recebido o comunicado. Para se ter uma ideia, em 2012 a fábrica contava com cerca de 1.450 trabalhadores, ou seja, em cinco anos reduziu seu efetivo quase que pela metade. Ainda de acordo com o sindicalista, “alguns telegramas avisavam sobre o prolongamento por mais 30 dias das férias coletivas” – aos 250 restantes.

O afastamento remunerado terminaria no dia 22, segunda-feira. Esta, no entanto, agora é a data da rescisão do contrato de trabalho de aproximadamente 67% da força de trabalho da Tupy na região, que produz blocos e cabeçotes de motor para caminhões.

Aciclino Dias de Oliveira, 56 anos, trabalhava como mecânico de manutenção na fábrica havia 17 anos e foi pego de surpresa com a notícia. “Ninguém sabia de nada, estava todo mundo em férias coletivas”, afirma. “A maioria dos meus colegas também recebeu o comunicado, infelizmente.”

A princípio, as férias coletivas foram justificadas por necessidade de manutenção das máquinas, explica Espirro. “O boato de que haveria demissões e até mesmo o fechamento da fábrica era constante, mas parece que agora vai se concretizar”, completa. Segundo o sindicalista, a empresa, que tem sede em Joinville (Santa Catarina), constantemente ameaça fechar a filial de Mauá, uma vez que na cidade-matriz os gastos com salários, benefícios e custos de exportação, devido à proximidade com o Porto de Navegantes, são menores.

O sindicato afirma que entrou em contato com a Tupy para marcar reunião hoje, às 9h, a fim de negociar a situação dos trabalhadores e manter a empresa no Grande ABC. Até o fechamento desta edição, no entanto, a empresa não havia confirmado se compareceria. “Foi uma sacanagem o que fizeram, pois sequer avisaram o sindicato das demissões”, desabafa Espirro.

Em nota, a metalúrgica garante que não vai encerrar as atividades e que “está ajustando o quadro da unidade de Mauá, em resposta à situação adversa do mercado.” E também que, “como forma de conduzir adequadamente a transição dos funcionários, e em linha com sua tradição de cuidar das pessoas, a Tupy está negociando com o sindicato da categoria um pacote adicional aos direitos trabalhistas”.

Um dos operários que pediram para não ser identificado afirma que a empresa anunciou aos funcionários que suspenderia suas atividades, temporariamente, por dois anos. A informação, entretanto, não foi confirmada pelo sindicato e foi negada pela metalúrgica, que garantiu que não fechará as portas em Mauá.

De acordo com Oliveira, mecânico de manutenção, “a empresa Tupy não é ruim”, mas nos últimos dois ou três anos a administração mudou. “Por conta de trabalharmos em ambiente de risco, muitas pessoas adoecem e acabam ingressando com ação trabalhista. Por isso, os administradores cansaram e começaram a demitir, e a ameaçar ir para Joinville”, relata.

Ele ainda conta que, justamente por trabalhar em ambiente insalubre, tem direito à aposentadoria especial, mas afirma que a empresa rejeitou por duas vezes entregar documento que comprove essas condições. “Agora, vou tentar pela Justiça. É o que me resta”. Além disso, Oliveira teme pelos próximos dias, já que sua mulher está com exames marcados para realização de cirurgia que, segundo ele, será cancelada por falta do convênio médico.

VENDAS E PRODUÇÃO - O segmento de caminhões é um dos que mais sofrem com a crise econômica, porém, já atravessou dias piores nos dois últimos anos.

De acordo com a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), o licenciamento de caminhões encerrou abril com 3.500 unidades, queda de 15,5% na comparação com março, e de 17,4% em relação ao mesmo período do ano passado. O primeiro quadrimestre de 2017 registra a comercialização de 13,1 mil unidades, baixa de 24,1% ante as 17,3 mil unidades de 2016.

Levantamento da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) mostra que a produção dos pesados ficou estável no mês passado em relação a março, quando 5.900 caminhões saíram das fábricas. Já sobre as 5.200 unidades de abril de 2016, o resultado foi 13,5% maior. No acumulado deste ano, a indústria produziu 21,6 mil caminhões, 6,5% mais em comparação às 20,3 mil do ano anterior. (Colaborou Gabriel Russini) 



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