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Amcham: tarifas põem Brasil entre países com condições mais restritivas para mercado dos EUA

16/07/2026 | 08:48
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A decisão americana de sobretaxar em 25% produtos brasileiros, no âmbito da investigação da Seção 301 sobre práticas comerciais do País, indica um resultado "muito negativo" para a relação bilateral, na avaliação da Amcham Brasil.

A Câmara avalia que a medida, que entra em vigor a partir de 22 de julho, coloca o Brasil entre os países com condições mais restritivas no mundo para acessar o mercado americano, com tendência a afetar duramente mais de US$ 11 bilhões em exportações industriais e do agronegócio. "Esse tratamento contrasta com o crescente superávit comercial dos EUA com o Brasil - de US$ 41,8 bilhões em bens e serviços em 2025 - e com o baixo patamar das tarifas efetivamente aplicadas pelo Brasil aos produtos americanos", observa, em nota.

A Amcham também considera que as novas taxas tendem a elevar custos para as empresas e consumidores americanos, reduzir a competitividade das indústrias que utilizam insumos brasileiros e ampliar a dependência de fornecedores asiáticos, com potencial para deteriorar o déficit comercial dos EUA com países daquela região. Além disso, segundo a Câmara, limita as oportunidades de cooperação entre Brasil e EUA em áreas estratégicas, como minerais críticos, energia, economia digital e propriedade intelectual.

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A expectativa também é de aprofundamento da queda do comércio bilateral, que já registra recuo de 13% no ano e levou a participação dos EUA no comércio exterior brasileiro ao menor nível histórico, além de uma possível piora dos investimentos bilaterais, que mantêm relação estreita com o dinamismo das trocas entre os dois países.

"Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses e seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla", afirma o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto. Ele reforça que as negociações tornam-se ainda mais urgentes diante da probabilidade de novas tarifas no seio da investigação sobre trabalho forçado, que poderão elevar as sobretaxas para até 37,5%.

A Amcham ainda avalia que a definição de itens isentos das sobretaxas - como carne bovina, café, laranja, partes para fabricação de aviões, petróleo e celulose - é positiva e deve contribuir para mitigar parte dos impactos. No entanto, também solicita a criação de um mecanismo para considerar novas exclusões para produtos cujas sobretaxas possam gerar "impactos econômicos desproporcionais para empresas e consumidores ou que não contribuam de forma efetiva para resolver as preocupações comerciais apontadas pelos EUA".




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