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Publicado em sábado, 25 de outubro de 2003 às 17:53

Trágico assalto a banco em S.Caetano completa 20 anos


Danilo Angrimani
Do Diário do Grande ABC

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Vinte anos atrás, o Grande ABC vivia uma de suas maiores tragédias. Era Dia das Bruxas, 31 de outubro de 1983. Às 11h20, sete homens invadiram a agência do Banco Itaú do número 432 da rua Taipas, no bairro Barcelona, em São Caetano. Os clientes foram transformados em reféns. A polícia chegou em seguida.

No momento de maior tensão dentro da agência, uma menininha, no colo de sua mãe, começou a chorar. Um bandido mandou a criança ficar quieta. “Manda essa praga calar a boca, senão eu mato.”

Como a garotinha continuasse chorando, ele disparou. A mãe colocou o corpo na frente do revólver, para proteger a criança. A bala atingiu a mãe nas costas, atravessou o coração, transfixiou o corpo da mulher e atingiu o bebê na cabeça.

A polícia invadiu o banco e houve intensa troca de tiros. Quando a fumaça baixou, cinco bandidos estavam mortos. Também estava morta a professora de balé Laura Thomé Tomareveski, 23 anos, e sua filha, Talita, de 8 meses. Dois clientes tinham sido feridos (um deles ficou paraplégico) e quatro policiais militares também haviam sido alvejados.

A bailarina Laura era mulher do estudante do último ano de engenharia da FEI (Faculdade de Engenharia Industrial) Vladímer Tomareviski, na época com 25 anos. Eles tinham se casado havia dois anos. A imprensa assediou Vladímer para tentar arrancar alguma declaração emocional, mas, surpreendendo a todos, ele estava calmo, perdoou os criminosos e pregou a não-violência, com base nos ensinamentos recebidos da Igreja Batista.

Vinte anos depois, Vladímer continua religioso e tranqüilo. Aos 45 anos, ele vive em Timbó, cidade industrial de Santa Catarina, onde dirige uma empresa multinacional de autopeças. Ele casou-se novamente e tem três filhos. Daquele 31 de outubro de 1983, lembra-se “como se estivesse acontecendo agora”.

Ele conta: “Eu estava almoçando na casa da minha mãe, que fica perto do banco. Uns 15 minutos atrás, eu havia deixado a minha mulher, a Talita e a minha sogra na porta do banco. A Laura ia depositar um cheque e pagar uma prestação de um terreno. A TV Globo interrompeu a programação normal. Entrou aquela música do plantão e veio o aviso do assalto, com vítimas. Senti que poderia ser ela. Em seguida, tocou o telefone. Era um amigo meu, dizendo que tinha acontecido uma tragédia”.

Vladímer recorda-se de ter corrido ao banco, de ter ido ao pronto-socorro e de sua entrada desastrosa por uma porta errada: “Fiquei frente a frente com os corpos dos cinco assaltantes, perfurados de balas”. Ele deu a volta e, em outra sala, identificou o cadáver de sua mulher.

“Saí correndo de lá, porque me diziam que a Talita estava viva, mas quando entrei na Beneficência, descobri que ela havia chegado morta.” Em um curto intervalo de tempo, Vladímer havia perdido a mulher e a filha. “Fiquei em estado de choque. Não lembro se chorei. Eu sentia um silêncio dentro de mim. Não pensava em me vingar de alguém, mas apenas aquele silêncio e uma pergunta: o que vou fazer sem elas?”

Lembranças – A bailarina Diva Thomé, 44 anos, percorre a sala ampla, rodeada de espelhos e barras da escola de danças, que ela dirige, em São Caetano. Diva é casada, tem cinco filhos e, ao contrário de sua irmã Laura, sobreviveu a um assalto em uma agência bancária. “Quando os bandidos entraram armados, eu comecei a rezar para a minha mãe não perder outra filha nas mesmas circunstâncias.”

Duas décadas mais tarde, Diva faz um balanço dos efeitos do assalto frustrado à agência da rua Taipas: “Minha mãe nunca mais voltou a ser a mesma. Ela ficou estranha. Só ia à igreja e ao cemitério. Perdeu a vontade das coisas. Mudou completamente.”

Diva diz que, às vezes, sente a presença da irmã: “Uma madrugada, eu desci para fazer a mamadeira para a minha filha. Eram 3 horas. Estava na cozinha e vi a minha irmã ao meu lado. Falei: Oi, Laura‘. De manhã, o telefone tocou às 7h e avisaram que uma aluna minha tinha morrido às 3 horas, na mesma hora que a minha irmã apareceu para mim”.

Homenagem – A cidade de São Caetano homenageou as duas vítimas fatais daquele 31 de outubro. Uma praça foi batizada com o nome de Talita e a Escola Municipal de Bailado chama-se agora Laura Thomé.



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