Nariz Pra Fora D'Água

Se sentindo incapaz de encarar a plateia no momento em que começa a narrar suas angústias, a personagem de Gabi Brites, em 'Nariz Pra Fora D'Água', que estreia hoje em São Paulo, fica de costas para a plateia até o momento em que se sente à vontade para encarar os olhares alheios.
Fruto de problema pessoal - uma síndrome do pânico que a afastou dos palcos por quase uma década -, a peça, que tem direção de Georgette Fadel, alterna momentos cômicos e trágicos para falar do mal que aflige parte da sociedade nas grandes cidades.
Enquanto a atriz não se revela ao público, o seu rosto, através de projeção, fica estampado em suas costas. Um vídeo, na saída do palco, revela alguns recortes da vida da personagem. Outro monitor, no qual o olhar da atriz se comunica com a plateia, é posto em frente de Gabi, de forma que todos poderão se ver na tela também.
Duas situações antagônicas se chocam na montagem. A necessidade de se comunicar e o medo da exposição e do encontro com o outro.
O texto partiu da própria Gabi, que, enquanto ensaiava o retorno aos palcos - nesse hiato, exerceu a função de publicitária -, criou diário chamado de 'O Incrível e Maravilhoso Caderno dos Meus Medos'. Georgette, quando entrou no projeto, pediu à atriz que destacasse o início da síndrome, os acontecimentos mais marcantes e os sintomas mais gritantes.
Nariz Pra Fora D'Água - Teatro. No Sesc Pinheiros - Rua Paes Leme, 195, São Paulo. Tel.: 3095-9400. 6ª e sáb., às 20h. Ingr.: R$ 5 a R$ 20. Até dia 17.
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