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A Bolsa acentuou a trajetória negativa iniciada na quarta, sob o temor dos desdobramentos da confirmação do novo tarifaço americano nesta quinta-feira, 16 e do mau humor no exterior. O Ibovespa perdeu mais de 2 mil pontos e, assim como na sessão anterior, na máxima de 176.011 pontos, o principal índice da B3 não conseguiu passar da estabilidade, com as principais blue chips, tanto commodities quanto setor financeiro, tendo apresentado queda firme.

A confirmação da taxa de 25% sobre produtos brasileiros pelos EUA era amplamente esperada, assim como a lista de exceções, mas ainda assim o mercado reagiu mal. A medida entra em vigor no dia 22. A avaliação da equipe econômica é de que o impacto econômico é irrelevante e, por isso, não deve haver retaliação. Entretanto, dada a pressão que empresários dos setores taxados devem fazer pela aplicação da Lei de Reciprocidade, há temor de guerra comercial.

Na reta final da sessão, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, sinalizou sobre essa possibilidade. "O governo, no momento adequado, saberá como implementar lei da reciprocidade", disse, acrescentando que a Apex e o BNDES vão se empenhar para o Brasil conquistar novos mercados.

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A economista-chefe da Mirae Asset, Marianna Costa, explica que houve cautela sobre a reação do governo brasileiro e com a possibilidade de as negociações se arrastarem. "Do lado econômico, provavelmente o governo vai pelo caminho da lei de reciprocidade, que requer algumas etapas burocráticas. Então, se entende que vai levar alguns meses pra que fique claro quais são essas ações", disse, lembrando que entre essas etapas estão as consultas aos setores. "Há uma série de eventos ainda por vir. Então, tem uma incerteza", disse.

A medida atinge em torno de 30% da pauta de exportação nacional e só não fez mais estrago no mercado de ações porque setores mais parrudos da Bolsa conseguiram entrar na lista de isenções. "A decisão atinge um número maior de produtos, mas para o índice o número setores afetados é mais restrito", diz a economista. O impacto mais direto se dá sobre algumas companhias exportadoras, em especial as mais dependentes do mercado americano.

Num outro recorte, a taxação se mistura à leitura sobre a disputa pelo Planalto, na medida em que é associada ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como mostrou a pesquisa Genial/Quaest. O levantamento trouxe que para 51% dos entrevistados a responsabilidade por essa imposição é de Flávio Bolsonaro. O mercado acredita que numa eventual gestão do senador haverá maior disciplina fiscal.

O Ibovespa tocou mínimas à tarde, acompanhando a piora dos índices em Wall Street, por sua vez penalizados pelas tensões no Oriente Médio, balanços corporativos e perdas das ações de tecnologia, além de falas "hawkish" de dirigentes do Federal Reserve. No piso do dia, o índice da B3 recuou 1,41%, a 173.537 pontos.

As ações da Petrobras ampliaram a queda também na segunda etapa para perto de 2%, em linha com o recuo do petróleo e receios sobre desdobramentos do tarifaço. O papel PN recuou 1,72% e o ON, -1,95%. Vale fechou em baixa de 2,05%, em meio à queda do minério de ferro. Entre os bancos, Itaú Unibanco PN caiu 1,37% e Bradesco PN cedeu 1,02%.

O Ibovespa fechou em baixa de 1,24%, aos 173.825,27 pontos, acentuando as perdas da semana para 2,27%. O giro financeiro somou R$ 19,06 bilhões. Em julho, acumula ganho de 1,05% e em 2026, de 7,88%.




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