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Para Dib, Aidan Ravin não
está preparado para cargo

Depois de aliança com Salles (PDT), o tucano lamenta desdém
do prefeito de Sto.André; Dib já admite voltar à coordenadoria


Fábio Martins
do Diário do Grande ABC

13/07/2012 | 07:00


DIÁRIO - Ao PSDB foi uma surpresa o prefeito Aidan Ravin não ter cumprido acordo?

WILLIAM DIB - Surpreendeu a metodologia, obviamente negativa. Ninguém é obrigado a fazer acordo. Mas quando se faz, se faz em nome de algo e combinando dentro de casa (PTB). O que acredito que aconteceu é que ele não está preparado para o cargo. Vai no outro partido, se compromete, e esquece de combinar em casa. É estranho.

 

DIÁRIO - Aidan não estava preparado para ser prefeito?

DIB - Ele não estava preparado para fazer esse tipo de articulação. Ele não pode articular vice esquecendo que ele tem uma vice (Dinah Zekcer, PTB) e não combinando com ela. Isso é desdém pelas pessoas, de como dá importância às coisas. Ele não deu importância nenhuma.

 

DIÁRIO - Um político que não demonstra preparação para fazer essa articulação tem preparo para gerenciar uma cidade como Santo André?

DIB - Em vez de responder assim, vou falar da história dos últimos três anos. Santo André está tendo muito azar. Não merecia estar diminuindo de tamanho, reduzindo sua força política, econômica, social. Não pode piorar a qualidade de vida como piorou, mas não vou colocar culpa só nesses três anos. Posso dizer com tranquilidade que há 11 anos não vejo nada acontecer na cidade. Santo André, que já foi referência, parou.

 

DIÁRIO - Perder o PSDB foi inabilidade do Aidan?

DIB - Acredito que o PSDB estava caindo no colo dele por fatalidade e ele não soube aproveitar.

DIÁRIO - O sr. vê que o prefeito não deu a devida importância ao PSDB?

DIB - Nem ao PSDB, nem à própria vice. Se esqueceu de conversar com ela... ele mesmo fala isso. Se não é verdade, estou falando sobre a versão que ele dá (de que fechou com o PSDB, mas esqueceu de fechar com Dinah). Ele não está preparado. Não se faz esse tipo de acordo sem ter garantia de que vai poder cumprir. E ele alega que não podia por causa da Dinah.

 

DIÁRIO - O sr. concorda com o presidente da executiva estadual do PSDB, Pedro Tobias, de que o prefeito os traiu?

DIB - Não tenho esse sentimento. O que aconteceu em Santo André foi excesso de entrevistas e pouca ação. Como coordenador, eu liberei diretórios a traçar as suas políticas. Em Santo André, deliberou por candidatura própria (com o vereador Paulinho Serra) e teve meu apoio. Após isso, teve série de erros. Tinha candidatura própria e o diretório começou a perceber que estava sendo negociada. Depois a verdade veio à tona. A candidatura estava sendo conversada com outros partidos.

 

DIÁRIO - O sr. entende que o Paulinho estava negociando a candidatura a prefeito?

DIB - Eu não acho. Ele deu declaração no jornal de que ele fez isso.

 

DIÁRIO - Seria uma candidatura a mando do PT?

DIB - É isso o que chegou aos nossos ouvidos. Não se faz isso com pouca gente sabendo. Após isso, fomos, a convite do próprio prefeito, ouvir o que ele tinha a propor. Estávamos ouvindo e vocês (jornalistas) são testemunhas, era livre, não era reunião secreta. Íamos levar a proposta ao diretório. Só que o candidato se sentiu na isca, vestiu a carapuça, saiu e denunciou a reunião (do PSDB com Aidan) como se já estivesse resolvido e que nós vendemos o PSDB ao prefeito. A sociedade entendeu que passou a ser verdade de que o PSDB tinha compromisso com Aidan. Mas nós entendemos que não tinha mais compromisso com o denunciante (Paulinho). Por isso se autorizou o diretório local a, se quisesse, coligar com o PTB.

 

DIÁRIO - A declaração do Paulinho foi o divisor de águas?

DIB - Com certeza. Até a fala não tinha nada. Vocês fizeram entrevista com todos. Não estava decidido nada.

 

DIÁRIO - O sr. não esperava que esse descumprimento do acordo com Aidan pudesse acontecer?

DIB - Esperava. Desde o primeiro momento eu dizia isso. Mas a fala do nosso candidato precipitou um fato único. Ele denuncia que eu fiz isso (venda do PSDB a Aidan). O que tenho de fazer? Contratar advogado e mandar ele provar. Houve ruptura dentro do partido. Minha moral e ética não estão a serviço de nenhum partido. Esse processo continua (ação criminal contra Paulinho). Não abro mão e não tem nada a ver com o problema partidário.

