Turismo Titulo ALEMANHA

Show de bola dentro
e fora dos gramados

Quando o assunto é turismo, o time formado
por cidades da Alemanha também é imbatível

Heloísa Cestari
17/07/2014 | 07:32
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DZT/Divulgação
DZT/Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Ainda curtindo a ressaca dos litros de cerveja entornados para brindar o tetracampeonato da Copa do Mundo e a poucos meses de celebrar os 25 anos da queda do Muro de Berlim (ocorrida em 9 de novembro de 1989), a Alemanha nunca se viu tão unida e feliz. Enquanto o Brasil depositava suas expectativas em Neymar e a Argentina ostentava Messi, a equipe europeia, harmonicamente regida pela batuta do técnico Joachim Löw, revelou ter um time completo, tão uníssono quanto os lados oriental e ocidental de seu país, sem estrelas de maior grandeza, mas com uma constelação de jogadores centrados, que passaram a atuar juntos desde 2006 como protagonistas de um vitorioso plano de renovação do futebol germânico. A colheita veio neste domingo, com a taça do Mundial após um jejum de 24 anos, e novamente sobre a Argentina – para deleite da maioria verde-amarela, já conformada com a goleada nas semifinais. "Ganhamos de 7 a 1 do anfitrião e a tristeza era muito grande neste País, mas quando saímos do estádio para ir ao aeroporto, em um percurso que levou uma hora, milhares de brasileiros estavam nas calçadas batendo palmas. Quando chegamos ao nosso centro de treinamento, vimos as pessoas segurando cartazes e bandeiras da Alemanha. Foi algo indescritível, impressionante, isso entranha na pele", declarou Löw.

E não é só dentro do universo das quatro linhas que alemães e brasileiros se entendem. Desde a realização da Copa de 2006, a terra de Einstein, do chucrute e da Bundesliga vem registrando número crescente de turistas tupiniquins. “Na época, o maior problema do governo alemão era desmistificar a imagem de que seu povo era frio e antipático com estrangeiros. O resto era fácil, porque já tinham bons estádios e um excelente sistema de transporte para acolher bem os torcedores. No Brasil, ocorre exatamente o inverso: falta infraestrutura e sobra simpatia por parte da população”, observou a diretora de representação do marketing do DZT (Centro de Turismo Alemão) no Brasil, Margaret Grantham, durante evento de apresentação dos planos do turismo nas chamadas Magic Cities, ano passado, em São Paulo.


Na ocasião, o ex-jogador de futebol Paulo Sérgio, que atuou no Corinthians e no Bayern de Munique, elencou três características que fizeram a Alemanha marcar um gol de placa na acolhida aos turistas em 2006 e que, agora, soam algo profético após a conquista da taça: disciplina, seriedade e união. “Os alemães quebraram o tabu de serem pessoas frias porque, para vencer a Copa, todos se uniram, até mesmo o governo”, ressaltou o atleta.
Os números do turismo comprovam que a campanha germânica de outrora – sob o slogan de “um mundo entre amigos” - surtiu resultado não apenas dentro dos gramados: de 2003 a 2012, o departamento registrou um salto de 276% no volume de pernoites de hóspedes brasileiros, e a estimativa é de que, em números absolutos, esse índice vá de 695 mil em 2012 para 830 mil em 2020, com crescimento médio de 8,5% ao ano. “A Alemanha está sempre inovando”, justifica Margaret. E é esta capacidade de se reinventar que, aliada à cultura e história, tem atraído milhares de turistas para o berço de Michael Schumacher e Franz Beckenbauer. Segundo a diretora do DZT, o PIB turístico compete com o PIB automobilístico na economia alemã, levando os cofres do país a arrecadar cerca de US$ 850 bilhões por ano. Foi com base nesses números que o turismo não se sentiu tão ameaçado durante a crise econômica que assolou o Velho Continente a partir de 2010.

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E o fluxo de visitantes deverá crescer ainda mais neste ano, com as comemorações dos 25 anos de reunificação. A largada para o longo calendário de atrações culturais foi dada no início do verão – como o inverno costuma ser rigoroso por lá, os alemães fazem questão de celebrar os dias quentes com a alegria de quem revê um irmão saudoso – e culminará em 9 de novembro, quando o país deverá parar para lembrar a queda do Mauer, considerada um dos mais memoráveis eventos da história germânica. Naquela noite fria do outono de 1989, Günter Schabowski, funcionário do governo da Alemanha Oriental, anunciou que “os deslocamentos permanentes poderiam ser feitos através de todos os postos de fronteira entre os dois lados”. Ressabiados, os moradores se aproximaram das barreiras que separavam a parte oriental da ocidental e as cruzaram livremente.


