Longa-metragem A produção aborda o reencontro das primas Sandra e Mariana, que vivem realidades diferentes
FOTO: Divulgação

A atriz diademense Ana Flavia Cavalcanti retorna aos cinemas como uma das protagonistas de Criadas, primeiro longa-metragem da diretora e roteirista Carol Rodrigues. O filme estreia nesta quinta-feira (11) e aborda temas como racismo, colorismo, memória familiar e pertencimento. A produção chega em salas de cinema de rua na Capital, como Cine Belas Artes (Rua da Consolação, 2423 – Consolação), Cine Sesc (Rua Augusta, 2075 – Cerqueira César) e Espaço Petrobras de Cinema (Rua Augusta, 1470 – Consolação), além do Instituto Moreira Salles (Avenida Paulista, 2424 – Bela Vista), após ser premiada e exibida em festivais nacionais e internacionais.
O longa acompanha o reencontro das primas Sandra, interpretada por Mawusi Tulani, e Mariana, vivida por Ana Flavia Cavalcanti, que cresceram juntas na mesma casa, mas tiveram trajetórias marcadas por realidades muito diferentes. Sandra, uma mulher negra retinta, retorna ao local em busca de fotografias da mãe, antiga empregada residente da família. Mariana, uma mulher negra de pele clara, continua vivendo na residência, onde na infância era filha da patroa. A partir desse reencontro, memórias da infância, da ancestralidade e de feridas nunca cicatrizadas voltam à tona.
Em entrevista ao Diário, Ana Flavia relembrou sua ligação com Diadema, onde nasceu, no bairro Eldorado, e onde ainda vivem familiares por parte de pai. A atriz destacou que mantém uma forte relação com a cidade e vê conexões entre sua trajetória e os temas abordados em Criadas. “Minha família por parte de pai está toda em Diadema, uma cidade que representa muito também o nosso filme”, afirmou.
Filha de uma faxineira, Ana cresceu em uma realidade bastante diferente da personagem que interpreta. Enquanto Mariana foi criada em um ambiente de privilégios, a atriz viveu a infância na periferia antes de construir uma carreira consolidada no cinema, na televisão e no teatro. Ainda assim, ela afirma ter encontrado diversos pontos de identificação com a personagem. “Mariana é filha de uma mulher negra com um homem branco, eu também. Quando eu não estava inserida na história diretamente, estava indiretamente. É uma história na qual me vejo sob diferentes prismas”, disse.
Além da trajetória das protagonistas, o filme utiliza a relação entre as duas primas para discutir questões presentes na realidade de muitas famílias brasileiras. O colorismo, tema central da narrativa, é abordado a partir das diferentes experiências vividas por mulheres negras dentro de uma mesma família.
A diretora Carol Rodrigues começou a desenvolver o projeto há cerca de dez anos. Segundo a diretora, o longa nasceu de reflexões sobre as marcas deixadas pelo trabalho doméstico e pelas relações familiares no Brasil. “Vivemos uma sociedade profundamente violenta e herda essa violência dentro das nossas famílias. Como a gente lida com isso para criar outros caminhos, que não reproduzam essa violência, mas que sejam caminhos de afeto e de amor?”, afirmou ao Diário.
Desde a estreia mundial no Festival do Rio, o filme vem acumulando reconhecimento. Ana Flavia Cavalcanti e Mawusi Tulani receberam o prêmio de Melhor Atriz na mostra Novos Rumos do festival, e a produção também integrou a disputa do Africa Movie Academy Awards na categoria de Melhor Longa-Metragem da Diáspora.
A produção ainda chama atenção pelo modelo de realização adotado pela equipe, com mais de 80% dos profissionais formados por pessoas negras e maioria composta por mulheres e integrantes da comunidade LGBT+.
LEIA MAIS:
Exposição contemplativa sobre a criação de ''Toy Story'' chega a São Paulo
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.