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Os deuses vencidos

O eterno presidente da CBF, Ricardo Teixeira, finalmente caiu. O eterno líder do governo (seja qual for o governo), senador Romero Jucá


Carlos Brickmann

14/03/2012 | 00:00


O eterno presidente da CBF, Ricardo Teixeira, finalmente caiu. O eterno líder do governo (seja qual for o governo), senador Romero Jucá, finalmente caiu.

É o que todos queríamos. Festejemos! Ou não, como diria Caetano Veloso.

Teixeira vem há anos sendo acusado de corrupção, com provas aparentemente sólidas; e sobreviveu. Quando quis chegar à presidência da Fifa, contrariando Joseph Blatter, também capaz de tirar as meias sem tirar os sapatos (e são as suas meias, não as dele), as acusações se tornaram intoleráveis, e aí caiu. Vai melhorar? Vejamos: a) seu vice é José Maria Marin (e, se Marin não quiser ficar, será Fernando Sarney, filho do senador); b) a Fifa passa a ter maior importância na organização da Copa; c) quem vai cuidar da Copa, pelo Brasil, é Ronaldo Fenômeno. Ronaldo é ótimo, é craque, é ídolo, mas o pessoal da Fifa sabe mais.

Romero Jucá, do PMDB de Roraima, foi líder do governo Fernando Henrique, foi líder do governo Lula, sendo que esses governos são críticos ferozes um do outro; foi líder do governo Dilma, e o que circula é que ajudou a derrotá-la no caso da nomeação de Bernardo Figueiredo para a Agência Nacional dos Transportes Terrestres, e por isso ele caiu. Vai melhorar? Seu substituto é Eduardo Braga, ex-prefeito de Manaus, ex-governador do Amazonas, que já entra processado por improbidade. E o PR, de seu adversário Alfredo Nascimento, ainda irritado por ter perdido um bom ministério, vai ficar muito menos cordato.

Cuidado: quando os deuses querem destruir alguém, atendem seus desejos.

A BOLA É DELE

Quem se deu bem com essa história toda da Copa foi Joseph Blatter: demoliu seu adversário Ricardo Teixeira, ganha um papel ainda maior na organização da Copa e, depois de um bom tempo de geladeira, em que a presidente Dilma Rousseff não podia nem ouvir falar dele, será recebido por ela, no palácio.

O TATU DA COPA

Decidido: o tatu-bola, nativo do Brasil, será o símbolo da Copa do Mundo de 2014. Nada mais justo, partindo da Fifa e da CBF: o tatu-bola tem casca grossa, come de tudo e, quando ameaçado, vira uma bolinha e finge que não é com ele.

MEXENDO NA GELEIA

A bancada do PMDB no Senado está dividida ao meio: metade com Renan Calheiros, metade contra. Eduardo Braga, que virou líder do governo, é da metade que hoje está contra Renan (mas, parafraseando Chico Buarque, amanhã pode ser outro dia). No momento, portanto, a ala anti-Renan está ganhando a parada. Entretanto, um novo jogador entra em cena: José Sarney, que não apenas fareja para onde o vento sopra como é capaz de mudar a direção do vento. Outro dia, Ideli Salvatti, a ministra das Relações Institucionais, fez comentários desprimorosos sobre Sarney. Ele ouviu, rompeu relações com a ministra e espera que a própria presidente o desagrave. Até agora, ela não o fez. Corre o risco.

DINHEIRO NA MÃO...

O Senado abriu concurso para contratar 246 funcionários. Ou talvez não seja bem assim: em 2008, havia 150 vagas e foram contratados 519 funcionários. Com o novo concurso, cada senador poderá empregar 55 pessoas em seu gabinete, com salários que variam entre R$ 14 mil e R$ 24 mil mensais para cargos como enfermeiro e analista de informática. O jornalista Ricardo Kotscho pesquisou os salários do mercado nessas áreas: os mais altos vão de R$ 5.000 a R$ 9.000, esses para quem tem curso superior.

...É VENDAVAL

O Senado custa hoje, antes das novas contratações, algo como R$ 2 bilhões por ano. Seus planos de saúde são vitalícios, ilimitados e abrangem a família do senador ou ex-senador. Tem 9.000 funcionários para servir a 81 senadores. É por isso que se abrem novos concursos: parece que o pessoal acha que é pouco.