Para celebrar a data, Leipzig promoverá um festival de luzes entre 9 e 12 de outubro e fará uma oração de paz na Igreja de São Nicholas, onde 70 mil pessoas se manifestaram pacificamente em outubro de 1989, após vigília, gritando “Wir sind das Volk” (“Nós somos pessoas”) e “Keine Gewalt (Sem violência”), insurgindo uma onda de protestos a favor da reunificação.


Mas a maior parte dos eventos, claro, se concentrará em Berlim, que reassumiu o papel de capital do país desde a queda do muro que dividia o ocidente capitalista e o oriente socialista. Depois de se embebedarem sob as colunas do Portão de Brandemburgo para festejar o triunfo em cima dos argentinos na final da Copa, os berlinenses celebrarão a revolução pacífica nos tempos de Guerra Fria com diversas manifestações artísticas e festividades. Um dos destaques da programação será no dia 9 de novembro, quando uma instalação composta por milhares de luzes e balões de gás Hélio será colocada ao longo da antiga fronteira do muro, como símbolo de esperança para um mundo sem divisões. A iluminação terá cerca de 12 quilômetros de comprimento e atravessará a região central do município durante todo o fim de semana, para que moradores e visitantes possam caminhar ao longo da parede imaginária e visualizar sua extensão. No mesmo dia, Berlim abrirá a exposição permanente 25 Anos da Queda do Muro.

OUTRAS ATRAÇÕES
Guerra Fria à parte, a lista de eventos em Berlim conta com opções para os mais variados ''''paladares'''': vai desde a mostra internacional sobre a carreira do camaleão David Bowie (até 10 de agosto, no Martin-Groupius-Bau) e a tradicional Semana de Arte da cidade (de 16 a 21 de setembro) até uma exposição sobre as mais recentes descobertas arqueológicas sobre o mundo dos vikings (de 10 de setembro a 4 de janeiro) e a atmosfera pulsante da Semana de Música de Berlim (3 a 7 de setembro), com feiras internacionais, festas em boates e shows ao vivo em vários pontos da capital.


Os aficionados por esportes também poderão conferir as competições do campeonato europeu de natação (de 13 a 24 de agosto) e a 41ª edição da Maratona de Berlim BMW, que reúne 40 mil corredores, handbikers e patinadores de 120 países (27 a 28 de setembro).

MUNIQUE
Responda rápido: o que os heróis do tetra alemão Thomas Müller, Bastian Schweinsteiger e Mario Götze têm em comum com o holandês Robben e o brasileiro Dante? Além de terem defendido as camisas de seus países nesta Copa, todos eles jogam pelo Bayern de Munique, o mais tradicional clube do futebol germânico, que encabeça a lista de vencedores da Bundesliga, com 24 títulos. E o caso de amor da cidade com a `redondinha` não vem de hoje. Além de sediar os Jogos Olímpicos de 1972, no Estádio Olímpico, a capital da Bavária foi palco da partida inaugural da Copa de 2006, no futurista Fröttmaning, e abrigou a final do Mundial da Fifa de 1974 – quando a Alemanha sagrou-se bicampeã do mundo batendo a Holanda por 2 a 0. Se para os conterrâneos o local é sinônimo de vitória, para os brasileiros não traz boas lembranças: foi lá, no Estádio Olímpico de Munique, que a Seleção Canarinho deixou escapar o terceiro lugar para a Polônia, perdendo por 1 a 0.


Mas a cidade, localizada no Sudeste do país, com fácil acesso rodoviário e ferroviário, também é famosa pelo caráter cultural acentuado e por ser o berço da Oktoberfest, a tradicional festa da cerveja, que neste ano será realizada entre os dias 20 de setembro e 5 de outubro.


Considerada o terceiro maior município do país (com 1,2 milhão de habitantes) e talvez a mais bonita capital da Alemanha, Munique forma um mosaico de ambientes: possui atmosfera histórica, com suntuosos palácios e castelos, além de uma rica diversidade cultural, com incontáveis endereços para se ouvir boa música, comprar livros e apreciar obras de arte.


