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ApexBrasil elabora plano de R$ 130 mi por causa do tarifaço

Previsto para ser lançado em agosto, programa tentará ajudar a frear os impactos bilionários das cobranças adicionais de 25% dos EUA

Beatriz Mirelle
18/07/2026 | 08:11
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FOTO: Ricardo Stuckert/PR Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) comunicou ontem que lançará, em agosto, um plano de R$ 130 milhões para a diversificação de mercados para mitigar os impactos das tarifas adicionais de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. As cobranças, que devem passar a valer a partir de quarta-feira (22), devem atingir 18% das exportações brasileiras aos EUA, ou cerca de US$ 7,4 bilhões (R$ 38 bilhões), segundo estimativas do governo federal baseadas em dados de 2024.

O projeto contará com as parcerias de 57 setores econômicos do País, que reúnem 2.400 empresas exportadoras. Vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a ApexBrasil indica que, com base nos dados de 2025, a projeção cai para US$ 7,2 bilhões.

“O Estado de São Paulo é o com maior impacto. Dos US$ 7,2 bilhões, US$ 3 bilhões são de São Paulo. De Santa Catarina, 68% das exportações para os EUA estão impactadas. Se a gente pegar só São Paulo e Santa Catarina, dá 52% do impacto do tarifaço”, declarou o presidente da entidade, Laudemir Müller.

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Para ele, a decisão dos Estados Unidos é uma medida “absurda do ponto de vista comercial” e “não tem nenhuma lógica”. “Não há uma empresa norte-americana que esteve conosco que defenda a medida.”

Müller explica que a expansão para outros mercados já é feita, mas agora a diversificação será intensificada. As prioridades serão União Europeia e Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), como Indonésia, Malásia e Vietnã, além de nações da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão.

“São países de alto crescimento e desenvolvimento, eles têm procurado muito o Brasil para parcerias em investimento e estão crescendo a 7% ou 8% (do Produto Interno Bruto), com população jovem, e que demandam, inclusive, produtos que o Brasil tem.”

A agência ressalta que intermediará negociações entre as companhias nacionais e os compradores estrangeiros e realizará missões internacionais. Para Evandro Caetano, supervisor de exportação da Waelzholz Brasmetal, do bairro Canhema, em Diadema, essa mudança de parceiros comerciais tende a se tornar parte permanente da estratégia empresarial. “Em especial para setores como máquinas, autopeças, equipamentos industriais e metalmecânica. tais cobranças tendem a pressionar preços, reduzir margens e aumentar a disputa internacional por mercados.”

O presidente Lula (PT) enfatizou ontem a posição de soberania brasileira e disse que não está interessado em brigar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Nós daqui somos da paz. Agora, a guerra que eu quero fazer com ele é a guerra da narrativa. É a guerra da verdade. Eu quero provar ao mundo quem é que está dentro da verdade nessa guerra tarifária entre Brasil e Estados Unidos”, declarou.

Segundo ele, o Brasil não aceita que nenhuma outra nação “faça desaforo”. “Nós vamos mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós ou não vai enganar a sociedade brasileira”, completou. <EM>

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou que o Executivo estuda aplicar medidas da Lei de Reciprocidade Econômica, mas afirmou que não cabe classificar a medida como retaliação. 

“O Congresso Nacional aprovou por unanimidade uma lei que protege os interesses nacionais oferecendo um procedimento próprio para ser utilizado em casos de ataque injustificado ou unilateral de outros países. Nós estamos tomando muito cuidado com isso e não é um cuidado em relação aos Estados Unidos, é em relação à nossa economia.”

Durigan declarou que o governo de Donald Trump desconsiderou qualquer tipo de debate setorial e aplicou “uma espécie de punição geral ao Brasil”.

As cobranças foram motivadas por uma investigação do USTR (sigla em inglês para o Escritório do Representante Comercial dos EUA), baseada na Seção 301 da Lei de Comércio americana de 1974, que considerou que o Brasil possui práticas que “oneram” os interesses e o comércio norte-americanos. 

O País ainda é alvo de outra apuração, relacionada a trabalho forçado, e que pode gerar uma taxa de 12,5%. “O Brasil não deve nada para ninguém e não deve temer, o que não significa que não precisamos nos preparar”, comentou o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller.

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