Entrevista da Semana Titulo Prefeito de Guarulhos

'A presença dos consórcios faz toda a diferença’

Bruno Coelho
27/07/2026 | 09:06
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FOTO: Denis Maciel/DGABC
FOTO: Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Com 30 anos, Lucas Sanches (PL) dirige a segunda maior cidade do Estado, com população de 1,3 milhão de pessoas – perde apenas da Capital, que tem 11,9 milhões. Em visita ao Diário, o prefeito de Guarulhos fala dos desafios à frente ao município que guarda similaridades com o Grande ABC, do trabalho na mobilidade e saúde, do passado político dos tempos do Cinturão Vermelho na Grande São Paulo. Acima de tudo, Sanches destaca a parceria com prefeitos da região, que az questão de nomear um a um, e a importância do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê e do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC no avanço das cidades.

O sr. está no segundo ano de mandato como prefeito de Guarulhos. Qual considera a principal entrega até aqui?

Ao longo desse um ano e meio, parece que já estamos há dez, diante de tantas entregas que foram realizadas. Mas uma que poderia destacar é a Policlínica Morros, que fica em região do (Jardim) Cocaia, que é bairro populoso. Antes, tínhamos ali uma UBS (Unidade Básica de Saúde) fechada por três anos. Ou seja, não tínhamos atendimento. Conseguimos entregar em tempo recorde esse equipamento de forma mais ampla, com atendimento e dignidade, que realmente pudesse atender as pessoas que mais precisam. Além da Policlínica Morros, também entregamos a Policlínica do Cecap e o Cemeg (Centro de Especialidades Médicas) Cumbica-Pimentas, a primeira Clínica da Família do Água Azul. Na mobilidade também foram diversas as obras.

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Guarulhos é a segunda maior cidade do Estado. Imagino que haja vários desafios em relação à saúde, mobilidade urbana, zeladoria. Qual deles, quando assumiu a Prefeitura, mais impactou o sr.?

O que mais impacta, e que está caótico ainda, é a mobilidade, que não foi pensada nos últimos 30 anos. A cidade foi crescendo de forma desordenada, sem nenhuma obra de grande impacto. Tanto é que, já no primeiro ano, entregamos a Avenida  Evangelista de Souza, que liga as avenidas Tancredo Neves com a Monteiro Lobato. Inauguramos o Trevo de Cumbica, que dá possibilidade para quem mora ali na região de não ter que passar pelo Trevo de Bonsucesso, que há muitos anos está travado. Começamos a construção de viaduto, que, por incrível que pareça para uma cidade grande, será o primeiro dentro de Guarulhos, que não interliga a (Rodovia Presidente) Dutra de um lado para o outro, mas que começa e termina dentro da cidade. Estamos construindo um viaduto e uma ponte ao mesmo tempo, a Ponte do Inocoop. Então estamos saindo de um cenário em que não se falava de mobilidade e agora entrega a avenida, constrói viaduto, constrói ponte.

Na eleição de 2024, o sr. se propôs como alternativa em relação àquilo que representava o passado em Guarulhos. Inclusive, o seu concorrente do segundo turno foi o ex-prefeito Elói Pietá. Como foi o processo de reorganização administrativa?

Estava disputando contra um homem que retrata tudo aquilo de que o povo não sente mais saudade. O tempo mudou, o mundo mudou e precisamos nos adequar às mudanças que vieram junto. Estamos em um universo com IA (Inteligência Artificial) praticamente funcionando para tudo. E mesmo pegando uma cidade muito endividada, conseguimos trazer uma economia, principalmente vindo de aluguéis, cortando contratos desnecessários que tinha na educação. E, logo no primeiro ano, começamos a construção de uma UPA(Unidade de Pronto Atendimento) no Centro e uma UPA no Pimentas. E aí as pessoas iam perguntar: “Ué, mas você não falava que a cidade estava toda endividada, com muitos problemas?” Respondia de maneira muito simples: sem gastar nenhum centavo de dinheiro público. Fizemos parceria com universidades de medicina da cidade, que custearam construção e equipamentos. Assim que entregarmos, (por causa dessas parcerias) não teremos o custeio que tínhamos com o pronto atendimento dentro do hospital.

Como estão parcerias de Guarulhos com outros entes federativos: o governo do Estado representado por Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a União, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)?

Temos conseguido investimentos tanto do governo federal quanto do estadual. Recentemente, o governador anunciou grande investimento em asfalto e já estamos licitando, inclusive muito em breve vamos ter um evento para dar ordem de início às obras, de toda a pavimentação do Anita Garibaldi, bairro inteiro de terra e de lama. Sem contar também que nos próximos dois meses já começam as obras (da Linha 2-Verde)do Metrô. Então, o sonho do Metrô entrou na cidade de Guarulhos, que desde criancinha escutávamos falar e ninguém acreditava mais. 

O sr. acompanha o projeto da Linha 14-Ônix, que deverá ligar Santo André a Guarulhos?