Para desfrutar o que o destino tem de melhor, inicie o passeio pela margem esquerda do Rio Isar, que corta a cidade ao meio. É neste lado que tudo acontece. A dica é começar percorrendo a Neuhauser Strasse, rua exclusiva de pedestres. O ponto de partida é a Praça Karlsplatz, que ostenta famosos chafarizes e está sempre cheia de turistas com suas máquinas fotográficas em punho. Da praça (e de quase todos os cantos) avista-se um dos símbolos mais conhecidos de Munique: as torres gêmeas com abóbadas verdes da Igreja Frauenkirche. Seguindo em direção ao rio chega-se até ela, onde está a tumba do imperador Ludwig da Bavária. Todos os dias, as famosas torres do templo religioso dão show à parte, atraindo centenas de pessoas na praça para apreciar o Glockenspiel, carrilhão situado no alto da fachada principal. São nada menos que 43 sinos executando uma harmoniosa sinfonia três vezes por dia: às 11h, 12h e 17h. Os sinos são grandes bonecos de madeira que se movem conforme a música.


Um pouco mais à frente está a Praça Marienplatz, que desde a fundação da cidade, em 1158, é considerada o centro geográfico e social de Munique. Hoje ela pertence à Neues Hathaus (prefeitura), que fica localizada ali mesmo, na praça. O prédio, em estilo neogótico, é decorado com estátuas dos reis da Bavária. Os pátios no interior, abertos ao público, abrigam restaurantes e exposições.


Ao longo da Neuhauser Strasse encontra-se a parte comercial da metrópole. Duas gigantes lojas de departamento, a Hertie e a Galeria Kaufhof, merecem atenção especial. Elas concentram um pouco de tudo, de roupas a excelentes refeições - uma ótima pedida entre os pratos típicos alemães, como torta de cebola, peixes, couve crespa com linguiça, pães, massas e a tão falada salsicha frita com chucrute.


Os imponentes palácios são outro marco da capital. O Nymphenburg, que fica no Noroeste da cidade, deve estar no topo da lista de visitas. O castelo, erguido no ano de 1664, em estilo barroco, era a residência de verão dos reis da Bavária (território independente até a unificação da Alemanha, em 1871), e onde nasceu o rei Ludwig II. Entre seus extensos atrativos estão valiosas telas de mestres da pintura, louças imperiais e uma numerosa coleção de carruagens.


Tem também o Residenz, palácio urbano com mais de 100 quartos reais abertos ao público. Não deixe de percorrer o Grotenhof, jardim com uma fonte de bronze, e o Antiquarium, biblioteca enfeitada com bustos gregos e romanos.


Mas se a intenção for desviar da rota turística e conhecer os costumes de Munique, deve-se fazer um passeio pelo Englischer Garten (Jardim Inglês). O parque, construído em 1789 e com 373 hectares, gaba-se de ser uma das maiores áreas verdes existentes em meio a cidades do mundo inteiro. Munique possui ainda quatro orquestras sinfônicas, duas casas de ópera, mais de 20 teatros, muitos museus, uma universidade e incontáveis cervejarias, uma em cada esquina. Ou seja, há muito o que se fazer em Munique entre uma jogada de gênio de Robben, um ataque de Müller e uma defesa brilhante de Manuel Neuer.

LEIPZIG
No Fausto, de Goethe, o personagem Frosch apelida Leipzig de Pequena Paris. Puro eufemismo! A dinâmica cidade da Alemanha Oriental é muito mais divertida e menos pretensiosa que a capital francesa, mesmo tendo se destacado durante séculos no cenário cultural. Afinal, além dos gramados do Zentralsation, o quintal de Bach também é a terra natal de Wagner e onde Mendelssohn Bartholdy regeu a academia de música - o que rendeu à cidade acervos preciosos que resgatam a memória destes gênios da arte, a exemplo do Museu Bach e da Mendelssohn-Haus.


Ainda hoje, uma das maiores orquestras de música clássica (a Gewandhausorchester) e o mais antigo coro de meninos do mundo (o Thomanechor, de 800 anos) continuam a emocionar o público.
Para ligar os pontos principais da história musical da cidade, a prefeitura lançou em 2012 uma nova rota turística, chamada Leipziger Notenspur.


O divertimento de alta classe também é garantido na Opera House e na taberna frequentada pelo personagem de Goethe, Auerbachs Keller. Mas o cenário cultural não se restringe as estes espaços. Entre os dias 1 e 10 de agosto, por exemplo, a cidade será palco do Leipzig Classic Open. O promotor de concertos Peter Degner garante que estrelas famosas aportarão no município e entusiasmarão os fãs da música erudita durante o evento, quando a Praça do Mercado será transformada em uma área de concertos ao ar livre. Já em setembro, os destaques do calendário ficam a cargo do evento gastronômico Le Gourmet (dias 5 a 7), da Schumann Festival Week (6 a 14) e do Mendelssohn Festival (11 a 21).

