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São Caetano é a cidade menos violenta do País, aponta Anuário de Segurança Pública

Município registrou menor índice de Mortes Violentas Intencionais entre 338 cidades, com taxa de 1,2 por 100 mil habitantes

23/07/2026 | 17:00
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Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Matéria atualizada às 22h23

São Caetano figurou como a cidade menos violenta do País no 20º Anuário de Segurança Pública 2026, publicado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O município ficou com taxa de 1,2 nas Mortes Violentas Intencionais por 100 mil habitantes. 

O levantamento analisou 338 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, com base em dados de 2025 fornecidos pelas secretarias de segurança pública estaduais, pelas polícias Civil, Militar e Federal, entre outras fontes oficiais. 

DGABC

Depois de São Caetano, Santo André é a cidade menos violenta do Grande ABC no levantamento, ocupando a 48ª posição, com taxa de 6,5 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes. Em seguida aparece Ribeirão Pires, na 53ª colocação, com índice de 6,7. Na sequência vêm Diadema, na 64ª posição, com taxa de 7,4, e São Bernardo, na 69ª colocação, registrando 7,6 mortes por 100 mil habitantes. 

Fechando a lista dos municípios da região, Mauá ocupa a 89ª posição, com taxa de 8,6, a mais alta do Grande ABC. No Brasil, as dez cidades mais violentas estão na região Nordeste, apontam os dados do anuário, sendo o município de Maranguape, no Ceará, o mais violento do País, com taxa de 100,3 mortes por 100 mil habitantes. (Veja ranking na tabela)

Para o secretário de segurança de São Caetano, Lourival dos Santos, o resultado é fruto da integração das polícias Militar e Civil, GCM (Guarda Civil Municipal) e investimento da central de monitoramento Smart Sanca. “Isso demonstra que estamos no caminho certo, mas também reforça o compromisso de continuar trabalhando todos os dias para preservar vidas”, afirmou. Segundo a Prefeitura, até maio deste ano não foi registrada ocorrência de homicídio doloso na cidade.

Embora a segurança de um local envolva diversos fatores, a taxa de homicídios é considerada o principal indicador para sua avaliação. Essa análise é do professor de Direito da Umesp (Universidade Metodista de São Paulo) e especialista em segurança pública, Fernando Shimidt de Paula.

“A sociedade que tem poucos homicídios traduz-se como uma cidade segura. É o principal indicador criminal da violência. O resultado de São Caetano é fruto de investimento em educação e infraestrutura, e nos últimos anos em segurança pública, sobretudo com câmeras inteligentes e sistemas integrados de inteligência policial”, comentou o docente.

Ainda de acordo com o especialista, as cidades da região devem investir em inclusão social para que a taxa de mortes diminua e, consequentemente, aumente a sensação de segurança da população. “O caminho é viabilizar políticas públicas de inclusão social por meio de emprego, educação e saúde. Quando isso acontecer, a segurança pública é consequência”, acrescentou.

Segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública), cada região passa por análise para direcionar o policiamento e as ações de prevenção. “No Grande ABC, os homicídios dolosos apresentaram redução de cinco ocorrências, entre janeiro e maio deste ano, em relação ao mesmo período de 2025. Já na comparação entre os anos de 2024 e 2025, período analisado pelo anuário, houve queda de 14,5%. O próprio levantamento também confirma que o Estado de São Paulo possui a menor taxa de homicídios dolosos do País, com 5,3 casos por 100 mil habitantes”, comunicou a Pasta.

PREFEITURAS

A Prefeitura de Santo André comunicou que tem ampliado os investimentos em tecnologia, inteligência e monitoramento, por meio do COI (Centro de Operações Integradas), da Muralha Eletrônica e da expansão do sistema de videomonitoramento. “Ferramentas que contribuem para a identificação de suspeitos, recuperação de veículos e apoio às ações das polícias Civil e Militar”, ressaltou o Paço andreense. 

Em nota, a Prefeitura de São Bernardo informou que os resultados podem não refletir, necessariamente, a sensação de segurança da população. “Isso porque o levantamento mistura, por exemplo, vítimas de homicídios dolosos com mortes decorrentes de intervenções policiais. No município, de acordo com números da SSP, foram 28 mortes de criminosos pela polícia, mais do que o restante das cidades do Grande ABC juntas”, ressaltou.

A administração municipal ainda frisou que nos primeiros cinco meses de 2026 a cidade registrou diminuição de 33,3% no número de homicídios dolosos, em comparação com o mesmo período de 2025. “Maior cidade do Grande ABC em população e tamanho, São Bernardo registrou taxa abaixo da média do Estado, de 7,8. A atual gestão tem investido de maneira significativa na segurança e fortalecido a corporação com a modernização da frota, novos armamentos e treinamentos”, concluiu.

Já Diadema também relatou mudança, como a criação da Inspetoria de Operações Especiais e reativação da ROMU (Ronda Ostensiva Municipal). Além da contratação de 105 novos guardas neste mês, que estão em fase final de formação. A previsão é iniciar a contratação de mais 100 guardas até o fim do ano.

A administração mauaense afirmou que aguarda apoio mais efetivo do Estado para fortalecer o setor no município. “Desde 2021, a Prefeitura tem realizado investimentos consistentes na área, com a contratação de novos guardas civis municipais, aquisição de novas viaturas para a corporação, compra de armamentos letais e não letais - estes últimos com apoio do governo federal -, implantação da Muralha Inteligente de Segurança e realização de treinamentos para a GCM”, comunicou.

BRASIL

A 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostrou ainda que o número de mortes violentas intencionais no País caiu de 20,6 casos por 100 mil habitantes em 2024, para 19,1 casos por 100 mil habitantes, em 2025 – redução de 8,2% em um ano. 

Esse é o menor patamar registrado desde 2012, quando o índice começou a ser medido. Em números absolutos, foram registradas 40.775 mortes violentas intencionais no ano passado ante 44.127 em 2024.

Já as tentativas de feminicídio, segundo o Anuário, cresceram em 2025. Foram 4.189 mulheres sobreviventes, um aumento de 5,9% em relação a 2024, ou seja, para cada feminicídio consumado registrado no País em 2025 houve quase três tentativas. 

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