Para o bem ou para o mal, a Guerra do Vietnã e outras renderam farto material para o cinema. Bons exemplos, com conteúdo humano, implicações políticas e toda sorte de mazelas são Apocalipse Now, Platoon, Glória Feita de Sangue e Nada de Novo no Front, entre outros. Por outro lado, há também pecados de guerra, entre os quais Os Boinas-Verdes, de e com John Wayne, um americanismo de extrema direita feito à semelhança de uma luta entre índios e mocinhos.
Fomos Heróis está mais próximo da patriotada inflamada de Wayne. Randall Wallace, diretor e roteirista, comprou os direitos do livro homônimo escrito por Moore e pelo ex-correspondente de guerra Joseph Galloway. Os dois são personagens do filme. Moore é representado por Mel Gibson, que mostra gosto por heróis patriotas, vide Coração Valente (roteiro de Wallace) e O Patriota. Galloway, que na batalha do Vietnã empunhou uma arma e ficou lado a lado com os soldados, é vivido por Barry Pepper, que foi o atirador de elite em O Resgate do Soldado Ryan. Sam Elliot faz o sargento Plumley, e Greg Kinnear o piloto de helicóptero e major Crandall.
O livro destaca a vida pessoal desses homens que aterrissaram na Zona de Pouso Raio-X, uma área do tamanho de um estádio de futebol no Vale de Ia Drang, região do Vietnã conhecida como Vale da Morte. Foi a primeira grande batalha entre tropas rivais na guerra. O filme intercala a batalha com cenas da vida em família desses soldados e suas mulheres, como Julie Moore (Madeleine Stowe), voluntária da Cruz Vermelha.
Nem todos os 400 combatentes voltaram para casa, mas todos são enquadrados como heróis, incluindo os inimigos. Wallace opta por um realismo o mais próximo possível de uma batalha, seguindo o exemplo de Steven Spielberg em O Resgate do Soldado Ryan. Em Fomos Heróis, a luta é mais importante, em uma abordagem rasa sem preocupações com os porquês da guerra e suas conseqüências.
O filme passa longe de ser anti-bélico em suas duas horas e 18 minutos. Isso às vésperas de uma nova guerra anunciada no Terceiro Mundo entre o fortemente armado exército dos Estados Unidos contra farrapos iraquianos, uma reedição versão Bush filho da Guerra do Golfo. No Vietnã, eles perderam; no Afeganistão, não atingiram seu objetivo. Mas sempre terão o cinema para compensar as frustrações de guerra.
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