De perto, por meio do nosso time de mobilidade. Vale ressaltar que antes não existia uma Pasta que fosse especializada em mobilidade urbana na cidade. Criei a Pasta após a reforma administrativa, justamente para acompanhar. Por mais que haja distância em território, há muitas pessoas que moram em Guarulhos e trabalham no Grande ABC e vice-versa.

Indo para eleições: o seu antecessor, o ex-prefeito Guti (PSD), pré-candidato a deputado federal, vem adotando postura crítica em relação à sua gestão. Como é que o sr. avalia isso?

Ele deveria ser autocrítico, já que sobravam escândalos durante a gestão dele, sobravam problemas. Quando assumi a Prefeitura de Guarulhos, a UBS Morros estava fechada havia três anos. Hoje, entregamos a Policlínica Morros. Quando assumi, não tinha a UBS do Água Azul; inauguramos a primeira Clínica da Família na história da cidade. Foram inúmeras as obras que tiramos do papel. Então antes de criticar, tem de fazer uma autocrítica.

O sr. já definiu seus representantes que o senhor vai apoiar para a próxima eleição?

O meu candidato a deputado federal vai ser o Thiago Surfista , que hoje é o meu vice-prefeito, e a deputada estadual vai ser a Giovani Sanches (PL), que é meu braço direito e foi secretário de Serviços Públicos da cidade, com um belíssimo trabalho também. 

O PL, seu partido, lançou o senador Flávio Bolsonaro, do Rio de Janeiro à Presidência da República, mas que ainda sofre muitos questionamentos, inclusive de partidos do Centrão, que queriam o Tarcísio de Freitas. Como o sr. avalia o potencial de Flávio mesmo sem tais adesões?

O principal objetivo é convencer a população enquanto você busca o consenso entre os partidos. Qualquer candidato, é legítimo, tem que fazer isso mesmo: juntar o maior número de partidos possível para conseguir atingir o êxito de vencer a eleição. Mas o principal objetivo é convencer a população. No que depender de mim, vou ajudar o Flávio Bolsonaro a convencer o povo de Guarulhos e sair vitorioso deste processo.

Assim como o Grande ABC, Guarulhos fez parte do Cinturão Vermelho na Grande São Paulo, com as gestões petistas de Sebastião Almeida e Elói Pietá. O sr. enxerga que o perfil do eleitorado mudou?

Acredito sim nessa mudança, até porque o povo está acordando. Conseguimos visualizar que onde o PT coloca a mão, dá tudo errado, e estraga. Em Guarulhos não foi diferente. Na época da gestão do PT, a cidade tinha 2% do esgoto tratado. Quando assumi a Prefeitura, era algo em torno de 28%. Hoje, em um ano e meio, estamos falando de algo em torno de 45%, e a expectativa é de que até 2029 alcançaremos 99%. O PT deixou quase 1.000 ruas de terra, de lama, um povo sem saúde, sem educação, sem obras de infraestrutura, sem viaduto, sem ponte.

O sr. acredita que possa haver maior cooperação entre Guarulhos e o Grande ABC, dois grandes polos industriais, para desenvolvimento mútuo?

Não tenho dúvida. Estive com o Gilvan Ferreira (Cidadania), que tem sido um grande prefeito aqui de Santo André. Temos bons quadros aqui na região – e gostaria de fazer um adendo para citar nominalmente todos os prefeitos: o Marcelo Lima [(Podemos), de São Bernardo], o Tite [Campanella (Republicanos), de São Caetano], o Taka [Yamauchi (MDB), de Diadema], o Marcelo Oliveira , o Guto [Volpi (PL), de Ribeirão Pires] e o Akira [Auriani (PSB), de Rio Grande da Serra]– e diariamente, mesmo a cidade não estando tão próxima em questão de território, acabamos trocando ideias e informações. Guarulhos hoje tem em média 300 mil pessoas que saem da cidade diariamente para trabalhar fora. Como se vê, as cidades estão muitas vezes interligadas e conectadas. Ter os prefeitos, como os do Grande ABC, também com essa aproximação, acredito que faça a diferença.

O sr. já possui alguns exemplos destas trocas de experiências e de programas que foram implementados aqui no Grande ABC e que queira levar para Guarulhos e vice-versa?

Sim, tivemos o leilão na (bolsa de valores) que foi realizado agora recentemente (para conceder à iniciativa privada o gerenciamento do mobiliário urbano)em Santo André. Até mesmo na questão do asfalto (no programa Meu Bairro Novo), que é uma grande dor de cabeça da maioria dos prefeitos, trocamos muitas vezes experiência. Essas experiências fazem grande diferença.

Guarulhos está integrada ao Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê, que é o Condemat. E aqui temos o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, que integra as sete cidades. Existe troca de experiências também via consórcios?

Com certeza. Principalmente para as menores cidades. São para elas que o consórcio faz a maior diferença, porque, por muitas vezes, as grandes cidades conseguem ter fácil acesso ao governo do Estado e ao governo federal. Mas as pequenas têm dificuldade até para lançar um processo licita-tório. Por isso, a presença dos consórcios, ambos trocando informações, faz toda a diferença na vida administrativa dos municípios.




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