Trens Incêndio em vagão, falhas na operação e atrasos nesta quinta-feira ampliam receio diante da futura concessão do ramal
Denis Maciel/DGABC

Os sucessivos problemas registrados nos três primeiros dias de operação da concessionária Trivia Trens nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade preocuparam usuários do Grande ABC. Atrasos, superlotação e, na manhã desta quinta-feira (23), o incêndio em uma composição da Linha 12-Safira aumentaram o receio de usuários da Linha 10-Turquesa, que também deverá ser concedida à iniciativa privada pelo governo estadual em 2027.
A gravidade das ocorrências levou o Estado a determinar o retorno da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) à operação das três linhas por um período inicial de até 90 dias. A Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) também instaurou procedimento para apurar as falhas e avaliar a responsabilização da concessionária, enquanto o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que a empresa poderá perder a concessão caso descumpra as obrigações previstas em contrato.
Usuários tiveram que deixar os trens e caminhar sobre os trilhos após a paralisação que afetou as linhas. Imagens mostram os usuários deixando os vagões e andando em fila após a interrupção da circulação dos trens. Em outro vídeo que circula nas redes, é possível ver o momento em que o fogo invade o vagão e os usuários correm para o fundo da composição na tentativa de se protegerem.
A Trivia Trens informou que o incêndio ocorreu devido a uma falha em uma composição que provocou uma ocorrência elétrica entre as estações Tatuapé e Brás. Como medida de precaução, a concessionária interrompeu a circulação dos trens, “priorizando a segurança dos passageiros e a regularização do sistema”. A concessionária também destacou que a circulação das linhas foi regularizada e os trens voltaram a operar durante o dia.
Entre os usuários da Linha 10-Turquesa, que liga o Grande ABC à Capital, o episódio reforçou a preocupação com a futura concessão do ramal. Garçom e morador de Santo André, João Marcos da Silva Rodrigues, 25 anos, avalia que os primeiros dias da nova gestão produziram o efeito desastroso. “Hoje (ontem) um dos trens pegou fogo, vimos que privatizar não funcionou. Acho que está faltando manutenção e atenção. O pessoal se preocupa muito com o dinheiro e esquece do povo, que depende do transporte público”, disse.
O usuário conta que a namorada e atendente, Ester Batista Miranda da Silva, 25, que sofre de claustrofobia, ficou presa em uma composição da Linha-13, durante uma das falhas operacionais na manhã de ontem. “Ela ficou sem ar-condicionado, com o trem lotado, começou a passar mal e teve ataque de pânico”. Sobre a concessão da Linha 10, Rodrigues acredita que o cenário vai se repetir. “Já está ruim e acho que vai piorar ainda mais”, finaliza o mecânico.
A jornalista Zoe Masan, 28, moradora de Mauá e usuária da Linha 10-Turquesa, também demonstra preocupação com a futura concessão do ramal. Para ela, os problemas registrados nas linhas administradas pela Trivia reforçam o receio sobre a mudança prevista para o Grande ABC. “O fim do Serviço 710 já foi horrível. A gente tinha um serviço que estava melhorando. Se o Estado continuasse investindo, ao invés de passar para a iniciativa privada, as coisas seriam totalmente diferentes”, relatou.
Na avaliação da jornalista, serviços essenciais devem priorizar a população. “Quando você privatiza, a empresa vai visar lucro. O interesse público não é o mesmo interesse da empresa privada. A tendência é economizar em manutenção, reduzir custos e isso acaba afetando quem depende do trem todos os dias.”
Embora a concessão da Linha 10-Turquesa já esteja prevista pelo governo estadual, o edital ainda permanece em fase de estudos e estruturação, segundo a SPI (Secretaria de Parcerias em Investimentos). O modal que corta as cidades do Grande ABC é o único operado pela CPTM.
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