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Como é grande o nosso ABC!

Renata de Abreu Barbosa
24/07/2026 | 08:40
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Terminada a Copa do Mundo, outro assunto começa a ocupar o centro das conversas: as eleições. E um dado publicado recentemente pelo Diário chama atenção logo de início: nossa região reúne mais de 2 milhões de eleitores.

São mais de 2 milhões de pessoas aptas a escolher o próximo presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais. Para se ter uma ideia da dimensão desse número, o eleitorado do Grande ABC é da mesma ordem de grandeza da população inteira de Sergipe e supera a população de estados como Acre, Amapá e Roraima
 

O dado ajuda a perceber algo que talvez nem sempre enxerguemos: o Grande ABC não é apenas uma região populosa e economicamente importante. É também um enorme território de participação política. Milhões de decisões individuais tomadas nas urnas ajudam a definir os rumos das cidades e influenciam o cenário estadual e nacional.

Ao observar o perfil desse eleitorado, outro aspecto chama atenção: a maioria é formada por mulheres, embora essa presença ainda não se reflita na mesma proporção nos cargos eletivos da região.
 
Esse contraste é relevante. Mas, como educadora, ele me levou a outra pergunta: será que reconhecemos como liderança pública apenas aquela que aparece nas eleições?
 
Quando pensamos em democracia, é natural que nossa atenção se volte aos representantes eleitos. São eles que elaboram leis, fiscalizam o Poder Executivo e tomam decisões que impactam a vida de milhões de pessoas. Seu papel é indispensável. Mas talvez estejamos olhando apenas para a face mais visível da democracia.
 
Antes de chegar às urnas, um eleitor passa cerca de quinze anos dentro da escola. É nesse período que aprende muito mais do que português e matemática. Aprende a ouvir quem pensa diferente, a respeitar regras comuns, a resolver conflitos, a trabalhar em equipe, a assumir responsabilidades e a compreender que viver em sociedade exige compromisso com o bem comum.
 
Essas aprendizagens dificilmente aparecem nos debates eleitorais. No entanto, são elas que tornam possível a própria democracia.
 
As sete redes municipais de Educação Básica do Grande ABC reúnem 517 escolas públicas. Dados do Inep (2025) mostram que 87% dessas unidades são dirigidas por mulheres. Elas também representam 88% dos mais de 12 mil professores que atuam nessas redes. Isso sem considerar as redes estadual e privada, que apresentam perfil semelhante.
 

Esse dado não responde ao debate sobre a participação feminina na política institucional, nem pretende substituí-lo. Mas revela outra forma de liderança que, muitas vezes, passa despercebida. Todos os dias, diretoras coordenam equipes, administram recursos públicos, implementam políticas educacionais, dialogam com famílias e articulam diferentes serviços em torno do desenvolvimento de crianças e adolescentes. Ao lado delas, milhares de professoras e professores ajudam a formar justamente aqueles que, alguns anos depois, ocuparão as urnas.

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Talvez por isso devêssemos ampliar nossa compreensão sobre liderança pública. Ela não se manifesta apenas nas Câmaras Municipais ou nas Prefeituras. Ela também está presente nos espaços onde cidadãos são formados, valores são cultivados e o compromisso com o bem comum começa a ser construído.
 

Ao ler a reportagem do Diário, o que primeiro me impressionou foi o tamanho do nosso eleitorado. Ao terminar essa reflexão, porém, fiquei pensando que talvez a maior riqueza democrática do Grande ABC não esteja apenas nos mais de dois milhões de eleitores que temos hoje. Ela esteja também nas centenas de escolas espalhadas pela região e nas lideranças que, silenciosamente, ajudam a formar os milhões de eleitores de amanhã. Talvez seja essa a maior grandeza .

Renata de Abreu Barbosa é economista, pedagoga e pesquisadora na área de aprendizagem e desenvolvimento humano.




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