HANNOVER
Há quem diga que Hannover é um local sem atrativos. Grande injustiça. A cidade, que luta para se desvencilhar da imagem de mera praça de eventos, tem teatros, museus e edifícios de arquitetura belíssima, além de diversas áreas verdes. E por frequentemente sediar congressos e feiras, exibe uma infraestrutura de dar inveja, principalmente no que diz respeito a transportes. A prova de que Hannover tem, sim, muitos encantos é a linha vermelha pintada em suas calçadas com o objetivo de guiar os visitantes, por mais de quatro quilômetros, pelos principais pontos turísticos da cidade. Um deles é a Praça do Mercado (Marktplatz), que, junto com a prefeitura velha (construída entre 1439 e 1455) e a Igreja do Mercado (Marktkirche), fica no Centro Histórico (Altstadt). Típicas do lugar são as Nanas, grandes esculturas em forma de mulheres coloridas e gordas, criadas pela artista francesa Niki de Saint Phalle.


Os jardins de Hannover também merecem destaque, principalmente os do Castelo de Herrenhausen, de estilo barroco, que sediarão até 20 de setembro a 24 edição da international Firework Competition, em que equipes de alto nível fazem apresentações de fogos de artifício de tirar o fôlego na atmosfera barroca. Igualmente curiosa é a nova Tropenhaus (Estufa Tropical), que desde 1996 substitui a antiga Estufa das Palmeiras, destruída na 2ª Guerra Mundial. Plantas amazônicas, claro, não faltam por lá.

COLÔNIA BRASILEIRA
Desde a Copa de 2006, o verde-amarelo do Brasil impera em Colônia. Eleito cidade-sede da torcida canarinho em solo germânico, o município mantém várias adaptações criadas na época especialmente para fazer os brasileiros se sentirem em casa, como bares com cardápios em português – sem falar nos animados carnavais que promove em fevereiro. De acordo com levantamento da Prefeitura, a região abriga cerca de 12 mil pessoas que falam português, embora apenas 2.000 estejam legalmente no país. Além disso, Colônia tem academias de capoeira, bandas folclóricas, grupos de teatro e restaurantes genuinamente brasileiros, como o paulista Café Brasil, e apresenta uma mistura de raças semelhante à do povo brasileiro.


Outra vantagem é a localização. Devido ao seu posicionamento estratégico na malha ferroviária alemã, que utiliza o moderno trem ICE, os turistas podem deslocar-se com relativa facilidade tanto para outras localidades germânicas quanto para importantes capitais europeias, como Bruxelas (Bélgica), Amsterdã (Holanda) e Paris (França).
De quebra, Colônia ainda oferece diversos castelos medievais, museus famosos, vinhedos, passeios românticos pelo Rio Reno, uma rua só de lojas com as principais grifes internacionais e, claro, muitos bares para se bebericar a tradicional cerveja Kölsch.


A tradição futebolística também não fica de lado. Tanto que o primeiro campeão da Bundesliga foi o Colônia, em 1964. Não à toa, há quase 90 anos, foi inaugurado no bairro Müngersdorf um campo para desportos com 55 hectares - na época, a maior instalação esportiva desse tipo na Europa. Foi nesse local que se ergueu o RheinEnergie Stadion, remodelado duas vezes. Hoje, a arena, ultramoderna, tem mais de 46 mil cadeiras.
Para os fãs do esporte também é imprescindível conhecer o museu Deutsches Sport & Olympia, que conta a história dos Jogos Olímpicos. Ao lado, fica outro acervo: o do Chocolate, com detalhes sobre o cultivo do cacau, o significado cultural do doce e sua fabricação. De dar água na boca!


Já a Catedral de Colônia é a maior da Alemanha. Sua construção levou 600 anos para ser concluída, sendo mais tarde, em 1996, reconhecida como Patrimônio da Humanidade e marco principal da cidade, que ainda conta com 12 igrejas romanas localizadas no Centro; a Filarmônica (uma das principais salas de concertos do continente, com cerca de 400 eventos ao ano) e a Kölarena, a maior casa de espetáculos do país.

