Empregos
Ricardo Trida/DGABC

Enganam-se aqueles que acreditam que o mercado só aceita profissionais que concluíram, ou cursam, o Ensino Superior. A busca por técnicos cresce a cada dia. Só no Grande ABC, há deficit de 960 deles todos os anos, e esse número tende a crescer.
A formação técnica de nível médio nas mais diversas áreas da engenharia e indústria continua a mais adequada para qualquer estudante se encontrar profissionalmente e garantir sua ascensão na área escolhida, afirma o técnico em eletrotécnica e diretor do Sintec-SP (Sindicato dos Técnicos Industriais do Estado de São Paulo), Wilson Vieira Junior.
Segundo ele, multinacionais dos segmentos de petróleo e gás, controle e processos industriais, infraestrutura, recursos naturais, produção industrial e outros eixos tecnológicos buscam de várias maneiras uma fórmula para despertar entre os jovens o interesse por seus segmentos. "A Petrobras é um exemplo prático destas ações, com o programa Profissões de Futuro. A companhia leva até o jovem palestras informativas a respeito do seu segmento, as demandas em curto prazo de profissionais técnicos, bem como suas competências e atribuições."
De acordo com o diretor do Sintec-SP, até 2015, devem surgir mais de 50 mil vagas ao ano para técnicos na indústria de petróleo, gás e energia e também no segmento naval (indústria naval e estaleiros).
Atualmente, no Grande ABC há mais de 5.000 profissionais atuantes, devidamente registrados perante o Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo). No Estado, há cerca de 97 mil. "Esse número representa 34% dos profissionais de engenharia em São Paulo. Na prática o montante é maior, já que muitos exercem sua profissão sem o devido registro profissional. Estamos, inclusive, trabalhando para reverter esta situação", conta Vieira Junior.
Ele explica que uma das vantagens do registro é o recolhimento das ART (Anotações de Responsabilidade Técnica), ante o Conselho Profissional, de desempenho de cargo e função, com a emissão da certidão de acervo técnico. Ou seja, o profissional tem em mãos um currículo com fé pública, documento emitido pelo Crea-SP, com as funções exercidas durante o período do seu contrato de trabalho.
SALÁRIO
De acordo com levantamento do Sintec-SP, vários setores da indústria mantêm empregados técnicos com salários superiores aos de muitos trabalhadores formados em Ensino Superior. Outras áreas também absorvem esses especialistas com remunerações generosas. É o caso do segmento de saneamento básico, que acolhe alguns técnicos da área industrial por remunerações que variam entre R$ 2.600 e R$ 7.800.
FUTURO
Atualmente, a Fentec (Federação Nacional dos Técnicos Industriais) representa mais de 440 mil profissionais no País. Todos eles registrados no sistema Confea/Crea's. No entanto, o presidente da entidade e do Sintec-SP, o técnico em edificações Wilson Wanderlei Vieira, admite que há preocupação grande a respeito do Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego), que visa criar 8 milhões de vagas em cursos técnicos de formação profissional.
"O Ensino Técnico não é apenas uma forma de qualificar pedreiros, pintores, cozinheiros, camareiras ou jardineiros. Ele combina o conhecimento geral, a prática específica e a qualificação necessária para fazer frente na indústria do conhecimento, na sofisticação tecnológica, no crescimento humano e profissional de nossos jovens e colaborar sensivelmente com o crescimento econômico de nosso País", contextualiza o presidente da Federação.
Grande ABC oferece 30 cursos diferentes
t Aos jovens estudantes que optarem por seguir a carreira técnica não faltará opções de cursos na região. O técnico em eletrotécnica e diretor do Sintec-SP (Sindicato dos Técnicos Industriais do Estado de São Paulo), Wilson Vieira Junior, afirma que o Grande ABC conta com 30 cursos que contemplam dez habilitações profissionais relacionadas aos segmentos da engenharia e indústria.
"Por semestre são 1.600 profissionais a mais na região, em média. A procura por cursos de mecatrônica e edificações é de 16,5 e 13,77 inscritos por vaga, respectivamente, segundo os dados do processo seletivo 2013 das Etecs (Escolas Técnicas Estaduais) Lauro Gomes e Julio de Mesquita. Foram 7.977 inscritos disputando 1.400 vagas disponíveis", diz Vieira Júnior.
No entanto, mesmo com vasta opção, 6.577 alunos, teoricamente, não tiveram oportunidade de cursar o nível técnico. Segundo Vieira Junior, para atender à demanda destes cursos, a categoria sugere a ampliação de vagas nas escolas sem alterar a qualidade do ensino. "Defendemos o estudo de viabilidade e a importância para implantação de uma Escola Técnica Federal na região, que está carente de educação profissional e tecnológica com qualidade", abrevia.
Dos alunos que se formam semestralmente no Grande ABC, mais de 90% já estão atuando no mercado de trabalho. Para se ter ideia da demanda das empresas por profissionais técnicos, a proporção em algumas áreas da engenharia é de sete técnicos para um engenheiro. "Não resta dúvidas de que essa é uma área em plena expansão. Queremos mostrar que o ensino superior tem seu valor. Nada impede o profissional de cursar uma graduação, no entanto, o técnico dá bagagem na prática e com o trabalho é possível, inclusive, pagar a faculdade, pela rápida inserção no mercado", pontua o técnico. TM
Centros públicos somam 1.478 postos nas sete cidades
t Empresas da região e de municípios vizinhos estão com carência de mão de obra principalmente no comércio e setor de serviços. Nesta semana os centros públicos de emprego reúnem 1.478 postos de trabalho. Vale lembrar que as vagas de todos os centros da região são cadastradas em um mesmo sistema, podendo haver duplicidade de oportunidades.
Os destaques são para os cargos de operador de telemarketing, atendente de lanchonete, promotor de vendas, repositor de mercadorias e auxiliar de limpeza. As duas unidades do CPETR (Centro Público de Emprego, Trabalho e Renda) de Santo André somam 1.242 postos, seguidas do CPETR de Mauá, com 236. O CPETR de Diadema e a CTR (Central de Trabalho e Renda) não se pronunciaram nesta semana.
Interessados devem comparecer aos centros públicos com carteira de trabalho, RG e CPF, das 8h às 17h, de segunda a sexta-feira. Outra opção é se cadastrar pela web (www.maisemprego.mte.gov.br). TM
Serviço: CTR de São Bernardo (Rua Marechal Deodoro, 2.316, Centro); CPETR de Santo André (Avenida Artur de Queirós, 720, Casa Branca ou Rua Sigma, 300, Vila Mazzei); CPETR de Diadema (Rua Professora Vitalina Caiafa Esquível, 101, Centro) e CPETR de Mauá (Rua Manoel Pedro Júnior, 45).
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