Segurança pública Entre janeiro e maio de 2026, foram registrados 195 casos, contra 149 em 2025; especialista relaciona alta à falta de medidas de proteção
FOTO: Celso Luiz/DGABC

Os furtos de bicicletas cresceram 31% no Grande ABC entre janeiro e maio deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. Dados da SSP (Secretaria da Segurança Pública) mostram que a região registrou 195 ocorrências nos cinco primeiros meses de 2026, contra 149 no ano anterior. Em contrapartida, os roubos caíram de 34 para 26 casos.
Para o professor do curso de Direito da Umesp (Universidade Metodista de São Paulo), Fernando Shimidt de Paula, o aumento das ocorrências não pode ser explicado por um único fator. Segundo ele, a expansão do uso da bicicleta como meio de transporte e lazer ocorreu sem que houvesse um fortalecimento proporcional das medidas de proteção ao patrimônio dos ciclistas.
“O ambiente do Grande ABC mudou nos últimos anos. Hoje existem mais ciclovias, ciclofaixas, bicicletários e muito mais bicicletas circulando. O veículo deixou de ser apenas um equipamento de lazer e passou a ser um modal de transporte. Porém, com essa mudança, não foram criados mecanismos suficientes de segurança patrimonial para proteger esses usuários”, destaca.
O especialista explica que o cenário amplia a ação criminosa. “Com mais bicicletas circulando, há mais bens disponíveis para o criminoso. Pela teoria da oportunidade e pela opção racional do crime, ele percebe que vale a pena furtar ou roubar uma bicicleta porque é um produto de alto valor agregado e apresenta baixa rastreabilidade.”
O professor também pontua a existência de um mercado de receptação que contribui diretamente para esse tipo de delito. “O criminoso não rouba para ficar com a bicicleta. Ele rouba para vender. Existe um mercado de receptação que compra bicicletas para comercializar as peças. Por isso, é fundamental que o consumidor realize suas compras em locais de confiança.”
Neste ano, somando furtos e roubos, a região teve 221 veículos subtraídos. O número representa, uma média de 44 ocorrências por mês. Entre as vítimas das estatísticas está o analista comercial Rafael Avelino Dantas, 40 anos, morador de São Bernardo. Em abril de 2025, ele foi abordado enquanto treinava de bicicleta na Rodovia Anchieta, na altura do km 26.
Ciclista de longa distância, Dantas saiu de casa por volta das 5h30 para iniciar um treino quando foi surpreendido por dois criminosos escondidos em um ponto de ônibus. “Só senti um par de mãos puxando o guidão e jogando a bicicleta no chão. Quando tentei reagir, o segundo criminoso mostrou a arma e mandou eu parar. A dupla levou a bicicleta, celular, capacete, lanternas, GPS e equipamentos utilizados durante os treinos. O prejuízo ficou entre R$ 10 mil e R$ 12 mil”, contabiliza. “Depois que fiz o Boletim de Ocorrência, as autoridades me informaram que seria muito difícil recuperar a bicicleta”, relata. Porém, semanas depois, a bike foi localizada graças à mobilização de outros ciclistas nas redes sociais.
Apesar da perda de Dantas ter ocorrido por meio de um assalto, o professor da Umesp ressalta que os furtos, que representaram 88% dos casos totais de subtração de 2026, são mais comuns pela facilidade. “Para o criminoso, furtar costuma ser mais vantajoso do que roubar. Bicicletas ficam frequentemente presas em bicicletários sem vigilância, em postes ou árvores, o que facilita a ação sem contato direto com a vítima”, explica.
Em nota, a SSP informou que as forças de segurança mantêm ações permanentes de prevenção e repressão aos crimes patrimoniais no Grande ABC. De acordo com a Pasta, as polícias Civil e Militar também desenvolvem investigações voltadas à identificação e prisão de autores e à desarticulação de grupos especializados em crimes patrimoniais, incluindo furtos e roubos de bicicletas.
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