DORTMUND
Se futebol e cerveja têm tudo a ver, em Dortmund a festa é sempre boa. A cidade, salpicada de cervejarias e bares, é dona de um dos mais importantes templos do futebol do mundo: o Westphalia Stadion, que tem capacidade para 83 mil pessoas. Na casa do Borussia Dortmund – arquirrival do Bayern de Munique - aconteceu um jogo de más recordações para os brasileiros na Copa do Mundo de 1974, quando Rivelino, Jairzinho e companhia tiveram o sonho da taça eliminado pela Holanda. De lá para cá, muita coisa mudou: no passado, apenas 45 países disputaram as eliminatórias; agora, são quase 200 que brigam pelas 32 vagas. Para garantir que nenhum espectador tivesse a visão de jogo obstruída, as colunas internas de sustentação do estádio foram substituídas por oito estruturas de 62 m de altura na parte de fora. O amarelo berrante reforça o futurismo da escolha.


Mas também há muito o que se ver fora do circuito esportivo. As quatro igrejas medievais no Centro contam a história do lugar, que tem mais de 1.100 anos. Os 30 relevos e 633 esculturas entalhados em carvalho da igreja de St. Peter e os belos altares de St. Mary e Propstei são algumas das riquezas encerradas pelas casas sacras. Pecado mesmo, porém, é não conferir a vista que se descortina da torre do sino de St. Reinhold. Faz valer cada um dos 207 degraus até o alto. Completam o roteiro turístico o cassino West Spiel, o maior da Alemanha; as minas de carvão que abrigam exibições permanentes sobre a realidade dos trabalhadores; o Museu de Arte e História Cultural; e a Dasa, exibição de saúde e segurança no trabalho que é uma espécie de exposição interativa: os visitantes podem, por exemplo, sentar-se na cabine do piloto de um Airbus, trabalhar no maior laptop do mundo ou ver velhos teares em ação. Esportes, jogos de azar, cultura, história: tem de tudo um pouco na cidade do Borussia.

NUREMBERG
Em Nuremberg, o futebol confunde-se com a própria história da cidade. Muitos habitantes se orgulham de dizer que os gramados foram inventados por lá, em 1503, quando Dürer pintou sua famosa aquarela O Torrão de Gramado. Além disso, o Franken-Stadion, premiado em 1928 como o estádio mais belo do mundo, cumpre com todas as normas mais exigentes da Fifa. Mesmo assim, recebeu 56,2 milhões de euros em investimentos desde que a cidade foi confirmada entre as anfitriãs do Mundial de 2006. Além do universo da bola, o estádio fica dentro do parque de Dutzenteich, onde se pode nadar, passear, praticar esportes ou bebericar uma cerveja com amigos em algum dos inúmeros jardins.


Fundada na Idade Média, Nuremberg possui até hoje os cinco quilômetros de muralhas que cercavam a Cidade Velha, embora grande parte tenha sido reconstruída depois da Segunda Guerra Mundial. Xodó de Hitler, o lugar viu prédios públicos serem erguidos para celebrações e congressos do Partido Nazista. Nem o Franken-Stadion escapou, passando a ser palco de uma grande reunião anual da juventude hitlerista e recinto de concentrações em massa de glorificação do Führer. Quando a guerra acabou, o estádio, que tem todas as cadeiras vermelhas, foi ocupado por tropas norte-americanas. Aqueles que quiserem mergulhar um pouco mais a fundo na história do nazismo podem visitar, depois de assistir a uma partida, o Centro de Documentação do Recinto de Concentrações do Partido Nacional-Socialista. Fica bem perto do Franken-Stadion.


Outra opção é o Museu de Design. Dizem que Albrecht Dürer, Adam Kraft e Veit Stoss criaram famosas obras em Nuremberg. Também é dentro das muralhas da Cidade Velha que se concentram as igrejas, bares e restaurantes de Nuremberg. Uma boa oportunidade de provar as tradicionais salsichas assadas sobre madeira de faia, o crocante schäufele, a carpa, os aspargos da Francônia e, na sobremesa, beliscar o doce que garante à cidade o título de Capital do Pão-de-mel. E antes de retornar ao Brasil, não deixe de dar uma passadinha na famosa Fonte dos Desejos. Todos que passam por ali giram um anel no alto de uma cerca que protege a fonte e fazem os pedidos. Talvez resida aí um dos segredos da seleção comandada pelo técnico Joachim Löw...

