Saúde Professor e ex-reitor da FMABC, David Uip, explica que transmissões são exportadas e destaca que países sedes do Mundial estão em surto
FOTO: Divulgação/PMSBC

Os Estados Unidos, México e Canadá, que sediaram a Copa do Mundo 2026, são, atualmente, os países com mais casos de sarampo no mundo. O infectologista David Uip, professor titular e ex-reitor da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), destaca que, tradicionalmente, 95% das contaminações do vírus vêm de viajantes que chegam de outros países, o que deve aumentar os registros no Brasil.
A concentração dos casos nestes países do continente americano fez a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) emitir um alerta epidemiológico. Os Estados Unidos enfrentam o seu pior surto de sarampo em mais de três décadas, com 2.295 casos confirmados até 21 de julho, de acordo com o monitoramento da Universidade Johns Hopkins. O número atingiu o maior nível de contágio desde 1991.
O Estado de São Paulo tem 13 casos confirmados, dos quais dois são em São Bernardo – a região não contabiliza ocorrências desde 2021. O Ministério da Saúde recomendou a aplicação da vacina dose zero em crianças de 6 a 11 meses para conter o avanço da doença no município. A dose zero é uma aplicação adicional da vacina tríplice viral, realizada antes da idade prevista no Calendário Nacional de Vacinação.
“Não acredito em surto aqui (no Grande ABC), mas em um aumento dos casos com o retorno de quem viajou para estes países. Por isso, a vacinação é essencial. É inadmissível e imperdoável termos casos de sarampo em 2026”, afirma David Uip, que foi secretário de Saúde do Estado entre 2013 e 2018.
O médico alerta sobre o alto risco de contágio do vírus. Uma pessoa sem a imunização ou que nunca contraiu a doença, o que a faria ter produzido anticorpos contra o antígeno, tem 90% de chances de ser contaminada ao ter contato com um portador. Dessa forma, o sarampo se prolifera rapidamente pela sociedade.
“É uma das doenças mais contagiosas que existem. Uma única pessoa infectada pode transmitir a doença para até nove em cada dez pessoas com quem tiver contato. O vírus sobrevive duas horas no ar. Então, quem passar pelo local onde alguém com sarampo esteve, mesmo quando não estiver mais lá, pode se contaminar”, diz David Uip. “A vacina é a solução para evitar a contaminação”, reitera.
Entre os principais sintomas da doença estão febre, coriza, tosse seca e outros sinais semelhantes aos de infecções respiratórias. A condição apresenta algumas características específicas que ajudam na diferenciação, como as manchas de Koplik, pequenos pontos brancos na parte interna das bochechas, e o exantema, que consiste em marcas avermelhadas no rosto e no corpo. Também ocorre conjuntivite com intensa vermelhidão nos olhos.
“O sarampo tem sintomas muito característicos de fácil identificação. Porém, temos alguns problemas de diagnósticos. Quem conhece só de olhar já sabe que é a doença, mas temos muitos profissionais jovens que não chegaram a ter contato com este tipo de paciente e não identificam.”
A vacina contra o sarampo é gratuita e está disponível no SUS (Sistema Único de Saúde), por meio das UBSs (Unidades Básicas de Saúde) das sete cidades, para pessoas de 12 meses a 59 anos. Devido aos casos confirmados no Estado, a aplicação da “dose zero” também está recomendada.
Fake news sobre vacina faz vírus se alastrar nos locais com mais registros
Os países onde a transmissão do sarampo foi mais intensa – Estados Unidos, México e Canadá – são locais em que muitos programas de vacinação foram desestimulados, de acordo com o infectologista e professor da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), David Uip. “A proteção pela vacina tem caído. São nações em que a população não acredita na imunização. Isso é reflexo das fake news que surgiram, principalmente, depois da Covid-19”, enfatiza.
David Uip avalia que a disseminação do vírus tem ocorrido por relapso e quem estimula crenças antivacina deveria ser, inclusive, investigado e punido. “Quando alguém não se protege, está colocando não somente a si, mas a população em risco. A imunização é a única forma de conter os casos e não há nada na literatura médica que aponte que os riscos de efeitos colaterais, que são baixos e presentes em qualquer medicamento como uma dipirona, são maiores que os benefícios”, justifica o médico.
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