HQ Personagem passa por reviravolta em Vermelho, Vivo

As normalidades do cotidiano podem ser boas para algumas pessoas. Mas as mesmices do dia a dia também são capazes de fazer certos indivíduos perderem as estribeiras da razão. São nesses momentos que a verdadeira personalidade de certos personagens é revelada.
Nas inquietações dos mesmos lugares por quais passamos diariamente e o encontro com as caras de sempre estão presentes nossa estagnação. As experiências pessoais se misturam com o estresse e se tornam elementos capazes de potencializar esse vulcão psicológico de pessoas comuns na trilha por algum tipo de reação.
A bancária Clara é exemplo desse tipo de reação ao mundo comum e sua curta história serve de base para 'Vermelho, Vivo' (Devir, 48 páginas, R$ 18,50). A trama é escrita por Cristina Judar, que leva o público por viagem mental da protagonista a partir do momento no qual o roubo de um batom implica na reviravolta que ela tanto procura.
O ponto de vista da autora faz com que algumas questões sobre o tratamento das mulheres na sociedade sejam levantadas nas páginas da HQ. Ao lidar com essas complicadas preocupações, a personagem principal de cabelos vermelhos se deixa entregar a esse microuniverso de pequenos furtos que, para ela, lhe trará a liberdade que busca desde a infância.
Os desenhos são assinados por Bruno Auriema. Os traços chamam mais a atenção ao se desenvolverem nos devaneios da reação de Clara em seu contato com o famigerado utensílio feminino do que ao interpretar cenários da cidade de São Paulo, caso da região do Vale do Anhangabaú.
Sem novidades
Cristina Judar apresenta visão peculiar do cotidiano da personagem Clara, que conta com elementos o bastante para se passar por uma pessoa real. Ela está no perigoso ponto no qual apresenta coragem o bastante para movimentar o chato dia a dia. Mas os questionamentos da protagonista não diferem muito de outros já apresentados em tantas HQs espalhadas pelo mercado.
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