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GCM de S.Caetano entrega cão-guia a deficiente visual

Rafael Levi - DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Golden Retriver Otto passará a ser os olhos
do estudante de música Luiz Henrique Kichel


Drielly Gaspar
Especial para o Diário

29/09/2013 | 07:00


A GCM (Guarda Civil Municipal) de São Caetano entregou na sexta-feira Otto, cachorro de três anos da raça Golden Retriver, ao estudante de música Luiz Henrique Kichel, 22 anos, que é deficiente visual, Otto é agora seu cão-guia e assume a responsabilidade de ser os olhos do rapaz e acompanhá-lo onde quer que ele vá. Mas, para que isso acontecesse, a estrada foi longa.

Kichel nasceu prematuro e, por falta de um equipamento na estufa do hospital, teve oxigenação nas retinas e os vasos dos olhos foram descolados. Ficou cego aos 16 anos. Desde então, começou a usar a bengala especial para andar pelas ruas.

A busca por um animal habilitado começou há três anos, mas a disputa foi acirrada. “Estava, até então, em filas de diferentes instituições, mas existem mais de 2.000 pessoas em busca de cão-guia. No Brasil, formam-se apenas dez por ano. Sabia que seria demorado.” Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, o País tem 1,4 milhão de cegos.

O guarda-civil Rogério Bauner Gentil, um dos responsáveis pelo adestramento de Otto, explica que, apesar da alta procura e do pequeno número de cães-guia, nem todos podem ter o auxílio. “Além de estar cadastrado em alguma associação, o primeiro pré-requisito é o deficiente ter mobilidade com a bengala e ser independente. O cachorro também é avaliado e o ideal é que seja curioso, que goste de atividades, tenha ímpeto e coragem”, afirma Bauner.

Além da primeira seleção, o cão e o futuro dono passam por treinamento juntos. “O animal aprende desde colocar a guia assim que o dono o chama até a desobedecer a comandos que tragam risco ao deficiente. E o dono precisa acompanhar algumas coisas para se familiarizar com o cão e saber como se portar diante dele.”

Por mais que Kichel seja independente, a entrada de um cão-guia em sua vida trará muitas mudanças. “Moro sozinho e faço praticamente tudo sem ajuda. Mas o Otto vai me proporcionar autonomia e mobilidade maiores e locomoção com muito mais facilidade, agilidade e segurança. Fazia muito tempo que eu andava na rua com a bengala e topava com uma árvore a cada 100 ou 200 metros. O cachorro vai evitar que esse tipo de coisa aconteça.”

Apesar da conquista, o músico lamenta o fato de o Brasil ainda não estar adaptado à cultura do cão-guia. Para Kichel, isso se dá por causa da falta conhecimento. “A população tem que entender por que precisamos dele, como funciona o trabalho e também como se portar diante de um cachorro como esse. Sei que muitos olham por causa da curiosidade, mas ainda falta muito a ensinar.”

Agora que o cão-guia foi entregue ao dono, ambos seguem para Santa Catarina para apresentar Otto à família e poder treinar um pouco em um ambiente em que Kichel é familiarizado. Presente na entrega, o Secretário de Segurança da cidade, o coronel da reserva da Polícia Militar José Quesada, afirmou que o canil de São Caetano aguarda a chegada de novos cães para que sejam treinados e oferecidos a outras pessoas que necessitarem. 



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GCM de S.Caetano entrega cão-guia a deficiente visual

Golden Retriver Otto passará a ser os olhos
do estudante de música Luiz Henrique Kichel

Drielly Gaspar
Especial para o Diário

29/09/2013 | 07:00


A GCM (Guarda Civil Municipal) de São Caetano entregou na sexta-feira Otto, cachorro de três anos da raça Golden Retriver, ao estudante de música Luiz Henrique Kichel, 22 anos, que é deficiente visual, Otto é agora seu cão-guia e assume a responsabilidade de ser os olhos do rapaz e acompanhá-lo onde quer que ele vá. Mas, para que isso acontecesse, a estrada foi longa.

Kichel nasceu prematuro e, por falta de um equipamento na estufa do hospital, teve oxigenação nas retinas e os vasos dos olhos foram descolados. Ficou cego aos 16 anos. Desde então, começou a usar a bengala especial para andar pelas ruas.

A busca por um animal habilitado começou há três anos, mas a disputa foi acirrada. “Estava, até então, em filas de diferentes instituições, mas existem mais de 2.000 pessoas em busca de cão-guia. No Brasil, formam-se apenas dez por ano. Sabia que seria demorado.” Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, o País tem 1,4 milhão de cegos.

O guarda-civil Rogério Bauner Gentil, um dos responsáveis pelo adestramento de Otto, explica que, apesar da alta procura e do pequeno número de cães-guia, nem todos podem ter o auxílio. “Além de estar cadastrado em alguma associação, o primeiro pré-requisito é o deficiente ter mobilidade com a bengala e ser independente. O cachorro também é avaliado e o ideal é que seja curioso, que goste de atividades, tenha ímpeto e coragem”, afirma Bauner.

Além da primeira seleção, o cão e o futuro dono passam por treinamento juntos. “O animal aprende desde colocar a guia assim que o dono o chama até a desobedecer a comandos que tragam risco ao deficiente. E o dono precisa acompanhar algumas coisas para se familiarizar com o cão e saber como se portar diante dele.”

Por mais que Kichel seja independente, a entrada de um cão-guia em sua vida trará muitas mudanças. “Moro sozinho e faço praticamente tudo sem ajuda. Mas o Otto vai me proporcionar autonomia e mobilidade maiores e locomoção com muito mais facilidade, agilidade e segurança. Fazia muito tempo que eu andava na rua com a bengala e topava com uma árvore a cada 100 ou 200 metros. O cachorro vai evitar que esse tipo de coisa aconteça.”

Apesar da conquista, o músico lamenta o fato de o Brasil ainda não estar adaptado à cultura do cão-guia. Para Kichel, isso se dá por causa da falta conhecimento. “A população tem que entender por que precisamos dele, como funciona o trabalho e também como se portar diante de um cachorro como esse. Sei que muitos olham por causa da curiosidade, mas ainda falta muito a ensinar.”

Agora que o cão-guia foi entregue ao dono, ambos seguem para Santa Catarina para apresentar Otto à família e poder treinar um pouco em um ambiente em que Kichel é familiarizado. Presente na entrega, o Secretário de Segurança da cidade, o coronel da reserva da Polícia Militar José Quesada, afirmou que o canil de São Caetano aguarda a chegada de novos cães para que sejam treinados e oferecidos a outras pessoas que necessitarem. 

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