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Os deuses vencidos

O eterno presidente da CBF, Ricardo Teixeira, finalmente caiu. O eterno líder do governo (seja qual for o governo), senador Romero Jucá

Carlos Brickmann

14/03/2012 | 00:00


O eterno presidente da CBF, Ricardo Teixeira, finalmente caiu. O eterno líder do governo (seja qual for o governo), senador Romero Jucá, finalmente caiu.

É o que todos queríamos. Festejemos! Ou não, como diria Caetano Veloso.

Teixeira vem há anos sendo acusado de corrupção, com provas aparentemente sólidas; e sobreviveu. Quando quis chegar à presidência da Fifa, contrariando Joseph Blatter, também capaz de tirar as meias sem tirar os sapatos (e são as suas meias, não as dele), as acusações se tornaram intoleráveis, e aí caiu. Vai melhorar? Vejamos: a) seu vice é José Maria Marin (e, se Marin não quiser ficar, será Fernando Sarney, filho do senador); b) a Fifa passa a ter maior importância na organização da Copa; c) quem vai cuidar da Copa, pelo Brasil, é Ronaldo Fenômeno. Ronaldo é ótimo, é craque, é ídolo, mas o pessoal da Fifa sabe mais.

Romero Jucá, do PMDB de Roraima, foi líder do governo Fernando Henrique, foi líder do governo Lula, sendo que esses governos são críticos ferozes um do outro; foi líder do governo Dilma, e o que circula é que ajudou a derrotá-la no caso da nomeação de Bernardo Figueiredo para a Agência Nacional dos Transportes Terrestres, e por isso ele caiu. Vai melhorar? Seu substituto é Eduardo Braga, ex-prefeito de Manaus, ex-governador do Amazonas, que já entra processado por improbidade. E o PR, de seu adversário Alfredo Nascimento, ainda irritado por ter perdido um bom ministério, vai ficar muito menos cordato.

Cuidado: quando os deuses querem destruir alguém, atendem seus desejos.

A BOLA É DELE

Quem se deu bem com essa história toda da Copa foi Joseph Blatter: demoliu seu adversário Ricardo Teixeira, ganha um papel ainda maior na organização da Copa e, depois de um bom tempo de geladeira, em que a presidente Dilma Rousseff não podia nem ouvir falar dele, será recebido por ela, no palácio.

O TATU DA COPA

Decidido: o tatu-bola, nativo do Brasil, será o símbolo da Copa do Mundo de 2014. Nada mais justo, partindo da Fifa e da CBF: o tatu-bola tem casca grossa, come de tudo e, quando ameaçado, vira uma bolinha e finge que não é com ele.

MEXENDO NA GELEIA

A bancada do PMDB no Senado está dividida ao meio: metade com Renan Calheiros, metade contra. Eduardo Braga, que virou líder do governo, é da metade que hoje está contra Renan (mas, parafraseando Chico Buarque, amanhã pode ser outro dia). No momento, portanto, a ala anti-Renan está ganhando a parada. Entretanto, um novo jogador entra em cena: José Sarney, que não apenas fareja para onde o vento sopra como é capaz de mudar a direção do vento. Outro dia, Ideli Salvatti, a ministra das Relações Institucionais, fez comentários desprimorosos sobre Sarney. Ele ouviu, rompeu relações com a ministra e espera que a própria presidente o desagrave. Até agora, ela não o fez. Corre o risco.

DINHEIRO NA MÃO...

O Senado abriu concurso para contratar 246 funcionários. Ou talvez não seja bem assim: em 2008, havia 150 vagas e foram contratados 519 funcionários. Com o novo concurso, cada senador poderá empregar 55 pessoas em seu gabinete, com salários que variam entre R$ 14 mil e R$ 24 mil mensais para cargos como enfermeiro e analista de informática. O jornalista Ricardo Kotscho pesquisou os salários do mercado nessas áreas: os mais altos vão de R$ 5.000 a R$ 9.000, esses para quem tem curso superior.

...É VENDAVAL

O Senado custa hoje, antes das novas contratações, algo como R$ 2 bilhões por ano. Seus planos de saúde são vitalícios, ilimitados e abrangem a família do senador ou ex-senador. Tem 9.000 funcionários para servir a 81 senadores. É por isso que se abrem novos concursos: parece que o pessoal acha que é pouco.

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