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Francês que é espanhol, prodígio e laterais decisivos: defesa da campeã menos vazada das Copas

19/07/2026 | 20:50
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Um lateral-direito preterido por um atacante quase quarentão na Eurocopa, um zagueiro de 19 anos, outro que só se tornou espanhol aos 27 e um lateral-esquerdo provocador. Este é o quarteto que joga à frente do goleiro Unai Símon na seleção espanhola e ajudou a Espanha a ser a campeã do mundo menos vazada da história. Os espanhóis sofreram apenas um gol, na vitória por 2 a 1 sobre a Bélgica.

Antes, o posto de defesa campeã menos vazada era dividido entre a França de 1998, a Itáliade 2006 e Espanha de 2010, todas com dois gols sofridos. Quando a seleção espanhola venceu a Eurocopa em 2024, ao superar a Inglaterra por 2 a 1 na final, a lateral direita da equipe comandada pelo técnico Luis de la Fuente estava a cargo de Carvajal, então com 32 anos e jogador do Real Madrid. Seu reserva era Jesús Navas, ponta do Sevilla que passou a jogar como lateral-direito no final da carreira e se aposentou no final daquele ano da conquista continental, aos 39.

PEDRO PORRO, DE PRETERIDO A DECISIVO Não se tinha muita certeza sobre quem seria o dono da posição no Mundial de 2026. Pedro Porro, filho de uma família humilde de Don Benito, cidade com menos de 40 mil habitantes na região da Extremadura, foi convocado pela seleção espanhola pela primeira vez em 2021. Demorou, contudo, para ser nome constante nessas listas, mesmo já brilhando com a camisa do Tottenham, na Inglaterra.

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Chegou a ser convocado para os últimos amistosos antes da Eurocopa, um deles o empate por 3 a 3 com o Brasil, no qual ficou no banco, e teve de lidar com a frustração ao ver De La Fuente levar o quase quarentão Navas para o torneio. "Achei que eu seria chamado, também porque fui aos amistosos contra a Colômbia e o Brasil. Não diria que é injusto, porque todos os jogadores que estão lá merecem, por um motivo ou outro, mesmo que fique aquela sensação de decepção", comentou, na época, ao jornal espanhol Hoy.

Depois de não participar da Euro, Porro consolidou-se nas convocações seguintes e se emocionou ao ser chamado para a Copa do Mundo, como mostra vídeo publicado nas redes sociais. Não chegou ao Mundial, entretanto, como titular. Durante a primeira fase, começou jogando apenas na goleada por 4 a 0 para a Arábia Saudita.

Llorente foi titular no empate sem gols com Cabo Verde e no 1 a 0 sobre o Uruguai. A partir do mata-mata, contudo, Pedro Porro deu as cartas. Fez o segundo gol da vitória por 3 a 0 sobre a Áustria, na segunda fase, e esbanjou personalidade e inteligência tática para compor o mesmo lado de campo que Lamine Yamal, sem deixar de proteger a defesa.

Depois desse jogo, não deixou mais o time e foi decisivo ao voltar a balançar a rede na vitória por 2 a 0 sobre a França, na semifinal. CUBARSÍ, SEMPRE DE CABEÇA ERGUIDA No lado direito da defesa espanhola em 2026, ao lado de Porro, posiciona-se Cubarsí, que também não esteve na Euro de 2024. Naquele ano, vivia sua primeira temporada pelo Barcelona de forma precoce, aos 16 anos, e chegou a ser convocado para os mesmos amistosos contra Colômbia e Brasil mencionados por Porro, porém não entrou na lista do torneio europeu.

O jovem zagueiro é uma espécie de Lamine Yamal da defesa em termos de precocidade. Um jogador formado em La Masia, onde lapidou sua saída de bola primorosa a uma leitura defensiva que muito veteranos nunca vão ter. Cubarsí é o segundo jogador mais jovem da história a atingir a marca de 100 partidas com a camisa do Barcelona, atrás do companheiro Yamal.

Desde pequeno, era descrito como um jogador que "não olhava para baixo" como os outros garotos, sempre de cabeça erguida e olhando para frente. "Estamos diante de um jogador que, acredito, vai marcar uma era. Para mim, ele é fundamental.

Quando nos pressionam alto, ele escolhe a melhor opção, enxerga quando jogar na segunda linha e faz isso bem. Ele faz muito bem as correções, ganha disputas... Não parece ter 17 anos", disse Xavi Hernández, ex-treinador do Barcelona, na temporada em que lançou o garoto no time profissional.

LAPORTE, O FRANCÊS QUE VIROU ESPANHOL AOS 27 À esquerda de Cubarsí, atua o experiente Laporte, um nome de origem francesa. O zagueiro de 33 anos raiz e ligação com o País Basco, região cultural no norte da Espanha e sudoeste da França. Não à toa, defende o Athletic Bilbao, clube que aceita apenas jogadores com ascendência basca, mas nasceu em Agen, cidade do sudoeste francês.

Seus pais também são franceses, e a conexão basca é partir de seu bisavô. Já a nacionalidade espanhola teve de ser conquistada via burocracia, após algumas decepções. Laporte sonhava em defender a seleção francesa, à qual defendeu nas categorias de base.

e por muitos anos esperou por uma convocação que nunca veio. Quando começaram a cogitar que vestisse a camisa da Espanha, o zagueiro não gostou da ideia. "Opto pela França porque sou francês e porque não tenho dupla nacionalidade.

Não vou pedir. E não creio que possa mudar", disse em 2018, ano em que jogava pelo Manchester City. Como Didier Deschamps, treinador da França por 14 anos até deixar o comando após a eliminação na atual edição da Copa, nunca deu sinais de que o chamaria, Laporte iniciou o processo para se naturalizar espanhol .

Em maio de 2021, recebeu a nacionalidade do Conselho de Ministros da Espanha, desfecho de um processo conduzido pela Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF). A mudança de federação foi aprovada pela Fifa, e, em 2024, lá estava Laporte sendo campeão europeu coma seleção espanhola. 'HAALAND TREME QUANDO VÊ CUCURELLA' Também já fazia parte daquele time o nome mais famoso, para o bem e para o mal, da defesa de Luis de la Fuente.

Cucurella fecha, na lateral-esquerda, a linha de quatro perfeita encontrada pelo treinador para a Copa do Mundo. Cucurella é consistente na defesa e decisivo no ataque. É nome praticamente certo entre os melhores jogadores deste Mundial.

Ainda no início da competição, seu nome foi assunto no mercado de transferências, pois trocou o Chelsea para defender o colossal Real Madrid. A escolha ampliou a lista de polêmicas da carreira do jogador, que é formado na base do Barcelona, grande rival da equipe madrilenha. Conhecido pelo estilo provocador em campo e fora dele, a ponto de cantar uma canção dizendo que "Haaland treme quando vê Cucurella", o lateral dos longos cabelos encaracolados tem uma luta digna fora de campo.

Seu filho Mateo, de 7 anos, foi diagnosticado aos 3 anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1 de suporte. Desde então, ele se dedica a dar visibilidade à causa.




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