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Ciclos econômicos


Sebastián Alejandro Barrueco Escobar

21/09/2014 | 07:03


As preocupações da maioria dos economistas nas suas projeções são com o curto prazo. E diversos motivos determinam essa apreensão: políticos, devido à eleição em outubro; econômicos, relacionados com o crescimento ou decrescimento das principais variáveis agregadas, como o PIB (Produto Interno Bruto); inflação; juros; câmbio; salários; desemprego; e, obviamente, a procura de culpados já, seja o atual governo ou os pretéritos.

As ideias de estagnação, recessão e depressão econômica surgem de maneira aleatória para explicar a evolução das variáveis mencionadas acima, entretanto, com uma visão de curtíssimo prazo; se apelar ao dicionário Aurélio como maneira simples de entender esses conceitos, nos deparamos com as seguintes definições: “Estagnação: situação em que não há crescimento do produto nacional e do emprego. Recessão: período de declínio na taxa de crescimento econômico, contudo menos severo do que uma depressão. Depressão: período de declínio acentuado no nível da atividade produtiva e do emprego.”

O termo utilizado na atualidade é “estagnação econômica” ou “recessão técnica”, esta última sendo a queda do PIB durante dois trimestres seguidos, que cria alguns problemas de interpretação da análise das variáveis enunciadas. Para descomplicar, consideremos que os conceitos de estagnação e recessão econômica sejam análogos, isto posto, podemos apelar à definição do NBER (National Bureau of Economic Research), que utiliza vários indicadores: uma recessão econômica é “um período repetido de declínio da produção, renda, emprego e comércio, cuja duração geralmente é de seis meses a um ano, e é marcada pelas contrações de muitos setores da economia”.

As economias capitalistas crescem de forma tendencial ao longo do tempo, e este crescimento não é suave, as variáveis fundamentais oscilam em torno desta tendência e essas oscilações são conhecidas como “ciclos econômicos”. Schumpeter identifica quatro etapas para um ciclo econômico: boom, recessão, depressão e recuperação. Em relação ao tempo de duração, podemos mencionar os “ciclos de Juglar”, entre sete e 10 anos, com flutuações do PIB, da inflação e do desemprego, os “ciclos de Kuznets”, de 15 a 20 anos, relacionados aos setores da construção e de transportes, por último, podemos mencionar os “ciclos de Kondratiev”, com duração de 50 anos, os setores analisados foram a indústria têxtil, de ferro, aço e maquinas. Outros autores pré-keynesianos, monetaristas, keynesianos e pós-keynesianos também estudaram o comportamento cíclico das economias capitalistas.

Acreditamos que o movimento cíclico das economias capitalistas e as contribuições teóricas dos autores mencionados podem ser de estimável valia para pensar o Brasil de longo prazo, associado ao desenvolvimento econômico que requer mudanças estruturais e institucionais. Segundo Wilson Cano, alguns economistas, acadêmicos, empresários e políticos sofrem de alienação “curtoprazista”, isto é, não se preocupam com o longo prazo, que é o espaço temporal factível para utilizar as contribuições não só dos teóricos dos ciclos, se não também dos economistas brasileiros que propõem a abordagem do “novo desenvolvimentismo”.

As dificuldades para pensar o desenvolvimento econômico são muitas, e abrangem vastos setores da economia, segundo Cano. Em termos muito gerais, ideias e objetivos de crescimento, emprego e melhoria de vida, comungam interesses dos diferentes segmentos sociais. Mas, quando se explicita que desenvolvimento significa não só crescimento, mas mudanças estruturais que exigem distintas formas de tributação, apropriação e distribuição da renda e alocação do excedente, os conflitos sociais emergem e o economista precisa entender que essa questão transcende a economia e se insere fortemente no campo da política e da sociologia. 



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Ciclos econômicos

Sebastián Alejandro Barrueco Escobar

21/09/2014 | 07:03


As preocupações da maioria dos economistas nas suas projeções são com o curto prazo. E diversos motivos determinam essa apreensão: políticos, devido à eleição em outubro; econômicos, relacionados com o crescimento ou decrescimento das principais variáveis agregadas, como o PIB (Produto Interno Bruto); inflação; juros; câmbio; salários; desemprego; e, obviamente, a procura de culpados já, seja o atual governo ou os pretéritos.

As ideias de estagnação, recessão e depressão econômica surgem de maneira aleatória para explicar a evolução das variáveis mencionadas acima, entretanto, com uma visão de curtíssimo prazo; se apelar ao dicionário Aurélio como maneira simples de entender esses conceitos, nos deparamos com as seguintes definições: “Estagnação: situação em que não há crescimento do produto nacional e do emprego. Recessão: período de declínio na taxa de crescimento econômico, contudo menos severo do que uma depressão. Depressão: período de declínio acentuado no nível da atividade produtiva e do emprego.”

O termo utilizado na atualidade é “estagnação econômica” ou “recessão técnica”, esta última sendo a queda do PIB durante dois trimestres seguidos, que cria alguns problemas de interpretação da análise das variáveis enunciadas. Para descomplicar, consideremos que os conceitos de estagnação e recessão econômica sejam análogos, isto posto, podemos apelar à definição do NBER (National Bureau of Economic Research), que utiliza vários indicadores: uma recessão econômica é “um período repetido de declínio da produção, renda, emprego e comércio, cuja duração geralmente é de seis meses a um ano, e é marcada pelas contrações de muitos setores da economia”.

As economias capitalistas crescem de forma tendencial ao longo do tempo, e este crescimento não é suave, as variáveis fundamentais oscilam em torno desta tendência e essas oscilações são conhecidas como “ciclos econômicos”. Schumpeter identifica quatro etapas para um ciclo econômico: boom, recessão, depressão e recuperação. Em relação ao tempo de duração, podemos mencionar os “ciclos de Juglar”, entre sete e 10 anos, com flutuações do PIB, da inflação e do desemprego, os “ciclos de Kuznets”, de 15 a 20 anos, relacionados aos setores da construção e de transportes, por último, podemos mencionar os “ciclos de Kondratiev”, com duração de 50 anos, os setores analisados foram a indústria têxtil, de ferro, aço e maquinas. Outros autores pré-keynesianos, monetaristas, keynesianos e pós-keynesianos também estudaram o comportamento cíclico das economias capitalistas.

Acreditamos que o movimento cíclico das economias capitalistas e as contribuições teóricas dos autores mencionados podem ser de estimável valia para pensar o Brasil de longo prazo, associado ao desenvolvimento econômico que requer mudanças estruturais e institucionais. Segundo Wilson Cano, alguns economistas, acadêmicos, empresários e políticos sofrem de alienação “curtoprazista”, isto é, não se preocupam com o longo prazo, que é o espaço temporal factível para utilizar as contribuições não só dos teóricos dos ciclos, se não também dos economistas brasileiros que propõem a abordagem do “novo desenvolvimentismo”.

As dificuldades para pensar o desenvolvimento econômico são muitas, e abrangem vastos setores da economia, segundo Cano. Em termos muito gerais, ideias e objetivos de crescimento, emprego e melhoria de vida, comungam interesses dos diferentes segmentos sociais. Mas, quando se explicita que desenvolvimento significa não só crescimento, mas mudanças estruturais que exigem distintas formas de tributação, apropriação e distribuição da renda e alocação do excedente, os conflitos sociais emergem e o economista precisa entender que essa questão transcende a economia e se insere fortemente no campo da política e da sociologia. 

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