 

DIÁRIO - Qual a sua avaliação de toda essa situação?

DIB - Quando ele não cumpriu às vésperas da convenção, eu, como coordenador, chamei o presidente municipal do partido (Ricardo Torres, hoje vice na chapa majoritária pedetista). Liberei o presidente a conversar com o PDT. Como minha relação com o Salles é com ligação de amizade de muitos anos, que supera a questão política, eu não quis fazer interferência. Não o procurei. Via possibilidade, mas dificuldade porque é um partido não muito aliado ao PSDB. Mas por conjunção de astros, no mês que saiu a brutalidade da fala (de Paulinho), o PDT veio para o (apoio ao) governo estadual. Entendo que o PSDB de Santo André está confortável com a aliança (com Salles). A maioria esmagadora foi favorável e não teve imposição de ninguém.

 

DIÁRIO - O sr. avalia que é possível o PSDB ter um papel importante ao lado do Salles?

DIB - O governador tem compromisso de vir aqui apoiar o Salles e o Ricardo Torres. Ele deve vir a dois eventos: numa caminhada e num comício. Agora é trabalhar para fortalecer formadores de opinião e apresentar proposta para que Santo André possa retornar ao seu lugar.

 

DIÁRIO - Como ficam os tucanos empregados na administração Aidan?

DIB - O PSDB nunca fez acordo com o Aidan. Se ele contratou tucano é problema dele. Mas espero que os tucanos votem no candidato do PSDB, que é o Salles. Dentro do PSDB, 96% apoiou a coligação e 100% tem de votar nele, senão vamos pedir a expulsão. Eles têm direito como cidadãos de ficarem com outra campanha, mas como tucanos não. Caso contrário, não pertencerão ao PSDB. A gente pede a expulsão. Seria atitude incoerente.

DIÁRIO - O prefeito não o procurou mais depois do episódio?

DIB - Eu não tenho conversa com o prefeito. Quem tem conversa é o PSDB. Não faço nada que descaracterize a vontade do PSDB.

 

DIÁRIO - A coordenadoria regional do PSDB tem volta diante do apelo de lideranças? Pedro Tobias fez pedido de desculpas público.

DIB - Não acredito. Saí porque entendi que não tenho nada a fazer. Se me provarem que há novas tarefas, sou homem de grupo e de partido.

DIÁRIO - Hoje o sr. já enxerga chance de retornar ao cargo?

DIB - Alguém tem de dizer, o PSDB estadual... colocar quais são as tarefas de coordenador depois que todas as convenções foram feitas.

 

DIÁRIO - Qual avaliação que o sr. faz da coordenação com a queda de candidatura majoritárias do PSDB? Foram seis candidaturas em 2008 e três em 2012.

DIB - Vocês acreditam no que estão falando? Numericamente foi isso. Falar que Diniz Lopes (em Mauá) é tucano... ele ficou três meses. Não dá para projetar em números. Hoje temos projeto melhor. Em São Caetano está mais viável (eleger vereador). Rio Grande da Serra vamos reeleger e fazer mais cadeiras. Mauá pior do que está nunca fica. Temos candidatura própria (com Edimar da Reciclagem) que nunca tivemos de fato. Em Diadema, a estratégia pode ganhar a Prefeitura e podemos aumentar a bancada. São Bernardo perdemos (a eleição) quando estávamos com mandato, que era o meu. Agora é hora de juntar forças. Falar que não está encabeçando, isso não é vaidade. Aqui em Santo André, com o Newton Brandão, ficamos em quarto lugar (em 2008).

 

DIÁRIO - Como o sr. considera o posicionamento desse grupo que não está alinhado com a sua postura, composto também pelo deputado estadual Orlando Morando e o prefeito de Rio Grande da Serra, Adler Kiko Teixeira?

DIB - Eles têm direito, mas em algum momento vão ter de responder pela sua posição. O PSDB dificilmente deixará de cobrar. A política é feita de lealdade e coerência. Não pode fazer ao bel-prazer. Esse grupo exige há um ano candidatura própria em todas cidades, principalmente em Santo André. Mas quando tem candidatura eles vão com o adversário. Casos de Diadema e Mauá.

 

DIÁRIO - O Orlando e o Kiko ainda têm espaço no partido?

DIB - Isso é problema do partido. Prefeito tem espaço. Está lançando candidato do PSDB (Gabriel Maranhão). É difícil de imaginar qualquer tipo de comportamento errado. O deputado é regido pela executiva estadual. Tem imunidade.

 

DIÁRIO - Há pessoas que já falam que eles devem sair do partido após a eleição. Como o sr. avalia?

DIB - Estão livres. A porta de saída de todos os partidos está aberta. Não tem nenhum tipo de ameaça para quem quer sair. Só fica quem quer se comprometer com coerência e lealdade. Se eles acham que não precisam se comprometer, podem tranquilamente sair. Mas é problema pessoal.



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