Risco Frota de motocicletas saltou de 191.602 para 271.719, já a de automóveis registrou redução de 0,35%; diferença entre as duas categorias diminuiu
FOTO: Celso Luiz/DGABC

O número de motocicletas no Grande ABC cresceu 42% nos últimos dez anos, enquanto a quantidade de carros praticamente se manteve, com uma leve queda de 0,35%. Ou seja, a proporção entre as duas categorias reduziu. Em julho de 2016, havia uma moto para cinco automóveis e, atualmente, uma a cada três. Em Diadema, a diferença é ainda menor, de um para dois.
As sete cidades somam, de acordo com dados do Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo), 271.719 motocicletas e 905.241 automóveis. Em 2016, eram 191.602 e 908.469, respectivamente. A frota total da região, que inclui outros tipos de veículos, como ônibus, vans e caminhões, aumentou 10,5%, de 1.326.730 para 1.466.382.
No Estado, as motos cresceram na mesma proporção – 40% em uma década, um salto de 4.253.513 para 5.969.257. Entretanto, a frota de automóveis também apresentou alta, de 14.177.249 para 15.534.963, aumento de 9,5%. No Grande ABC, a substituição dos carros pelas motocicletas foi mais evidente.
O coordenador executivo da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global, Diogo Lemos, explica que o objetivo dos motociclistas é ter um meio de transporte mais ágil e econômico. Porém, o comportamento tem provocado grandes impactos sociais.
“Temos que olhar com atenção e alarme porque, se continuar assim o crescimento da frota, vai piorar ainda mais o cenário de mortes. As motos causam uma destruição gigantesca, perda de vidas, destruição de famílias, principalmente as de baixa renda, que usam o veículo para deslocamento e também como fonte de renda, por meio do serviço de entregas”, avalia.
Na última década, a quantidade de motociclistas mortos no trânsito da região cresceu em um ritmo ainda maior que o da frota, com um salto de 62%. No primeiro semestre de 2016, foram 37 óbitos (35% do total - 106), de acordo com dados do Infosiga, plataforma de monitoramento do Detran-SP. Nos seis primeiros meses deste ano, as sete cidades registraram 60 mortes envolvendo motocicletas, 44% das 136 vítimas fatais.
“Dentro do carro, os ocupantes têm a proteção da lataria, muitas vezes dos air bags. Na moto, o corpo está completamente exposto, assim como dos pedestres que estão ocupando o mesmo ambiente. E em uma velocidade acima de 60 km/h qualquer impacto é fatal. Por isso, nenhuma quantidade de motos no trânsito é segura e adequada, quanto menos, melhor”, destaca o especialista.
Diogo Lemos ressalta ainda que o aumento da frota é fomentado pelo poder público por meio de políticas de incentivo. Algumas delas são a insenção do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) para motocicletas, motonetas e ciclomotores de até 180 cilindradas e reduções em juros de financiamento para entregadores. O ideal, segundo o coordenador executivo da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global, é investir no aumento e melhora do transporte público, como trens, metrôs e ônibus.
Gestão da velocidade reduz óbitos
A velocidade é fator determinante para a severidade de uma colisão, segundo o coordenador executivo da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global, Diogo Lemos. Por isso, a gestão deste risco é o caminho para reduzir mortes no trânsito. A contenção pode ser alcançada por meio da fiscalização e de mudanças no desenho viário.
“É preciso diminuir o limite para 50 km/h e, em algumas vias com mais circulação de pedestres, para 30 km/h. A autuação, no entanto, precisa ser mais presente. Há muito desrespeito às regras de trânsito e somente a educação não funciona”, enfatiza.
Outra forma de obrigar os motociclistas a reduzirem a velocidade, de acordo com o especialista, é diminuir a largura das faixas. “O zig zag das motos entre os carros é menos arriscado que dar espaço de circulação porque o cuidado será menor e a velocidade maior.”
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