Primeiro semestre Em média, a cada três horas, um aparelho é subtraído; SSP diz que fiscaliza, mas números continuam aumentando
FOTO: André Henriques/DGABC

O furto de aparelhos de medição de água, conhecidos como hidrômetros, aumentou 48% em um ano no Grande ABC. Segundo dados da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), foram 1.457 ocorrências entre janeiro e junho de 2026, contra 981 no mesmo período do ano passado. A média regional é de um equipamento subtraído a cada três horas.
Presente em comércios, condomínios e residências, o hidrômetro é um equipamento essencial para a rede de abastecimento. Sua função é medir o volume de água consumido, garantindo uma cobrança precisa, além de auxiliar na identificação de possíveis vazamentos e outras irregularidades no sistema.
De acordo com a companhia, esse tipo de crime gera prejuízos que vão além da perda material. A retirada do hidrômetro pode provocar o desperdício de litros de água tratada, comprometer o abastecimento da região e exigir intervenções emergenciais para restabelecer o fornecimento.
No dia 13, a Sabesp confirmou um caso de furto de hidrômetro após uma denúncia feita pelo Diário. O crime ocorreu na Avenida Padre Manuel de Nóbrega, número 140, no Centro de Santo André, onde o rompimento do equipamento provocou um grande vazamento e deixou a via tomada pela água.
A pressão na tubulação fez com que o jato de água atingisse grande altura, formando uma espécie de chuva sobre o local. Uma equipe da companhia foi acionada e realizou os reparos necessários para solucionar o problema.
A advogada e especialista em Direito e Processo Penal, Heloisa Gagliotti, explicou que o aumento de casos pode estar relacionado à alta do preço dos materiais. “O furto de hidrômetros está diretamente relacionado à venda dos equipamentos para ferros-velhos. A maioria dos dispositivos é fabricada com latão, um metal de valor comercial, e cada unidade pesa cerca de um quilo, o que torna a prática atrativa para criminosos. Atualmente, o quilo do latão pode ser vendido por valores entre R$ 20 e R$ 35 nesses estabelecimentos, que acabam sendo utilizados como destino para esse tipo de material”, comentou.
Segundo a especialista, o aumento dos casos também está relacionado à facilidade de execução do delito. “Os criminosos já desenvolveram técnicas para retirar esses dispositivos instalados em casas, estabelecimentos comerciais e condomínios, locais onde, geralmente, os itens ficam mais expostos e com acesso facilitado pela via pública”, explicou Heloisa.
A Sabesp destacou a importância do registro do Boletim de Ocorrência, que contribui para as investigações e auxilia na identificação dos responsáveis, além de permitir o monitoramento e a vistoria de áreas com maior concentração de casos.
FISCALIZAÇÃO
Em nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) ressaltou que a Polícia Civil realiza ações para identificar eventuais receptores, por meio da fiscalização em ferros-velhos e locais suspeitos de armazenar materiais furtados, visando combater o furto dos aparelhos de água.
“A Pasta reforça que o registro do boletim de ocorrência é fundamental tanto para a investigação dos casos, quanto para o mapeamento das áreas com maior incidência criminal. Com base nesses dados, o policiamento ostensivo é reorientado”, concluiu.
Apesar disso, o Grande ABC vem enfrentando um aumento no número de casos. No primeiro semestre de 2024, foram 858 registros, ou seja, alta de 14% em relação a 2025 .Para efeito de comparação, no mesmo período de 2019 foram registrados 397 aparelhos, conforme divulgado pelo Diário na época.
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