Festival de cinema O anúncio revelou os longas e curtas concorrentes ao Kikito, confirmou o filme inédito de encerramento e trouxe declarações da curadoria e da presidente da Gramadotour, Rosa Helena Volk
FOTO: Loik Marques/DGABC

O 54º Festival de Cinema de Gramado, considerado o mais tradicional do país, anunciou nesta quinta-feira (16), em evento exclusivo em São Paulo, os últimos nomes e títulos da programação deste ano. O evento será realizado entre os dias 12 e 22 de agosto, na Serra Gaúcha, com abertura oficial marcada para o dia 14 de agosto. Entre os destaques está a atriz Ana Flavia Cavalcanti, natural de Diadema, uma das três responsáveis pela curadoria dos longas-metragens brasileiros da edição, ao lado da atriz Camila Morgado e do jornalista, professor e crítico de cinema Marcos Santuário.
A abertura oficial será marcada pela exibição hors-concours de Antártida, de Bruno Safadi, produção do Núcleo de Filmes dos Estúdios Globo em coprodução com a TV Globo, distribuição da Paris Filmes. O suspense, sobre uma investigação em uma base brasileira na Antártida após uma agressão que transforma todos os homens da equipe em suspeitos, tem no elenco Andrea Beltrão, Marina Ruy Barbosa, Leandra Leal, Antonio Calloni, Lázaro Ramos e João Vitor Silva.
Ao Diário, Santuário explica sobre os critérios que orientaram a seleção deste ano:
Longas em competição
A Mostra Competitiva de Longas-Metragens Brasileiros reúne seis ficções, todas com exibição inédita no Brasil, e quatro documentários: Afrontosa (SP), de Coraci Ruiz e Julio Matos; Empeleitada (PE), de Micaele Xukuru, Chico Ludermir e Sergio Borges; Gonzaguinha, da Maior Liberdade (RJ), de Susanna Lira; e O Projeto (SP), de Sabrina Fidalgo e Yvan Rodic.
Doze curtas de sete estados
A Mostra Competitiva de Curtas-Metragens Brasileiros reúne 12 produções de sete estados, selecionadas por Alice Urbim, Cavi Borges, Chico Izidro, Danny Barbosa e Taty Behar:
A Menina que Queria Ser Pedra (MG), de Jackson Abacatu
As Gêmeas (RJ), de Vanessa Aguiar
Divino: Sua Alma, Sua Lente (MT), de Clea Torres e Gilson Costa, com codireção de Divino Tserewahú
Fúrias (RS), de Nica Maleoa
Graxa e o Zepelim (PE), de Camilo Soares
Maior que a Casa Toda (RO), de Fabiano Barros e Neto Cavalcanti
Mulher Papaya (SP), de Camila Tarifa
Pão Doce (SP), de Wesley Gabriel Silva Santos
Pique-Pega (RJ), de Mia Lima Rocha
Revelação (RJ/SP/FR), de Gabriela I. Gaia
Shibal (SP), de João Rubio Rubinato
Encerramento e homenagens
Pela primeira vez em 54 edições, o festival terá também um filme de encerramento: La Perra, coprodução Brasil-Chile dirigida por Dominga Sotomayor, exibida na mostra paralela de Cannes 2026. Baseado no livro homônimo de Pilar Quintana, o longa tem Selton Mello no elenco e na produção executiva, e acompanha uma mulher solitária que resgata uma cadela filhote em uma ilha remota no sul do Chile, vínculo que a obriga a encarar traumas e relacionamentos rompidos do passado.
Mello ainda protagoniza outro marco da edição: em movimento inédito na história do troféu, o Kikito de Cristal será entregue simultaneamente a ele e a Maria Fernanda Cândido, que integraram os elencos de O Agente Secreto e Ainda Estou Aqui, respectivamente, longas que marcaram as duas últimas temporadas do Oscar. Maria Fernanda já havia sido laureada em Gramado com o Kikito de Melhor Atriz por Dom, em 2003. Já o Troféu Cidade de Gramado vai para Marcos Caruso, ator, diretor e dramaturgo com mais de 50 anos de carreira, incluindo novelas como Mulheres Apaixonadas e Avenida Brasil.
Com o anúncio desta quinta-feira, o festival fecha a lista de cinco homenageados da edição: além de Selton Mello, Maria Fernanda Cândido e Marcos Caruso, receberão troféu Andrea Beltrão, que também integra o elenco de Antártida, agraciada com o Troféu Oscarito, e Renata Almeida, contemplada com o Troféu Eduardo Abelin.
Ao Diário, a presidente da Gramadotour, Rosa Helena Volk, destacou o papel histórico do festival no fomento ao cinema nacional:
“A cidade de Gramado teve como principal objetivo, ao realizar o festival de cinema, o fomento e o incremento do cinema brasileiro. Tenho certeza que o festival tem conseguido participar, contribuir com o desenvolvimento e, principalmente, acompanhar esse boom do cinema feito no nosso país, cada vez mais reconhecido em todo o mundo.
Volk também traçou o panorama da trajetória do evento: de festival exclusivamente brasileiro entre 1973 e 1992, passou a latino-americano após o fechamento da Embrafilme, depois ibero-americano, até voltar a ser dedicado só ao Brasil em 2022, com espaço também para séries. Segundo ela, a organização já discute os próximos passos do festival, que completa 55 anos em 2027.”
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