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No Grande ABC, metade dos casos graves de influenza ocorre em crianças e adolescentes

Porcentagem de ocorrências entre jovens da região quase dobrou em um ano; vítima de 13 anos morreu da doença nesta semana

17/07/2026 | 18:30
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Denis Maciel/DGABC
Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Os casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) causada pela influenza registrados no Grande ABC neste ano ocorreram, em sua maioria, entre crianças e adolescentes. Até 5 de julho, foram contabilizadas 465 ocorrências, das quais 232 envolveram pessoas de 0 a 19 anos, o equivalente a 50% do total. Dados da Secretaria de Estado da Saúde mostram que, no mesmo período do ano passado, essa faixa etária representava 28,3% dos registros, com 199 notificações entre os 702 casos.

Um morador de Santo André, Lucas Perez Maia, 13 anos, morreu na última terça-feira (14) em decorrência das complicações respiratórias causadas pela influenza. O jovem era atleta da categoria de base do Clube Atlético Aramaçan, na cidade andreense. Além do jovem, outras dez pessoas da região vieram a óbito pela doença em 2026.

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“A influenza, mesmo em pessoas saudáveis, pode levar a uma miocardite ou a uma pneumonia, que podem ser fatais. Naqueles que têm doença de base, vai descompensá-la. Quem tem problemas cardíacos pode ter um infarto, um diabético, hiperglicemia, e piorar uma insuficiência renal, e assim por diante”,

explica a infectologista e membro do comitê de infecções respiratórias da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), Nancy Bellei. 

A SRAG é um quadro de complicações respiratórias provocado por vírus como o da influenza. Quando a infecção atinge os pulmões e os alvéolos, as trocas gasosas ficam comprometidas, reduzindo a oxigenação do sangue e, consequentemente, dos tecidos do organismo.

Com isso, o paciente pode evoluir para um quadro de insuficiência respiratória, necessitando de suporte com oxigênio e internação hospitalar. Também há maior risco de infecções bacterianas secundárias, conforme destaca a infectologista.

Além das ocorrências causadas pela influenza, outros vírus respiratórios podem levar a complicações graves. Em 2026, a região contabilizou 1.221 casos de SRAG e 24 mortes. O número apresentou queda em relação a 2025, quando as sete cidades tiveram 2.087 registros e 100 óbitos. 

A médica ressalta ainda que as complicações da influenza costumam ser mais frequentes nos extremos da idade, especialmente entre crianças pequenas e idosos. No Grande ABC, dos 465 casos de SRAG por influenza registrados neste ano, 23 ocorreram em bebês com até 1 ano (5%); 69 em crianças de 1 a 4 anos (14,8%); outros 69 na faixa de 5 a 9 anos (14,8%); e 71 entre adolescentes de 10 a 19 anos (15,2%). Entre os idosos, foram contabilizados 92 casos, o equivalente a 19,7% do total.

“As crianças, normalmente, conviveram mais com vírus do tipo H1N1, mas o que tem circulado mais é o H2N3. Muitas não tiveram a primeira infecção por influenza e ainda não se vacinaram, o que explica estes números”, afirma a médica Nancy Bellei.

IMUNIZAÇÃO

Enquanto a participação de crianças e adolescentes entre os casos de SRAG por influenza aumentou, a de idosos diminuiu. De janeiro a julho de 2025, pessoas com 60 anos ou mais representavam 38,6% das ocorrências, com 271 dos 702 casos registrados. Neste ano, esse percentual caiu para 19,7%, uma redução de 18,9 pontos percentuais. Uma das explicações prováveis para esse recuo é a maior adesão da população idosa à vacinação. 

“No grupo com mais aderência à vacinação é a que terá menos hospitalizações. A vacina contra a gripe disponível pelo Ministério da Saúde, e também existente nos serviços privados, protege contra os três vírus que circulam atualmente na população humana”, esclarece a infectologista. 

O imunizante é anual e está disponível para pessoas a partir de seis meses nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) das sete cidades. A versão atual protege contra as cepas do vírus H1N1, H3N2 e dois tipos do vírus B. 

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