KAISERSLAUTERN
Mais modesta que as demais cidades, porém não menos interessante, é Kaiserslautern. Com pouco mais de 100 mil habitantes, é terra de uma torcida fervorosa, os diabos vermelhos, apaixonados pelo FC Kaiserslautern. O clube, com mais de 10 mil associados, participou 16 vezes da Copa da Europa e foi campeão alemão quatro vezes. A morada dessa gente é o Fritz Walter Stadion, construído em 1920. O estádio, com 48 mil lugares, leva o nome do capitão da seleção da Alemanha campeã do mundo em 1954 e passou por uma reforma orçada em 48,3 milhões de euros em 2006.


Grande produtora de vinhos, a região fica na Floresta do Palatinado, por onde se distribuem riachos de água límpida e formações rochosas peculiares. Afora as riquezas naturais, a cidade reserva também ao visitante preciosidades históricas, como as fundações e passagens secretas que restaram do palácio construído pelo imperador (Kaiser) Frederico Barbarossa entre os anos de 1151 e 1158. Pertinho dali fica o castelo do conde e caçador Johann Casimir, erguido em 1571. O prédio da igreja protestante Collegiate é outro que merece ser visto. O Centro Histórico, destruído durante a Segunda Guerra por concentrar grande parque industrial, teve de ser todo renovado.


A praça principal, Sankt Martinsplatz, remonta ao século 14, com a igreja de São Martinho e o portão histórico. Mas não se deixe enganar pelo clima idílico: o pólo concentra multinacionais como Opel, Spectra Precision (produz ferramentas a laser) e Corning Keramik (fibra ótica).

GELSENKIRCHEN
Gelsenkirchen. O nome, se complicado, já é familiar para os mais afeitos às notícias do futebol. Terra do tradicional Schalke 04, a cidade é a vaidosa proprietária da moderníssima Arena AufSchalke, que tem capacidade para mais de 60 mil pessoas e recebeu a cotação máxima (cinco estrelas) da Fifa. Pudera: não bastasse o teto retrátil, o campo, inaugurado em 2001, ainda tem um gramado que desliza para dentro ou para fora do estádio, conforme a necessidade de exposição ao sol. Tecnologia que custou a bagatela de 192 milhões de euros e convive com castelos medievais belíssimos, como o Horst, o Berge (de jardins diversos, como o de ervas, o de contos de fadas e o de dálias) e o Wasserburg, abertos à visitação.


No Musiktheater im Revier, a arquitetura alemã do pós-guerra é cenário para apresentações de dança, música e teatro. Para aumentar o paradoxo entre novo e antigo, a cidade ainda abriga o RhineElbe Science Park and Technology Centre, que concentra pesquisas nas áreas de biotecnologia, informática, comunicações e principalmente no desenvolvimento da energia solar ­ a Alemanha é um dos países que mais exploram este segmento no mundo.

FRANKFURT
Conhecida como a Manhattan Europeia, Frankfurt tem a cara e o ritmo de metrópole financeira. A cidade respira negócios desde o gigantesco aeroporto até o topo dos arranha-céus (o maior, Commerzbank, tem 300 m de altura). Mas também é farta em contrastes entre o ontem e o hoje. No coração da cidade, por exemplo, fica a sede do Banco Central Europeu, fundada por romanos no século I. A praça Römerberg é cercada por prédios medievais. As primeiras construções datam de 1405. Uma graça. A parada obrigatória, porém, é a casa onde nasceu o escritor Johan Wolfgang von Goethe e o museu a ele dedicado, ambos abertos a visitação. Museu, por sinal, é o que não falta na cidade: são 37. Tem para todos os gostos, como o Museu do Dinheiro do Banco Central Alemão, o dos Ícones e o de Arte Moderna, com obras de Lichtenstein e Andy Warhol.


Parques também são abundantes, totalizando 48. Destaque para o Palmengarten e o Grüneburgpark. No Mundial de 2006, a cidade recebeu os jogos no Waldstadion, reconstruído em cima da antiga estrutura, original da década de 20. O lugar passou por uma reforma para a Copa de 1974 e, depois, para o Campeonato Europeu de 1988. Um dos momentos memoráveis do estádio foi a luta entre Muhammad Ali e Karl Mildenberger, em 1966. As obras da última reforma bateram a casa dos 126 milhões de euros. Mas o resultado compensou: com 54 mil cadeiras, o estádio tem teto retrátil e uma grande tela de vídeo suspensa, de 13 m de altura, possível de ser vista de todos os ângulos.
 




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