
Comprometimento e coerência. Foram com estas palavras que o técnico Dunga definiu os 23 escolhidos para representar a Seleção Brasileira na Copa do Mundo da África do Sul. O comandante, que divulgou a lista no início da tarde desta terça-feira, deixou fora os garotos do Santos Paulo Henrique Ganso e Neymar, Adriano, do Flamengo, e Ronaldinho Gaúcho, do Milan.
"Minha coerência é com os fatos", disse o treinador, que explicou o motivo de deixar os jovens do Peixe fora da lista. "Avalio os jogadores quando estão na Seleção. Claro que acompanho nos clubes. Mas para levar para a Copa tem que testar". Tanto Ganso quanto Neymar não vestiram a camisa amarela do time principal.
O treinador até reconheceu o talento dos santistas, mas ressaltou que ambos despontaram somente em fevereiro, além de não estar preocupado com o futuro. "Minha obrigação é com o hoje. Tenho que ganhar hoje. Não tenho que levar para ganhar experiência para 2014", disparou.
Ao mesmo tempo, ele disse que o lobby pela convocação por determinados jogadores não o incomoda. "O lobby por jogadores não me deixa frustrado, não me deixa irritado. Fico feliz porque mostra que todos querem jogar na seleção".
Sobre o Imperador Adriano, Dunga afirmou que o atleta recebeu várias chances e que precisou pensar no coletivo, em uma referência velada aos problemas fora de campo do atacante do Flamengo nos últimos meses.
Dunga também ressaltou o que para ele representa a grande conquista de seu período à frente da seleção, que teve início em agosto de 2006: o comprometimento. "O maior ganho na seleção até o momento é a paixão, a vontade dos jogadores de vestir a camisa da seleção".
"O torcedor voltou a estar perto da seleção", afirmou, antes de lembrar as conquistas da Copa América em 2007, da Copa das Confederações em 2009 e a classificação com três rodadas de antecedência para o Mundial da África do Sul, assim como as vitórias sobre Argentina e Uruguai fora de casa.
Dunga ainda apelou para o patriotismo, que disse ter aprendido com a mãe, que foi professora de História e Geografia. "Jogador tem que ter patriotismo", disse. "Mesmo que o torcedor não goste de mim, que goste do país", completou em forma de apelo.
O técnico também reafirmou a confiança no grupo que conseguiu formar nos últimos anos e disse que os jogadores convocados podem atuar em qualquer posição.
Ao ser questionado sobre a situação de Kaká, jogador do Real Madrid afetado por lesões nos últimos meses, ele ressaltou que tanto ele como Robinho devem ser protagonistas. E aos que dizem que a convocação foi conservadora, o treinador foi taxativo: "O conservadorismo deu certo".
O Brasil está no Grupo G da Copa e estreia no dia 15 de junho contra a Coreia do Norte. Cinco dias depois enfrenta a Costa do Marfim e no dia 25 do mesmo mês encerra a participação na primeira fase contra Portugal.
A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) deve divulgar ainda nesta terça-feira em seu site oficial a lista de sete jogadores excedentes exigida pela Fifa para o caso de alguma lesão.
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